Review: “O Hobbit: A Desolação de Smaug”, Edição Estendida

Apesar de a segunda parte da trilogia O Hobbit, “A Desolação de Smaug”, ter sido um filme mais breve em relação aos outros episódios da Terra Média nos cinemas, o diretor Peter Jackson resolveu aumentá-lo para o padrão da franquia. A produção recebeu uma versão estendida que adiciona 25 minutos, totalizando uma nova projeção acima de 3 horas de duração. Como alguém que já achou a versão cinematográfica enrolada o suficiente – leia aqui meu review original – não assisti este nove corte com grandes expectativas. Porém o saldo é relativamente positivo e mostra uma evolução em relação ao mostrado em “Uma Jornada Inesperada”.

A primeira alteração acontece logo no prólogo, durante a conversa entre Gandalf e Thorin em Bree, onde é revelado um pouco da história de Thráin, pai do anão, e também é citado a respeito do anel do poder que ele recebeu (conforme mostrado no prólogo de “A Sociedade do Anel”). É uma informação interessante, mas que poderia ser cito incluída em qualquer outro diálogo, não serve de nada para além de atrasar o início já lento… Se a necessidade desta cena me aparentou fraca no cinema, na versão estendida ela não melhorou muito.

A segunda adição é muito mais interessante! Envolve o personagem Beorn, muito marcante no livro “O Hobbit”, mas que teve pouco destaque no cinema. Um dos melhores momentos do livro, em que Gandalf convence Beorn a receber anões em sua casa, dois de cada vez, está presente aqui. É uma cena apenas para introduzir um pouco de humor na história, o que é bem-vindo sempre. Depois temos outro diálogo entre Gandalf e Beorn a respeito do Necromante e também uma citação aos Nazgûl que somente darão as caras na trilogia O Senhor dos Anéis. É uma adição válida, pois expande mais o universo ao redor da jornada dos anões, além de estabelecer melhor a necessidade de Gandalf ir para Dol Guldur.

A sequência durante a Floresta das Trevas ganhou alguns momentos novos aqui e acolá, mas nada de significativo. Para os fãs do livro é bom ver mais deste capítulo, mas em termos de história nada é acrescentado. Já todo o pedaço envolvendo os personagens no Reino dos Elfos não teve nenhuma novidade, assim como a cena de fuga pelo rio. E fora um breve diálogo entre Gandalf e Radagast a respeito de Sauron, a passagem dos magos pela tumba dos nove reis pouco mudou.

Quando os anões chegam à Cidade do Lago temos uma nova cena envolvendo o prefeito e seu assistente conversando sobre legislação. Não é uma cena muito interessante e apenas serve para introduzir melhor um personagem que, francamente, não faz diferença alguma na história do filme. O prefeito recebe umas duas novas cenas de diálogo, que adicionam um pouco de “humor político” digamos assim, e convenhamos que mais Stephen Fry nunca é um problema, mas tudo me parece enrolação em um pedaço já deveras enrolado no filme original.

A chegada dos anões a titular desolação de Smaug ganhou um breve momento entre Bilbo e um passarinho (provavelmente algo para enfatizar o efeito 3D, do jeito que a cena é enquadrada). A partir daí, a jornada do grupo de protagonistas não tem nenhuma adição. Nem mesmo durante o encontro com Smaug, que manteve-se idêntico. A cena já era incrível mesmo, então talvez o Peter Jackson tenho dado aos fãs do dragão tudo que pode.

A maior alteração na trama em relação ao filme original se dá na jornada de Gandalf por Dol Guldur. Lá ele encontra Thráin, conforme introduzido no prólogo, vivo e louco. Os dois conversam um pouco e o ator Michael Mizrahi faz uma bela adição. Mas não dura muito, o que é uma pena, o que torna sua inclusão irrelevante – apesar de muito interessante. É também mencionado o sumiço do anel do poder de Thráin (o último dos anéis, fora o Um Anel, a existir), mas isso é deixado de lado. Provavelmente a ser tratado somente na conclusão da trilogia. De qualquer forma, a sequência cresce expondo novas informações aos espectadores.

Como disse antes, esta versão estendida melhora o filme. Sim, “A Desolação de Smaug” continua um épico cheio de tramas paralelas que perde um tanto do seu foco (Bilbo e Smaug), só que agora com um quarto de hora a mais. Mas se é para perder tempo com os enredos forçados, que ao menos eles sejam melhor desenvolvidos? E é isso que acontece aqui. Fãs da Terra Média irão gostar das novas referências, principalmente. Para os indecisos é um produto superior também, mesmo que – infelizmente – ainda não seja o suficiente para elevar ao padrão da trilogia O Senhor dos Anéis.

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Uma resposta para Review: “O Hobbit: A Desolação de Smaug”, Edição Estendida

  1. Thiago Macieira disse:

    Pelo menos sua crítica foi muito, boa, expondo sua opiniãode forma inteligente e mantendo o respeito à obra, ao mesmo tempo para com os fãs. Parabéns pela sua crítica.

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