Review: “12 Anos de Escravidão” de Steve McQueen

O período da escravidão foi um momento sombrio na história de muitos países, principalmente das colônias americanas que cresceram e prosperaram à custa da exploração de povos africanos que eram roubados das vidas que tinham, sem o menor peso na consciência por parte de seus raptores. Uma parte da cruel da história da humanidade, mas às vezes relegada a ser lembrada apenas na escola. “12 Anos de Escravidão” é um relato realista, sério e muito duro, que merece ser visto (por mais difícil que isso seja) para refrescar a memória da crueldade do racismo.

Solomon Northup é um negro livre de Nova York que recebe uma proposta para tocar seu violino em outra cidade. Acaba sendo enganado pelos supostos empregadores e é sequestrado, para depois ser vendido como escravo para fazendas do Sul do país. A década é de 1840, uns vinte anos antes de Abraham Lincoln proclamar a emancipação de todos os homens da União. Portanto Solomon, sem seus documentos de liberdade, é levado de lugar a lugar, de dono a dono, sem o mínimo direito de enfrentar essa injustiça.

Vale à pena pesquisar a história de Northup (depois de ver o filme, para evitar spoilers), que foi real. “12 Anos de Escravidão” é inspirado em um livro homônimo escrito por ele em 1853 e relata com seriedade uma verdade triste, dura, maldosa. A sensação é de raiva, ou de vergonha, talvez até culpa! Não só por Northup, mas por nos lembrar de que aquilo que ele passou é apenas um relato de uma história que se repetiu inúmeras vezes, por séculos, em vários países. Poderia se passar no Brasil sem ter que mudar muito o conteúdo.

A essência da tragédia é o racismo e o roteiro não quer nem saber de esconder isso. Fingir que a escravidão foi sustentada por valores políticos ou econômicos é cegueira, pois estamos falando de uma filosofia desumana em sua essência, que apenas serviu para sustentar a agricultura de muitos países. Isso só foi possível por que a maioria que estava no poder, os brancos, olhava para os negros como se fossem inferiores. Um dos fazendeiros do filme diz, ao torturar uma escrava, que o que ele faz não é pecado, pois ela é propriedade sua! É um tipo de pensamento que saiu do lugar comum da moralidade, mas infelizmente insiste. Assistir a “12 Anos de Escravidão” é um tremendo incômodo, não só por nos lembrar de o que aconteceu em um passado distante, mas reforçar que a ideia e os horrores do racismo ainda são atuais. E não custa reforçar: escravidão ainda existe!

A direção é de Steve McQueen, de “Shame”, em um trabalho magistral e sério. Sua direção é forte, pesada, sem leveza ou melodrama. Apesar de uma história triste, o incômodo é mais forte que a melancolia. A plateia sentirá a dor dos personagens, ficará sem respirar em uma cena de enforcamento que dura uma eternidade! McQueen pode parecer cruel, mas está sendo realista. Não está dando espaço para fantasia, humor ou aulinha de historia. Está mostrando o pior do pior.

Solomon Northup é vivido por Chiwetel Ejiofor, que carrega o personagem com expressões marcantes e um olhar desesperador. Uma belíssima tomada mostra seus olhos perdidos, desolados, sem um fio de esperança. Você consegue ler seus pensamentos, sua alma, e isso é mérito de um ator que consegue expressar dor como se a estivesse sentindo! Os coadjuvantes do elenco tem Lupita Nyong’o (excepcional), Benedict Cumberbatch Brad Pitt, Alfre Woodard, Sarah Paulson (maléfica) e Michael Fassbender (assustador). Outro destaque: a trilha sonora do sempre eficaz Hans Zimmer e a fotografia de Sean Bobbitt .

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