Review: “Jogos Vorazes: Em Chamas” de Francis Lawrence

O primeiro “Jogos Vorazes” foi interessante, mas não soube explorar os temas que lhe seriam apropriados. Vimos adolescentes se digladiarem em uma arena em tributo a uma antiga guerra que separou um país em distritos. Mas que guerra foi essa? Existe uma ameaça de revolução, como a população de Panem se comporta? Não nos foi mostrado, focando apenas na historinha de casal romântico teen em um reality show mega-violento. Nesse aspecto esta primeira sequência é uma evolução e tanto, pois finalmente faz jus a uma mitologia interessante.

Quando o primeiro filme acabou, os vencedores do 74º Jogos Vorazes, Katniss Everdeen e Peeta Mellark , estavam voltando para casa após sobreviverem ao evento. E fade to black, fim de papo! Em “Jogos Vorazes: Em Chamas” vemos os dois ainda fingindo ser um casal para as câmeras, para fazer uma média com a Capital, já que seu presidente Snow anda ameaçando a família dos dois. Só que, durante uma turnê de vitória pelos outros distritos, eles percebem que sua sobrevivência deu esperança para uma população a beira da revolução. O casal não sabe como lidar com isso, mas o presidente Snow sabe e quer acabar com Katniss e sua tendência a mártir antes que as coisas comecem a, err, pegar fogo!

Os Jogos Vorazes na história são na verdade uma analogia bastante clara aos tempos de coliseu em Roma – eles até se apresentam ao tributo em carruagens de biga. Mas também servem muito bem para tempos modernos! Em uma ditadura elitista, onde uns poucos se infartam de comida até vomitar e comer de novo, enquanto a grande maioria passa fome, isso não passa de uma distração – manter a população calma e tranquila, distraída com todo esse carnaval de reality show copadomundístico. Eis um tema bastante apropriado ao nosso pais, não? A revolução é inevitável e, mesmo que Everdeen não queira bancar o símbolo, as pessoas já veem nela algo além. Mas Snow tem uma surpresinha para ela e seus coleguinhas vencedores! E novamente voltamos ao espetáculo, ao culto a imagem, à distração e ostentação, enquanto uma população de oprimidos é espancada pela “polícia pacificadora” – sem nenhuma ligação com o governo Sergio Cabral, ok? Coff coff…

Os figurinos melhoraram um pouco.

A história evoluiu bem, apresenta seus temas de forma moderada, propõe algumas reflexões interessantes. O bordão da saga, “que a sorte sempre esteja em seu favor”, é invertido em uma pichação para “a sorte nunca está em nosso favor”. “Em Chamas” tem algo para dizer, mesmo sem levantar bandeiras, e isso já é o suficiente para elevá-lo ao filme anterior. Agora sim a mitologia de Panem e seus variados distritos ganha cor! Novos personagens são adicionados e as reviravoltas criam uma boa estrutura à trama. Infelizmente o clímax é deveras anticlimático, sem conclusão, deixando o resto para o próximo episódio. Na literatura Jogos Vorazes é uma trilogia, mas o último volume (“A Esperança”) será dividido em duas partes para o cinema. Ou seja, falta muito ainda!

O filme é dirigido por Francis Lawrence, de “Constantine” e “Eu Sou a Lenda”. Seu trabalho é bom, tem rimo e graça. O resultado é um pouco mais refinado que o do diretor anterior (Gary Ross) que não soube dar vida à história. “Em Chamas”, de fato, pega fogo.  O roteiro de Simon Beaufoy e Michael Arndt ajuda bastante. Suzanne Collins não deve ter muito do que reclamar, creio eu.

Nossa protagonista é vivida novamente Jennifer Lawrence, que antes de “Jogos Vorazes” era apenas a Mística do último X-Men,mas agora é ganhadora do Oscar, mocinha de uma série blockbuster e nova queridinha de Hollywood! Uau, hein?! O que um ano não faz com uma pessoa? Ela novamente carrega o filme, sabendo dar vida a uma personagem interessante, que requer gás. Voltam do anterior praticamente todo mundo: Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Stanley Tucci, Lenny Kravitz e Donald Sutherland.  As melhores novidades são Sam Claflin e Jena Malone, em personagens bastantes carismáticos que crescem na história. Philip Seymour Hoffman é o misterioso Heavensbee, mas não faz grandes coisas.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Review: “Jogos Vorazes: Em Chamas” de Francis Lawrence

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s