Review: “Rush: No Limite da Emoção” de Ron Howard

Nem todo mundo gosta de Fórmula 1, apesar de aqui no Brasil termos um histórico alto de popularidade graças a Ayrton Senna e outros corredores. Mas é um esporte de pouco movimento (ironicamente), de homens correndo em círculos, aí de vez em quando eles batem e o negócio fica emocionante. “Rush: No Limite da Emoção” é um raro filme sobre F1 e, mais raro ainda, consegue transformar algo que muita gente vê como chato em uma produção para lá de empolgante.

O filme é focado no relacionamento entre Niki Lauda e James Hunt, que se conheceram na Fórmula 3 no início dos anos 70 e quando estavam em poderosas escuderias da Fórmula 1 (Ferrari e McLaren, respectivamente) brigaram até o final pelo campeonato de 1976. Aparentemente é uma história famosa – eu desconhecia, apesar de reconhecer os pilotos pelo nome – mas se você não sabe como ela termina recomendo deixar assim. “Rush” cresce muito com o suspense da corrida final.

Apesar de um estilo didático típico de biografias, o filme não perde muito tempo explicando como é Fórmula 1. Se você nunca assistiu a uma corrida antes, talvez se perca. Paradas no pit stop, troca de pneus, pole position e outros termos tão comuns para quem acostuma a acordar cedo nas manhãs de domingo (não fui tanto da geração Senna, era criança, fui mais da Schumacher) são jogados casualmente. Mas o período, a história e os costumes são apropriadamente utilizados de modo não natural, mas para criar um clima. Não sei se na época o GP do Brasil era embalado por mulheres seminuas desfilando na largada, mas aqui recebemos até close de bunda, afinal é nosso produto de importação número 1 mesmo.

“Rush”, portanto, é puro espetáculo. O foco está nos personagens de Lauda e Hunt, muito bem caracterizados e definidos em suas particularidades (dois lados de uma mesma moeda, sem maniqueísmo), participando de um evento maior que a vida deles. Quando um ou outro conflito pessoal se interpõe, até ai o foco do filme passa a ser na reação da imprensa e no espetáculo. Fórmula 1, como se sabe, é tanto show quanto esporte, e “Rush” apropria-se disso com firmeza.

Os rivais na vida real.

O filme é dirigido por Ron Howard, diretor de clássicos como “Apollo 13” e “Uma Mente Brilhante”, mas talvez seu projeto que melhor remeta a este é “Frost / Nixon”. Que divide o mesmo roteirista, Peter Morgan. “Rush” tem um ritmo pulsante, mesmo quando ninguém está correndo. Mas isso não quer dizer nada, pois quando chegar à climática corrida do Japão prepare-se para grudar na cadeira! Incrível como diretor e roteirista conseguiram transformar as últimas voltas em uma verdadeira montanha-russa. Outro destaque nessa matemática: Hans Zimmer que imprime sua habitual energia na ótima trilha sonora.

O elenco tem Chris Hemsworth (o Thor) como James Hunt e Daniel Bruhl (de “Adeus, Lênin!”) como Niki Lauda. Os dois muito bem em seus respectivos papeis, Bruhl de trejeitos mais marcantes e Hemsworth imprimindo o carisma de um bon vivant extremo. Olivia Wilde faz uma participação e dou destaque para Alexandra Maria Lara, que interpreta a Sra. Lauda. Ela tem um marcante olhar capaz de demonstrar com sensibilidade o desespero que uma mulher sente ao ver seu marido arriscando a vida desta forma. O relacionamento dela com Lauda é muito bem feito, inclusive.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s