Review: “Planeta dos Macacos: O Confronto” de Matt Reeves

A série Planeta dos Macacos começou lá em 1968, no clássico estrelado por Charlton Henton que tornou lendária a reviravolta final. Era uma história absurda (convenhamos), mas aquele último momento amarrou tudo que precisávamos saber sobre a existência de um planeta dominado dos macacos. Décadas depois tivemos “Planeta dos Macacos: A Origem”, que servia de reboot para uma nova série com o mesmo conceito, mostrando como macacos se tornaram inteligentes. Segue-se então com este “Planeta dos Macacos: O Confronto”, que ainda não chegou no ponto do primeiro filme, mas está quase lá.

Como vimos na esperta cena de créditos do filme anterior, a humanidade foi afetada por uma epidemia de um vírus mortal, causando a Gripe Símia. Nossa civilização foi quase extinta, sendo continuada apenas por alguns grupos de sobreviventes que tem imunidade natural à praga. E os macacos, liderados por César, continuam na floresta para onde eles fugiram de San Francisco no clímax.

“O Confronto” começa em paz, com macacos vivendo como macacos na floresta. Sim, eles falam um pouco, conversam por linguagem de sinais, caçam com lanças e tem até escolinhas. Mas são macacos, longe de formarem uma civilização completa como vista do filme de 68. Já os humanos estão na pior, vivendo sem energia em um prédio que acabou tornando-se uma favela vertical. Um grupo acha que tem chances de fazer uma usina hidrelétrica local funcionar, até descobrirem que os macacos estão vivendo perto da represa.

Surge então o tal do confronto, pois os dois lados não confiam no outro. César sabe que humanos podem ser bons, mas seu colega Koba não acredita nisso após passar sua vida como cobaia de laboratório – escolha inteligente dos roteiristas em desenvolver um personagem menor do filme anterior, dando uma boa continuidade à história. Já o nosso mocinho humano, Malcom, quer arriscar uma interação com os macacos, pois não os vê como animais irracionais (que eles de fato não são), diferente de seu colega Dreyfus que é um pouco mais direto ao ponto e não quer saber de “conversar com bicho”. Ou seja, os dois lados da moeda tem dois lados da própria moeda! César e Malcolm acham que a paz é possível, mas Koba e Dreyfus não acreditam nisso. Os quatro personagens são muito bem exercitados, sem maniqueísmos ou vilanias absolutas. Todos tem sua chance de mostrar a que vieram e é incrível ver isso em um filme protagonizado por macacos digitais!

O forte é o roteiro de Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver (os dois últimos responsáveis também pelo filme anterior). A história é tensa, bem equilibrada, com boas situações e sem exageros. Os personagens funcionam, são trabalhados e demonstram grande humanidade – sim, até os macacos. A direção é de Matt Reeves, de “Cloverfield – Monstro” e “Deixe-me Entrar”, que soube filmar belos momentos tanto de ação quanto dramáticos. Ver um macaco cavalgando por uma cortina de fogo portando uma metralhadora é um espetáculo, mas também temos belas cenas emotivas quando o momento em que os humanos recuperam energia e ouvem música pela primeira vez em anos.

Com uma boa história e direção, não tem como não recomendar “Planeta dos Macacos: O Confronto”. Mas grande mérito precisa ser dado ao elenco, principalmente o de atores interpretando macacos. Andy Serkis, como César, tem nova chance de mostrar seu incrível talento com motion capture. Toby Kebell é um ótimo Koba, de maneirismos ameaçadores. Judy Greer e Nick Thurston atuam como a família de César – quase não falam, mas estão lá com olhares marcantes. Do lado dos humanos temos o ótimo Jason Clarke e o sempre ótimo Gary Oldman, mostrando que não é só macaco que atua nesse filme – né, James Franco? Keri Russell e Kodi Smit-McPhee completam o elenco como a família de Malcolm.

Os dois elencos atuando juntos.

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