Review: “Trapaça” de David O. Russell

A investigação Abscam foi um escândalo público dos Estados Unidos no final dos anos 70, onde um senador, um prefeito e alguns deputados foram presos por envolvimento criminoso com um sheikh árabe fictício criado pelo FBI. Foi um dos vários escândalos políticos do país naquela década que começou com o Watergate. Para nós aqui do Brasil o tema parece bastante atual em tempos de Mensalão e tudo mais…  “Trapaça” é o relato fictício com personagens inventados ou alterados em prol de uma narrativa mais hollywoodiana.

O filme é dirigido por David O. Russell, que parece ter estourado desde os sucessos de “O Vencedor” e “O Lado Bom da Vida” e só quer saber de trabalhar com um grande elenco em histórias de personagens. Curiosamente “Trapaça” vem com boa parte dos atores de seus filmes anteriores no que mais parece um the best of de sua carreira… Seu trabalho aqui na direção é bom, mas nada digno de louvor. Conta uma história eficazmente, sem correr muitos riscos, tocar em temas polêmicos ou mesmo enquadramentos criativos. Fora o decote gigantesco de Amy Adams, não vi nada aqui de surpreendente.

Acho que o problema fica por conta do roteiro, do próprio Russell junto com Eric Singer (roteirista de “Trama Internacional”). A narrativa é básica, focada nos personagens, que não tem nenhuma característica marcante, lúdica ou curiosa. E eles participam de eventos que acontecem e tem consequências, mas não chocam ninguém mais hoje em dia. Nesse aspecto “Trapaça” é tão surpreendente quanto uma aula de física, onde ações têm reações e pessoas participam disso por duas horas… Nada de demais, diferente ou criativo. Já vimos blockbusters de ação com mais personalidade!

“All the single ladies / all the single ladies”

O elenco tem Christian Bale gordo, uma variação da sua versão magérrima de “O Vencedor” (que lhe rendeu o Oscar) ou sua versão musculosa da trilogia O Cavaleiro das Trevas. Aqui o ator, que é talentosíssimo, não tem muito que fazer fora uns bons improvisos… Seu personagem é bem normal, apesar da maquiagem extravagante.  Ao seu lado temos Amy Adams, a “Encantada”, em um papel bem fora do seu lugar comum de adorável fofura. Sensual e ousada, sua performance infelizmente desaparece após um marcante ato inicial dela.

Além deles temos o casal “O Lado Bom da Vida” de Bradley Cooper (normal) e Jennifer Lawrence (uns bons momentos aqui e acolá). De coadjuvantes também aparecem Jeremy Renner e Robert DeNiro, interpretando uma mafioso italiano pela centésima vez em sua carreira. Em suma: “Trapaça” é genérico relato de um escândalo público, sem tocar em nenhum comentário social ou político, interpretado por grandes atores em personagens pequenos.

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