Review: “Bravely Default” para 3DS

A Square Enix hoje é uma fusão de duas das maiores produtoras de RPG para videogames dos anos 80. Na época em que o gênero era praticamente uma exclusividade japonesa, a Square alçou seu nome ao sucesso com “Final Fantasy” e a Enix com “Dragon Quest”. Uma união entre as criadoras das duas mais icônicas franquias da mídia em 2003 não trouxe os frutos que muitos esperavam dez anos depois. “Dragon Quest X” não conseguiu brilhar no universo online e “Final Fantasy XIII” não agradou ninguém são – assim a gigante japonesa acabou perdendo espaço em seu próprio território para séries ocidentais como The Elders Scrolls e Mass Effect.

Eis que surge “Bravely Default”, um RPG tradicional que volta aos moldes da era de ouro dos RPGs. Como dizem por aí, um Final Fantasy melhor do que Final Fantasy.

O sucesso é uma receita simples que muitas vezes as produtoras de videogames esquecem de seguir: queira fazer um bom jogo e o faça um bom jogo! Enquanto muitas séries cultuadas perdem seu foco e acabam virando um bacanal de ideias (a trilogia Final Fantasy XIII é o melhor exemplo imaginável) para agradar a todos os públicos, “Bravely Default” é um RPG para saudosistas do estilo como ele fez sucesso durante os anos 90. Fãs do Super Nintendo ou PlayStation 1 vão se sentir em casa.

A história começa com o que aparenta ser um remake de “Final Fantasy III”: um grupo de quatro amigos se reúne para salvar uns cristais mágicos na terra de Luxendarc. E… É isso! A história começa, você controla os personagens e vai salvando cristais por aí! Sem complicações ou prólogos lentos, “Bravely Default” vai direto ao ponto introduzindo o básico e liberando o jogador para o que interessa.

Nenhum dos quatro personagens do jogo tem uma função única. Um simples e variado sistema de profissões permite a você escolher o que cada um pode ser, a hora que quiser. Todos começam como freelances (o que equivalente a um job genérico) e conforme você encontra asteriscos pela aventura, derrotando inimigos específicos, você adquire novas opções. Como os clássicos black mage e white mage, além de funções básicas como guerreiro, ladrão, ninja e inusitadas como comerciante ou cantor. Cada job tem habilidades específicas – que funcionam iguais em todos os personagens – e vão evoluindo de acordo com o quanto você as usa nas batalhas.

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Esse sistema é simples, mas elaborado. Cada habilidade especial funciona da mesma forma, mas se você não usar o equipamento certo ela pode ser menos útil. Seu personagem pode estar avançado como white mage, mas sua magia ficará fraca se você mudar sua profissão para ninja e deixar as habilidades de cura como secundárias. “Bravely Default” exige um pouco de tentativa e erro para perceber qual a melhor técnica para cada situação. Isso fica ainda mais evidente nos chefes, que são bastante difíceis. É recomendado sempre avançar bastante de nível nas dungeons, não só para ganhar experiência aos personagens como também para evoluir seus jobs.

Fora isso, o resto do jogo segue um padrão simples. As batalhas, que estão intimamente ligadas às funções de cada job, não têm grandes mistérios. Os chefes são os únicos momentos de alto desafio, mas nada que um pouco de grind (evoluir de nível através de batalhas contra inimigos mais fracos) não ajude. As dungeons são variadas, assim como seus monstros e segredos. “Bravely Default” conseguirá manter sua atenção, mas se por acaso você ficar entediado dos duelos – algo comum em RPGs do estilo – o jogo lhe dá a opção de colocar as batalhas no automático ou mesmo desligá-las. Claro, você não poderá ganhar pontos de experiência, mas isso ajuda bastante quando você quer apenas explorar sem se preocupar com duelos aleatórios. É uma opção muito bem-vinda.

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Além disso, o padrão do jogo segue o tradicional. A cada nova cidade, um novo objetivo principal e algumas missões secundárias. Novos itens, magias para comprar, por aí… “Bravely Default” é feito para fãs de uma época em que RPGs eram mais simples e focados nas estratégias das batalhas, portanto também pode ser recomendo para iniciantes. Não há mistério nem grandes complicações. Quem quiser se esforçar na evolução dos personagens, de suas habilidades e golpes especiais, tem essa opção. Quem estiver sem paciência para isso poderá avançar de forma relativamente tranquila. A opção para se descobrir as complexidades está lá, basta querer. Mas o jogo não fica preso aos seus avanços, pelo contrário.

“Bravely Default”, portanto, acaba por ter um título bastante apropriado. Quase poético! Apesar de o nome ir de encontro com funções do sistema de batalha (“brave” e “default” são duas ferramentas úteis), dá para ir além. “Bravamente padrão” seria uma tradução literal que para mim mostra que a Square Enix teve que arriscar em voltar ao tradicional. Ao invés de fazer um novo RPG blockbuster espetacular e cheio de clichês atuais, arriscou em algo mais simples e old-school. Pode parecer um caminho óbvio, mas não o é – não mais em uma indústria onde jogos simples estão praticamente relegados ao esforço de produtoras indies. Se você tem um 3DS e é fã dos Final Fantasy da época que a Square tinha como padrão a qualidade, não perca este bravo exemplar moderno.

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