Review: “O Espelho” de Mike Flanagan

Um dos clichês favoritos para os diretores do cinema de terror (principalmente os mais preguiçosos) é o do espelho. Quando o personagem olha para ele, não tem nada, aí se movimenta um pouco, permitindo um jogo de câmera, e BAM agora tem algo no espelho para assustar o espectador! É batido, mas tão batido, que quando aparece um espelho em cena você já sabe o que vai acontecer antes mesmo do personagem olhar para ele… O que esperar de um filme chamado “O Espelho” em que a principal ameaça só tem o poder desse clichê? Pois prepare-se para se surpreender!

Os irmãos Kaylie e Tim passaram por uma experiência traumatizante na infância, quando o garoto teve que matar o próprio pai para evitar que sua irmã fosse assassinada por ele, como aconteceu com sua mãe. Ele passou a década seguinte em uma instituição psiquiátrica e agora está pronto para seguir com sua vida, mas Kaylie ainda tem contas a acertar com o passado. Ela tem certeza que um espelho da casa é o responsável pelos assassinatos na família e quer provar isso através de uma experiência que colocará os dois, novamente, na cena do crime – e confrontando o passado difícil deles.

“O Espelho” pode ter um espelho como vilão, mas ele não faz nada. Afinal é um objeto inanimado! O que acontece na casa segue o perfil do clichê: está lá, não está lá, está lá? Toda a narrativa do filme brinca com a percepção do espectador, subvertendo o clichê de uma forma surpreendentemente inteligente. O título original, “Oculus”, vem do latim para olho. Então a brincadeira é sobre isso: o que você está vendo? Aliado a uma edição muito boa, que conta duas histórias paralelamente, “O Espelho” prende sua atenção e seu suspense de forma magnífica.

O efeito perde-se próximo ao final. Chega um momento que o conceito se esvai já que você, como espectador, percebe que a regra do jogo é não ter regras. Seria essa cena real ou imaginação dos personagens? Na dúvida, tanto faz. Como o filme é pouco assustador, a ameaça não lhe afeta. Ainda assim o resultado é competente e vale uma investida, principalmente para fãs de cinema que gostam de produções que brincam com a própria linguagem. A direção é de Mike Flanagan, a partir de um roteiro e história escritos por ele, que também sabe aproveitar o tema para uma análise psicológica.

Afinal é uma história de dois irmãos, interpretados pela eloquente Karen Gillan (não se assuste com o adjetivo, ela fala bastante mesmo) e pelo assustado Brenton Thwaites e sua constante expressão de cachorro abandonado. Os dois cumprem seu papel, ela de ser a personagem que explica a proposta do jogo e acha que sabe o que está fazendo; ele da potencial vítima que não deveria estar passando por aquilo novamente. Nesse jogo de ativo e passivo tão bem caracterizado, os personagens também brincam com suas expectativas.

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