Review: “The Last of Us” para PlayStation 3

A produtora Naughty Dog tem um longo histórico de parceria com a Sony, mas foi com sua recente trilogia Uncharted no PlayStation 3 que ela alçou seu nome ao hall das grandes desenvolvedoras. Incrível produção, história e direção com cara de cinema, os três jogos estrelados por Nathan Drake tornaram a empresa um símbolo moderno dos blockbusters de videogames. Com “The Last of Us” eles tem a oportunidade de pegar o que aprenderam nessa geração e produzir seu mais conciso trabalho.

Muito de “The Last of Us” lembra Uncharted. O estilo de se andar, explorar, atirar… E convenhamos que o herói Joel lembra Nathan fisicamente também! Mas o universo é outro. Nada de tesouros perdidos em lugares exóticos, grandes cenas de ação ou espetáculo. “The Last of Us” começa com um clima trágico e segue lentamente até sua conclusão, sem exageros. Uma grande epidemia destruiu a sociedade como a conhecemos, fazendo seres humanos viveram isolados em cidades para evitar contágio com os contaminados. Joel e sua colega Tess recebem a missão de levar a adolescente Ellie para um laboratório secreto bem longe da quarentena.

O epílogo mostra Joel sobrevivendo ao início do apocalipse, depois pulamos 20 anos no tempo para conhecer um planeta completamente destruído. De início a cidade parece relativamente viva, com muitos humanos, soldados e pessoas andando pelas ruas. Mas quando os protagonistas saem da cidade conhecemos o lado “os últimos de nós” de “The Last of Us”. Uma cidade em total ruína, abandonada, vazia, sendo lentamente retomada pela natureza. O silêncio produz um clima inóspito. Poucos jogos conseguem com tamanha força realizar um mundo em ruínas, destruído pelo fim dos tempos.

Por isso já irei começar por aquilo que a Naughty Dog faz de melhor nesse jogo: o visual. Não há palavras para descrever o cenário construído, é daquele tipo de “ver para crer”. As cores, a iluminação, o nível dos detalhes. Tudo está muito vivo! Apesar da humanidade e nossa sociedade estarem mortas, o que sobrou do planeta está respirando como nunca. Plantas, o pôr do sol, animais e detalhes como poeira dão exuberância, vivacidade. Isso é fundamental para criar uma imersão poderosa no jogador, que se sente parte daquilo, explorando ruínas atrás de recursos escassos para tentar sobreviver ao próximo encontro com inimigos.

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Através desse ritmo que o jogo se mantém forte. Se “Uncharted” (apesar de divertidíssimo, diga-se de passagem) saturava com sua repetição intensa de arenas de tiroteio, “The Last of Us” é muito mais equilibrado. Primeiro por que a exploração tem sentido. Enquanto Nathan Drake ficava apenas bancando a Lara Croft gratuitamente para chegar de ponto A ao B, Joel precisa explorar para sobreviver, pois o jogo não entrega ao jogador de bandeja uma grande quantidade de munição. Não chega a ser um survival horror daqueles, mas você ficará sem munição para algumas armas de vez em quando! Há um elemento de necessidade da exploração, o que é fundamental para tornar esses momentos calmos em algo um tanto quando importante.

Nas tais arenas de tiroteio (que estão virando assinatura da empresa, pelo jeito) o ritmo evoluiu também. “Uncharted” por vezes torturava o jogador com inúmeras ondas de inimigos, mas como não faltava munição, você se permitia atirar loucamente como se estivesse jogando “Gears of War” mesmo. Já “The Last of Us” é mais discreto, com menos inimigos, mas com mais taxa de mortalidade, pois alguns deles lhe matam com uma única mordida. Estratégia é um requerimento, seja na hora de usar stealth ou de apelar para uma boa espingarda. A estrutura do jogo é mais aberta, os mapas têm vários caminhos, dando mais opções ao jogador.

Com esse level design bem feito a história de “The Last of Us” consegue encantar mais. A estrutura do jogo é bastante linear e a relação entre Joel e Ellie não chega a ter nenhum elemento marcante, do ponto de vista narrativo ou da fórmula co-op que quase não aparece. De uma fórmula similar a “BioShock Infinite”, aqui essa parceria que remete a laços paternais é apenas estética, sem grandes pesos ou consequências nas escolhas do jogador. Mas funciona, a história é bem feita e os protagonistas carismáticos o suficiente (apesar de clichês) para não tornar as cenas não interativas um tédio.

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A Naughty Dog continua no seu rumo de fazer jogos que parecem filmes, o que para mim é algo redundante. Por que a produtora não produz logo um filme então? Alguns cortes e montagens são cinematográficos demais, principalmente nos diálogos entre os heróis (algo não visto em “BioShock Infinite”), produzindo um resultado bastante forçado. Percebe-se quando “The Last of Us” acha que é Hollywood em todas as suas modinhas infantis, mas isso é algo aceitável quando se lembra que a produtora fica localizada em Santa Monica. O que importa é que os maneirismos comerciais não interferem no fundamental: o jogo funciona quando lembra que é um jogo!

Assim como a trilogia Uncharted, “The Last of Us” repete demais clichês narrativos do cinema comercial americano, mas diverte como videogame. Tem bons confrontos, bom ritmo, boa exploração e um visual incrível. A história é bem desenvolvida, assim como seus personagens, mesmo que não vá muito além do típico de um filme de apocalipse zumbi – diga-se de passagem, a palavra “zumbi” jamais é mencionada, mas sim, trata-se de uma epidemia de zumbis. Mas explorar um país em ruínas é marcante e evoca muito bem a sensação de isolamento, de solidão e desolação. Em um jogo chamado “The Last of Us” é isso que o torna algo muito acima da média.

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