Review: “No Limite do Amanhã” de Doug Liman

“No Limite do Amanhã” é um sci-fi de conceito simples, mas bastante inusitado, que sabe aproveitar seu diferencial para narrar uma história competente. Às vezes os grandes blockbusters de ação preferem contar uma complexa história, muitas vezes jogando a lógica no lixo, e acabam perdendo o fio da meada. Aqui é um exemplo de como uma criação simples consegue superar uma receita complicada. Afinal de contas, às vezes nada melhor do que um bom bolo de chocolate, né?

A história começa com uma invasão alienígena na Europa. Boa parte do continente é conquistado e um major dos EUA é enviado para o front da batalha na Inglaterra – contra o seu desejo se apenas continuar sendo uma espécie de “relações públicas” do exército. Eis que durante um conflito que ecoa a batalha do Dia D, na Normandia, uma coincidência acontece (mais tarde explicada pelo filme, mas evitarei spoilers) e faz com que nosso herói William Cage fique preso no tempo, obrigado a reviver aquele dia.

O conceito é simples e funciona. Uma espécie de “Feitiço do Tempo” de invasão alienígena com mechs. Tinha tudo para dar errado, né? A ideia é bem executada pelo o roteiro (de Christopher McQuarrie) que sabe aproveitá-la. Enquanto Cage está preso no mesmo dia, ele passa a ficar um melhor combatente de guerra. E desenvolve uma relação com a heroína Rita Vrataski, a única que entende o que está acontecendo com ele (por motivos que, também, o filme explica depois). O relacionamento dos dois é desenvolvido muito bem, apesar da evidente limitação cronológica.

O mais interessante de “No Limite no Amanhã”, a meu ver, é como o filme consegue manter o clima de perigo em uma história cujo protagonista não morre. Estamos acostumados a heróis praticamente invencíveis, do Superman ao James Bond, mas aqui ele de fato não morre jamais! Porém o conflito é bem administrado em suas inúmeras reviravoltas e edição esperta que faz o morrer de Cage virar mundano – quando não uma piada mesmo. Quando chegamos ao clímax, a certeza de que tudo pode dar errado é muito mais forte exatamente por causa do tratamento dado a esse conceito durante toda a história.

Um belo dia para passear no campo com armaduras militares!

A direção é do competente Doug Liman, de “A Identidade Bourne” (meu episódio favorito da série estrelada por Matt Damon) e “Sr. & Sra. Smith”. As cenas de ação são muito boas, como é de se esperar de Liman. O diferencial está em sua capacidade de administrar a inovação sci-fi com o desenvolvimento dos personagens. Cage e Rita formam um casal interessante de se acompanhar, algo que faz toda a diferença na história. Afinal eles morrem a cada 5 minutos, né?

O elenco é encabeçado por Tom Cruise, que eu acho que você sabe quem é. Cruise tem seus altos e baixos, aqui está em um alto. Mostra seu carisma, convence no personagem e é competente nas sequências de ação. A forma como ele evoluiu de major medroso para soldado invencível é muito bem feita. Ao seu lado está Emily Blunt, geralmente sempre muito fofa em comédias e dramas, aqui bastante durona como heroína mais heroica que o próprio protagonista. É ela quem ensina Cage a lutar e enfrentar os inimigos, o que é uma saudável inversão de papéis. E Blunt arrasa como mocinha de ação, quem diria!

Bill Paxton, Brendan Gleeson, Noah Taylor, Charlotte Riley e Jonas Armstrong completam o elenco secundário. “No Limite do Amanhã” é uma adaptação do mangá “All You Need Is Kill”.

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