Review: “300: A Ascenção do Império” de Noam Murro

O primeiro “300” de 2006 foi um grande sucesso de público que se tornou fenômeno pop, transformou Gerard Butler em astro (por alguns anos, ao menos) e Zack Snyder em promessa de grande diretor visual. E, claro, fez de “This is Sparta!” um meme antes do termo sequer existir. Pessoalmente eu achei o filme bobo, mesmo que entendesse seu apelo. Era um belo épico de ação desenfreada. Mas não me encantou, portanto a sua inevitável – e atrasada – sequência não era algo que me criava expectativas.

“300: A Ascenção do Império” começa ao final de “300”, mostrando o Rei Leônidas morto. Aí volta para o passado precedendo a história original, contando o começo da guerra entre Pérsia e Grécia e a origem do vilão Xerxes. Durante boa parte deste novo episódio acompanhamos uma história paralela, mostrando o ateniense Temístocles lutar contra a Artemísia pelo mar, enquanto Leônidas e seus trezentos espartanos enfrentam Xerxes por terra. Somente no clímax a narrativa volta ao presente, com uma batalha que se passa após o desfecho do filme anterior.

O único diferencial de “300” para todos os outros inúmeros épicos históricos estava no visual. Era um filme que pegava sua inspiração dos quadrinhos de Frank Miller e criava uma estética bastante impressionante. Ao menos para a época, antes de ser imitado a exaustão. Oito anos depois não foram o suficiente para “A Ascenção do Império” tentar algo diferente, fora uma paleta de cores mais sombria – o azul é muito mais presente do que o sépia de antes. Fora isso, temos a mesma overdose de sangue, slow motion e tracking shots, muitas vezes os três elementos misturados ao mesmo tempo. Se você não se encantou com o estilo em 2006, não vai ser agora em 2014 que vão lhe convencer, né?

A estrela do filme é ela.

O filme é dirigido por Noam Murro, aqui apenas emulando o papel de Snyder, já que este ficou sentado na cadeira de produtor. Não dá para negar que ele imprimiu um estilo esteticamente belo em seu trabalho, mas a meu ver não foi bem por conta de uma criação sua – novamente, ele está apenas reproduzindo o que alguém fez antes. A história também é bem menos interessante que a do filme original, apesar de ser narrada paralelamente. Simplesmente não há nenhum momento marcante ou emocionante. Fora uma presença maior de personagens femininas, “A Ascenção do Império” acaba sendo apenas um “300” sem carisma.

O elenco é protagonizado por Sullivan Stapleton como o não-Rei Leônidas. Gerard Butler pode não ter nascido para ser astro, mas convenceu em “300”. Stapleton não faz nem isso; simplesmente aparece, não encena. Muito melhor se sai Eva Green, a vilã com a qual você irá se simpatizar muito mais do que com o herói. Não que o papel de Artemísia a coloque para demonstrar seu talento como atriz, mas a coloca para demonstrar seu carisma – que ela tem de sobra! Voltando do “300” anterior temos Lena Headey como a Rainha Gorgo e Rodrigo Santoro como Xerxes. Ambos fazendo praticamente tão pouco quanto antes.

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