Review: “O Hobbit: A Desolação de Smaug” de Peter Jackson

E cá estamos na segunda parte da trilogia O Hobbit, adaptação (com muita liberdade criativa) da obra de J. R. R. Tolkien dirigida pelo mesmo Peter Jackson da majestosa trilogia O Senhor dos Anéis. Fui um tanto complacente com os problemas do antecessor “Uma Jornada Inesperada”, como você pode ver no meu review, que não consegui ser nesta sequência. “A Desolação de Smaug”, apesar de ser um filme melhor e mais emocionante, testa a paciência dos espectadores com a necessidade do diretor em enrolar.

Bilbo e seus 13 anões continuam seguindo para Erebor, com um bando de orcs na cola deles. Até chegarem à montanha onde dorme um certo Smaug eles irão enfrentar aranhas na Floresta das Trevas, fugir de elfos pelo rio, conversar com humanos da Cidade do Lago e, claro, ter que confrontar o dragão. Pode parecer muita coisa a ser feita e é, mas ainda assim os roteiristas viram necessidade de adicionar mais! Portanto Gandalf vai explorar a fortaleza de Dol Guldur, Legolas conversa com Tauriel, Bard entra em conflito com o prefeito… E o Bilbo coitado? O filme se chama “O Hobbit”, mas o pobrezinho às vezes some por meia dúzia de cenas!

Em todos os momentos que narrei que foram retirados do livro a história rende. O ataque das aranhas é divertido, a fuga dos heróis dentro dos barris rio abaixo é fantástica (com direito a uma hilária e absurda gag em travelling) e Smaug está magnífico em sua versão cinematográfica. Fosse somente por esses momentos e “A Desolação de Smaug” mostraria a que veio, mas parece que Peter Jackson viu necessidade de enrolar por mais duas horinhas… A trama de Gandalf não adiciona nada à trama, mesmo que o cameo de Sauron seja interessante, e Bard pouco faz. E o quanto menos for dito sobre o romancezinho de Tauriel com o único anão não-feio, melhor! Desnecessário é eufemismo!

Aí está o problema, que já era presente em “Uma Jornada Inesperada”, mas como era o retorno à Terra Média parecia menos óbvio. Agora não, boa parte da história de Tolkien se perde e isso fica evidente, principalmente no clímax. Fosse focado apenas em Bilbo e Smaug, seria brilhante! Mas aparece Smaug, entra Gandalf, voltamos para Smaug, e olha o Bard aí, de volta ao dragão, que tal um romance de Tauriel, eis Smaug novamente, mas agora um pouquinho de Legolas! É um vai e vem desconexo, pois todas as subtramas simplesmente não estão conectadas ao que importa: Bilbo e Smaug!

Fico imaginando o que esperar de Peter Jackson com o próximo “Lá e de Volta Outra Vez”, que terá a menor parte para tirar do livro e fazer um filme inteiro dela! Imagino batalhas épicas e bons momentos de humor que o diretor sabe fazer, mas um tanto quanto de enrolação também. O retorno de Martin Freeman, Richard Armitrage e Ian McKellen repete a eficácia anteriormente comprovada. De novidades temos Luke Evans, Lee Pace, a volta de Orlando Bloom como malabarista e Evangeline Lilly como uma versão paupérrima da Liv Tyler. Benedict Cumberbatch dubla Smaug com louvor. “A Desolação de Smaug” é um bom filme, melhor que o anterior, mas deixou mais evidente os defeitos da adaptação de um livro que não rende uma trilogia dessa escala.

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