Review: “Malévola” de Richard Stromberg

Malévola é a vilã do clássico “A Bela Adormecida” de 1959, uma animação que acabou se tornando muito mais memorável pela antagonista chifruda do que a princesa sonolenta ou príncipe heroico. Só para deixar claro, nunca assisti ao original, mas posso dizer que reconheço Malévola melhor do que qualquer outro personagem da história! Ao contrário da Cinderela ou da Branca de Neve, quantas pessoas sabem o nome da tal bela adormecida? Pois é…

“Malévola” reverte os papéis. Poderia muito bem ser confundido com uma história de origem, mostrando por que Malévola é má, mas não é esse o caso. Eis um conto de fadas exatamente como o original: leve, colorido e com uma lição de moral. Mas, ao invés de acompanharmos a tragédia de Aurora (a adormecida), acompanhamos uma fada com chifres.

Tudo começa com um apropriado “era uma vez…” contando a respeito de dois reinos – um humano e outro encantado. Malévola era uma fada boazinha que tinha um nome que não combinava muito com seu jeito benevolente. Aí um dia ela conhece um rapaz, eles viram amigos e se apaixonam. Stefan tem a oportunidade de ser rei, mas para isso precisa matar sua namorada. Resolve arrancar suas asas, o que acaba não lhe trazendo ótimos resultados. Sim, ele sobe ao trono, mas ganha uma inimiga bastante rancorosa. Malévola quer se vingar e acaba descontando na princesa bebê, que ganha uma maldição que você já sabe no que dá.

“Malévola” ainda é um conto de fadas. Só que um pouco mais moderno… Aurora será salva e o reino vai viver em paz. E um dragão aparece no final! Mas de resto é tudo bastante diferente. A única referência direta ao filme original seria a cena em que Malévola lança sua maldição (veja abaixo para depois comparar), mas a partir daí tudo segue um rumo diferente. Por algum motivo a fada resolve acompanhar o crescimento de Aurora, que acaba confundindo ela – com certa razão – como sua fada madrinha! E o príncipe nessa história toda? Ele até aparece, mas é um inútil. Não serve nem para cavalgar ao resgate da princesa, é carregado por Malévola ao castelo. Que coisa…

Mesmo que Malévola seja uma vilã querida, a história quer mostrar um “o que seria” caso ela fosse na verdade boa. E o resultado reverte o padrão da mocinha sendo salva pelo valente cavaleiro, um conceito que hoje em dia é mais digno de piada do que de exemplo. Não é essa história que será contada. Pois em “Malévola” a heroína tem chifres e uma dose de recalque. E no final até abandona seu vestido para uma calça! Eis um conto feminista, mostrando um outro lado de uma história famosa e bastante batida.

O conceito é ótimo e deveria funcionar melhor. O problema de “Malévola” é de não arriscar em ir além. Malévola ser boa não é um problema, mas faltam cenas dela sendo má. Um pouquinho de cruel empoderamento, por que não? Inverter papéis é legal, mas faltou ao diretor se divertir um pouco mais em cima da ideia. Robert Stromberg está estrando na direção e não demonstra confiança o suficiente no material. Ele já ganhou dois Oscar, como diretor de arte de “Avatar” e “Alice no País das Maravilhas”. Isso aparece na tela, pois “Malévola” tem alguns enquadramentos muito belos mesmos!

Vivienne Jolie-Pitt atuando com a mãe. Gente, e a meritocracia? Poxa…

Mas a estrela, claro, é Angelina Jolie. A atriz é carismática, mesmo quando não é esforçada. Boa parte do filme ela faz o que pode e quando tem algo além a fazer ela é incrível! Mas o diretor não lhe pede tanto assim… Jolie parece ter se divertido no papel em duas ou três cenas, no resto ela segue no automático. Nem essas poucas oportunidades teve o resto do elenco, que inclui a sorridente Elle Fanning, o rei vilão Sharlto Copley, o corvo fiel Sam Riley e o príncipe adormecido Brenton Thwaites. Todos estão lá basicamente para servir Jolie. No que diz respeito a protagonizar o filme ela faz com louvor. Mas o papel não lhe dá tantas chances assim de arrasar como ela poderia.

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