Review: “The Legend of Zelda: A Link Between Worlds” para 3DS

Uma das mais cultuadas séries dos videogames, The Legend of Zelda tem inúmeros clássicos que levam seu título. Para muitos “Ocarina of Time” é um dos melhores jogos da história, para outros “Majora’s Mask” é uma pérola incompreendida, e muita gente aprendeu que “The Wind Waker” é fenomenal quando passou a jogá-lo, ao invés de julgá-lo por seu visual. As opiniões são muitas e geralmente bastante polarizadas – “Skyward Sword” que o diga! Uma das poucas unanimidades da franquia, “A Link to the Past” é o único jogo da série lançado para Super Nintendo e até hoje é lembrado por suas inúmeras qualidades que desafiam o teste do tempo.

E cá estamos 22 anos depois. Nesse tempo já nasceu gente que só veio a conhecer a série no Wii ou DS! Se isso o faz sentir-se velho, bem-vindo ao clube. Atrás de dois públicos completamente distintos – os que jogaram “A Link to the Past” em sua época, os que então sequer eram nascidos – que a Nintendo lança para o 3DS “A Link Between Worlds”. Uma mescla do estilo antigo da série com algumas novas ideias.

Verdade seja dita que a mistura de tradicional e novo é uma marca da franquia. Muitos reclamam que Zelda ficou parado no tempo (ao menos desde “Ocarina of Time”), mas é inegável que a Nintendo sempre busca algo de bastante diferente em cada lançamento. Mas “A Link Between Worlds” talvez seja o que faça isso de forma mais marcante. Ao mesmo tempo que é tão tradicional que chega a ser nostálgico – fãs de “A Link to the Past” ficarão chocados com a familiaridade nostálgica – arrisca uma mudança fundamental nas estruturas da série.

Todo Zelda desde o segundo (!) segue uma linearidade bastante simples: procure uma dungeon, ache um item nela, use-o para vencer seus enigmas e chefe, avance pelo cenário anteriormente fechado sem este; repita umas oito vezes até o final. Pode parecer simplório, mas funciona e poucas franquias repetem isso (Darksiders foi a única que tentou recentemente), portanto para os fãs é o suficiente. Afinal como só Zelda é Zelda, qual o problema de Zelda permanecer Zelda? Ainda assim “A Link Between Worlds” resolveu aproveitar a oportunidade de jogar isso fora. Agora as dungeons não vem com nenhum item dentro delas e o jogador deve pegá-los com um simpático vendedor que lembra um coelho. Ravio coloca para aluguel todos os itens principais (arco e flecha, bumerangue, martelo, bombas…), dando assim a opção de você escolher ter ou não seu arsenal completo o quanto antes.

Se você morrer perderá todos os itens alugados, mas o jogo não é muito difícil e ainda sim dinheiro não será problema. Rupees estão em abundância por Hyrule, até para o padrão da série, que nunca foi econômica. Mais tarde Ravio ainda lhe oferecerá a opção de comprar definitivamente os itens (você não os perderá se morrer), portanto não se surpreenda se não estiver na metade da jornada e já tiver o arsenal completo. Essa “facilidade” foi a forma que os desenvolvedores encontraram de quebrar fórmula da série. Agora a ordem das dungeons é completamente livre! Resultando no Zelda menos linear desde o primeiro jogo lá de 1986.

Fãs das antigas ficarão mais motivados, a meu ver. Mesmo que “A Link Between Worlds” siga muito o padrão de “A Link to the Past” (três dungeons iniciais, mais seis totalmente aleatórias no segundo mundo) e que o mapa de Hyrule seja bastante parecido, há muito que explorar. E quando você chegar a Lorule e tiver a total liberdade de ir para onde quiser, seja para uma dungeon ou procurar segredos, perceberá que a mudança veio para o bem. Talvez isso não desse certo em um jogo estruturado diferente, mas usando a base de “A Link to the Past” permitiu à Nintendo tentar algo arriscado que funcionou.

Outra novidade específica é a habilidade de Link “colar” na parede para navegá-las como uma pintura. Isso é meramente uma função para alguns enigmas muito espertos, mas você a utilizará o tempo inteiro. E faz parte de uma das alterações fundamentais ao mapa original de Hyrule, já que agora você deverá explorá-lo com isso em mente. Essa habilidade também serve para transportá-lo a Lorule, através de fendas, portanto não espere a dinâmica vista no Dark World de “A Link to the Past” utilizando aquele espelho mágico em qualquer lugar. Lorule é um pouco mais “ilhada” – tem inúmeros precipícios – portanto o jogador deverá se esmiuçar por Hyrule para chegar a certos locais do mundo paralelo.

Essa função também enaltece a perspectiva 2D de “A Link Between Worlds” – é como se o Link pintura fosse uma sátira nesse universo 3D. Apesar dos gráficos (simples, mas belos) serem completamente tridimensionais, o explorar de Hyrule e suas dungeons nesta visão vai revigorar um saudosismo aos fãs. E a Nintendo foi muito esperta em utilizar este ângulo para enaltecer as qualidades 3D do 3DS. Em alguns cenários é possível ver os andares de baixo, criando uma perspectiva incrível! Algo similar foi tentado em “A Link to the Past”, mas por causa das limitações do SNES é aqui que este conceito torna-se real é impactante. Junto com “Super Mario 3D Land” este é um dos melhores usos de 3D visto no sistema.

Além das novidades e do resgate da câmera tradicional da franquia, “A Link Between Worlds” também mantém aquilo que Zelda sempre fez de melhor: boa exploração, bons enigmas, boas dungeons. Verdade que estas últimas, em particular, são breves e fáceis, e também não há uma escalada de dificuldade (já que não há ordem apropriada), mas isso não atrapalha. Elas são divertidas e isso é que importa. E explorar os mapas de Hyrule e Lorule é, talvez, o mais divertido desde “Majora’s Mask”, com muitos segredos e áreas. Quem ficou entediado com a linearidade prática de “Skyward Sword” vai adorar.

O que mais pode ser dito? Se você é fã das antigas, irá deliciar-se com esse retorno às origens. Se é novo irá divertir-se com as novidades que destacam o resultado além do trivial. Houve um tremendo risco quando a Nintendo resolveu lançar uma sequência para um de seus mais cultuados jogos de seu passado, mas o produtor Eiji Aonuma e a equipe genial do EAD sabia o que estava fazendo. Mais do que uma memorável continuação a um memorável clássico, “The Legend of Zelda: A Link Between Worlds” é memorável por si só! Tem tudo para ser cultuado daqui a 22 anos também.

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