Review: “RoboCop” de José Padilha

O diretor Paul Verhoeven dirigiu importantes clássicos do final dos anos 80 e início dos 90, e parece que agora Hollywood resolveu revisitá-lo. Depois de um desastroso remake de “O Vingador do Futuro” chega a vez de seu primeiro grande clássico, “Robocop – O Policial do Futuro” , receber novo tratamento. Podemos esperar um novo “Instinto Selvagem” em breve também? “Showgirls” com certeza não…

Verdade seja dita: Verhoeven tem talento, mas não é um diretor marcante. Fez três clássicos indiscutíveis, mas depois sumiu. Sua carreira está em coma desde 2006 e seu último blockbuster “O Homem Sem Sombra” foi absurdamente esquecível. E eu sou um grande fã de “Tropas Estrelares”, mas este também não é nenhum clássico. Ou seja, ele soube dirigir três grandes filmes, mas parou de se esforçar. Portanto entendo certo receio que admiradores tenham de ver seu trabalho ser remexido, mas não é como se estivessem se metendo com o currículo do Hitchcock. E olha que até isso Hollywood já tentou!

O “Robocop” original era um bom e divertido filme de ação. Tinha um incrível trabalho de figurino e maquiagem (até para padrões atuais) e o diferencial de ser uma boa sátira ao corporativismo norte-americano; um tema bastante oitentista, mas que não perdeu seu valor crítico. Envelheceu como um bom vinho, portanto pode-se dizer que “Robocop” não precisava ser refilmado. Mas foi, oh céus, e entre mortos e feridos salvaram-se todos. O remake “RoboCop” é um bom filme de ação que perdeu a sátira, mas ganhou dramaticidade. Pois é, a ideia estúpida de um “policial robô” tratada com maturidade! Isso não acontecia nos anos 80.

O detetive Alex Murphy estava investigando um criminoso quando sofre um atentado e quase morre. A empresa OmniCorp aproveita o acidente para colocar Murphy (com consentimento de sua esposa) em um corpo artificial, na tentativa de ganhar simpatia do público norte-americano que não vê com bons olhos um policiamento robótico. Os Estados Unidos estão com drones por todo o planeta, menos no seu próprio território, portanto cabe aos marketeiros da OmniCorp – com apoio da mídia extremista de direita – vender um policial robô para um país “robofóbico”.

RoboCop preto ou cinza? Voto no cinza.

Diferentemente do original, onde o lado humano do RoboCop ficava em segundo plano perante a história principal, aqui o assunto cresce. O roteiro questiona conceitos morais básicos, como o livre arbítrio em um humano controlado via software. Ou o fato da pessoa dentro da máquina ser vista com um mero hardware que possa ser vendido para as massas. É interessante ver esse tipo de esforço nos diálogos, já que o primeiro “Robocop” ficava muito preso no humor. Aqui a trama é mais profunda. Mas não tão profunda assim! Você irá pensar a respeito, mas não irá discutir. Os assuntos são ditos – quase que narrados – e não dão margem para interpretação.

O filme é dirigido por José Padilha, dos brasileiros “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2”. Muita gente irá ver “RoboCop” como um “Tropa de Elite Robô”, por conta dos temas políticos e das cenas com um apresentador falastrão digno de Cidade Alerta. Mas o resultado final, se bastante competente, é genérico. “RoboCop” foi dirigido por Padilha, mas poderia ter sido dirigido por qualquer um. Tem boas cenas de ação (e uma horrível, em que o herói luta no escuro), mas não vai além do funcional. Se o primeiro “Robocop” era um criativo trabalho, esse aqui não marca tanto. E provavelmente não será lembrado daqui a 20 anos.

O elenco tem Joel Kinnaman (ótimo), Gary Oldman, Abbie Cornish, Michael Keaton e Jackie Earle Haley. E Samuel L. Jackson completamente deslocado como o apresentador conservador.

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