Review: “Círculo de Fogo” de Guillermo del Toro

Robôs gigantes enfrentado monstros maiores ainda não são novidade. Jaspion já combatia colossais adversários algumas décadas atrás! “Círculo de Fogo” não quer fugir dessa comparação, pelo contrário, quer homenagear. É um blockbuster simplório sobre um conceito absurdo, com algumas referências e a consciência de não estar inovando, apenas repetindo. Mas… Bem que poderia ter inovado um pouco, não? 

A história começa com uma breve recapitulação narrando o surgimento dos Kaijus, gigantescos alienígenas que começaram a atacar nosso planeta não do espaço através de uma fenda interdimensional que se abriu no fundo do Oceano Pacífico. Para isso a raça humana pegou os roteiros de Power Rangers e construiu enormes máquinas chamadas de Jaegers para enfrentar os adversários fora do comum.

Somos introduzido a um típico americano empolgado e seu irmão mais velho, os dois pilotos de um jaeger. Essas máquinas são tão grandes que não podem ser controladas por uma pessoa somente, portanto uma conexão cerebral entre dois humanos é necessária – algo que não tem o menor sentido nem que você queira muito que tivesse! Mas tá lá, então ok, faz parte. Acontece que nosso protagonista Becket perde seu irmão em um combate e fica triste e vai virar pião de obra. Até ser chamado novamente para pilotar um jaeger por que precisavam muito dele.

Não que eu queira exigir muito da história de um filme sobre robôs enfrentando monstros, mas a verdade é que “Círculo de Fogo” não tem o menor sentido. Algo aceitável se isso não atrapalhasse o andamento da narrativa. Após uma longa introdução o filme fica em ponto morto, nos mostrando essa coisa toda de conexão cerebral e introduzindo coadjuvantes clichês e desnecessários. Os diálogos são infantis e nada evolui. Rola certo conflito “será que Becket e sua nova parceira vão conseguir fazer a conexão?” só que aí eles conseguem, o filme ignora a trama por completo e no final já temos até parcerias feitas independente de compatibilidade mesmo! Um personagem explica que “eu não tenho memória, eu não tenho medos”. Ok, então tá? O roteiro simplesmente ignora a si mesmo. Por que então perdemos tanto tempo aprendendo sobre isso ao invés de irmos direto ao ponto, as cenas de luta entre gigantes?

Quando o filme é sobre robôs enfrentando monstros ele funciona. Mas isso é muito pouco! Temos um breve conflito introdutório, uma batalha em Hong Kong (muito legal, inclusive) e o clímax. O resto é blá blá blá inútil e mal feito. Tudo culpa de um roteiro muito mal argumentado. Até nas lutas a estrutura das coisas fica bagunçada, como em determinado momento que um dos jaegers resolve revelar ter uma espada capaz de corta um kaiju facilmente como manteiga! Por que ele não usou isso desde o início? Precisava apanhar para destravar a arma?

“Círculo de Fogo” é um ambicioso projeto do diretor Guillermo del Toro, o mesmo de “Hellboy” e “O Labirinto do Fauno”. Del Toro é criativo e sabe dirigir belas cenas. Mas sustentado por um roteiro pobre não consegui criar nada além de visual. As lutas, como já disse, são muito bem feitas. Os robôs tem peso, movem-se com sutileza, tudo é relativamente realista dentro do absurdo. O estilo é colorido, o clímax conta com algumas paisagens belíssimas. Só que quando não temos gigantes na tela, Del Toro não consegue fazer nada. O elenco conta com Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba, Charlie Day e Ron Perlman (o Hellboy em pessoa). Todos pouco inspirados.

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