Review: “Godzilla” de Gareth Edwards

Godzilla surgiu pela primeira vez no cinema japonês em 1954 em um filme que levava seu nome e chegou ao ocidente propagandeado como “o rei dos monstros”. O rótulo pegou e geralmente quando se pensa em cinema de monstro, volta-se ao lagarto gigante mais famoso do planeta. A produção original, de Ishirô Honda, era um filme sombrio, depressivo, sobre a tragédia causada pela energia nuclear. Um tema apto para o Japão pós-Hiroshima. Portanto não estamos falando apenas de “rei dos monstros”, Godzilla significa mais que isso.

Na história deste novo lançamento (mais reboot do que remake) descobrimos que em 1954 Godzilla fez sua primeira aparição, mas voltou a dormir desde então. Pulamos para 1999 e algo acordou das profundezas da Terra e foi para uma usina nuclear no Japão atrás de alimento. Essa coisa foi presa por uma entidade que já vigiava Godzilla desde os anos 50, mas quinze anos se passaram e o monstrengo MUTO resolveu sair do casulo e chamar por ajuda. Adivinha quem ouviu?

Gojira, o nome original em japonês de Godzilla, é uma amálgama das palavras “baleia” e “gorila”. Ou seja, de deus ele não tem nada! Nosso lagartão é um animal mesmo, uma força da natureza, retirada das profundezas após a humanidade resolver brincar com a energia nuclear. Godzilla (ou MUTO) não estão aqui para nos destruir, querem apenas sobreviver. Mas eles são um tanto quanto grandalhões, então cada passeio é catástrofe certa… De terremotos a tsunamis, passando inclusive por desastres nucleares, nunca estamos preparados para receber a fúria da natureza. Quando ela chega, viramos formigas perante uma força muito maior.

“Godzilla” é dirigido por Gareth Edwards, cujo único filme anterior é um tal de “Monstros”, mas não se engane pelo currículo minguado, pois ele sabe o que está fazendo! Ignorando o fiasco que fui a “lagartixa hermafrodita” de Rolland Emmerich em 1998, Edwards soube pegar o melhor que seu antecessor sabe fazer: o desastre. Emmerich é famoso no cinema catástrofe, sabe brincar com tragédias como uma criança. Edwards usa Godzilla a seu favor sempre, introduzindo a ameaça de forma misterioso e calculada (um toque de Spielberg aí), ao invés de sair jogando tudo na tela já no primeiro ato. Verdade que, para um filme chamado “Godzilla”, o tal do monstro titular fica tímido. Mas no clímax o diretor lhe levará ao delírio, com uma bela dose do melhor que um rei tem para oferecer aos seus súditos.

E o filme é todo dele. A estrela, o redentor, o herói. Godzilla enfrenta MUTO e você torce para ele, mesmo que cada soco signifique um prédio sendo destruído em San Francisco. Bem, são monstros gigantes, o que você esperava? Duelos no deserto? A humanidade, perante esse espetáculo, é mera simbologia da nossa fragilidade. Estamos lá para tentar sobreviver, não para derrotá-los! “Deixe-os brigar”, diz um dos personagens da história, pois nós só podemos assistir mesmo. Tem uma força muito mais poderosa que manda nesse planeta e não é Deus, mas um grandioso animal.

O elenco é formado por Aaron Taylor-Johnson (o Kick-Ass), Bryan Cranston (o Heisenberg), Elizabeth Olsen (que não é gêmea), Ken Watanabe, Sally Hawkins, David Strahairn e uma ponta de Juliette Binoche. É um elenco de filme de Woody Allen, convenhamos, o que dá pedrigree a história dos personagens humanos. Claro, estamos aqui para ver Gojira, mas se o diretor resolveu fazer suspense para utilizá-lo certeiramente nos momentos certo, é bom que a história humana tenha algo interessante para acompanhar, né? Todo o elenco está muito bem, apesar de Hawkins ser um pouco subutilizada…

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