Review: “Guardiões da Galáxia” de James Gunn

Primeiro filme do estúdio Marvel que não está atrelado a algum personagem icônico de HQs, “Guardiões da Galáxia” tem a vantagem de parecer ser algo novo, mesmo que não seja! O grupo de heróis intergalácticos é inspirado em uma série da gigante dos quadrinhos, além da produção trazer óbvias referências ao clássico-mór “Guerra nas Estrelas” de 1977. Portanto é um filme livre da obrigação de ser uma “marca”, mas com a dificuldade de às vezes não parecer se esforçar em tentar ser uma.

A história começa com Peter Quill no espaço (na verdade tem um prólogo na Terra, mas deixa para lá) explorando algum planeta qualquer aí. Ele encontra uma esfera que estava procurando para vender no mercado negro, só que outros também estão atrás desse artefato. A alienígena verde Gamora é ajudante do malvado Ronan, e também tem uma ligação com o poderosíssimo Thanos, e quer se apossar do objeto. Aparece a dupla de caçadores Rocket e Groot, que querem a recompensa por Quill, e todos se enfrentam em plena luz do dia em uma praça qualquer da capital plágio de Coruscant. Todos são presos e resolvem se unir para fugir do local e tentar vender a tal esfera misteriosa.

Por mais incrível que pareça, a história é basicamente essa. Quer dizer, novos eventos acontecem, óbvio! Mas o conflito central gira todo em torno de um grupo de desconhecidos se unirem para pegar uma esfera – que já está em posse deles desde o começo, diga-se de passagem. A trama de “Guardiões da Galáxia” é tão simples que poderia se passar por um jogo do Super Mario. Os heróis simplesmente andam por aí, atrás de um objetivo imediato, e seguem suas ações de acordo com a conveniência do momento. Apesar da ameaça de Ronan se apossar da esfera ser bem explicada, nunca parece que nada está em risco. Os heróis querem salvar a galáxia, mas a sensação de urgência é nula.

O que é uma pena, pois a matriz para desenvolver uma divertidíssimo filme de aventura está lá. E, no final das contas, “Guardiões da Galáxia” é uma aventura divertida! Tem belos visuais, personagens cativantes, momentos de humor, de ação, de emoção… Tem todo o pacote, o que é um ponto positivo significativo. Mas é boçalmente simplista a ponto de parecer um episódio de desenho dos Super Amigos prologando por 120 minutos. Por causa de um roteiro muito bobo, a história nunca empolga. Os personagens se esforçam (todos muito carismáticos) e isso salva o filme de ser um tédio. Só que o resultado final é tão mediano que fica difícil destacar um motivo para elevar essa produção acima do querido “Homem de Ferro” ou, principalmente, “Os Vingadores”.

E tendo em vista que a Marvel finalmente havia arriscado com “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”, que tinha uma boa história pontuada por um roteiro decente, “Guardiões da Galáxia” parece um severo salto para trás. Um salto estiloso, sem dúvida, mas para trás! O diretor James Gunn brinca e parece se divertir, mas nunca se solta. O filme parece estar se esforçando em não se esforçar. E tentar ser um Star Wars moderninho pode ter sido uma solução esperta, mas Star Wars a gente já tem (uns seis) e “Guardiões da Galáxia” teria se dado melhor tentando ser algo mais interessante.

O que dizer de um filme cujo destaque é uma árvore?

Não culpo o elenco por minha frustração. Chris Pratt como Han Solo, quer dizer, Peter “Starlord” Quill, é um protagonista natural. Esse é o mesmo garoto que eu assisti em “Everwood” uns dez anos atrás?! Eita! Zoe Saldana, a alienígena azul Neytiri de “Avatar”, mudou de cor e atitude para ser a arrogante Gamora. Dave Bautista é o brucutu Drax. Os três se unem aos digitalizados Groot (uma árvore) e Rocket (um guaxinim) que são dublados por Vin Diesel e Bradley Cooper. Os dois são de longe os personagens mais interessantes, principalmente Groot, o que é louvável: ele só sabe falar “Eu sou Groot” e ainda assim é incrivelmente expressivo! O grupo inteiro funciona e irá lhe cativar a acompanhar a história, apesar dela não funcionar por si só.

No elenco secundário temos muitas estrelas em figurinos ridículos: Lee Pace (o rei elfo da trilogia O Hobbit) e Karen Gilan (“O Espelho”) estão irreconhecíveis com tanta maquiagem, mas a voz deles está inconfundível ainda assim. John C. Reily, Glenn Close e Benicio Del Toro também participam. “Guardiões da Galáxia” é um filme pipoca bastante preguiçoso, salvo por um elenco de personagens carismáticos impecavelmente interpretados, que nunca tem a oportunidade de decolar por que a história não lhes permite fazer nada além de estar presentes nela.

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