Review: “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos” de Peter Jackson

E chegamos ao final da jornada através da Terra Média! J. R. R. Tolkien criou seu mundo fantástico lá nos anos 1930, mas foi somente no nascer do século XXI que elfos, orcs e hobbits migraram de forma absoluta para o universo pop. A trilogia O Senhor dos Anéis terminou no auge, com seu último filme sendo o mais elogiado, o mais lucrativo e com 11 Oscars para enfeitar. Demorou em voltarmos a ver Gandalf (o único personagem constante nos seis filmes) e agora aqui estamos com “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”, o filme final de uma saga que durou 12 anos e fez muito nerd chorar por aí.

A história começa exatamente de onde parou em “A Desolação de Smaug”, com o dragão raivoso atacando a Cidade do Lago. Não temos flashback nenhum no prólogo, ignorando uma moda de todos os outros cinco filmes. “A Batalha dos Cinco Exércitos” tem a estranheza de começar com um clímax, já que o último episódio não teve direito a isso. O confronto final com Smaug é breve, o pobre dragãozinho mal fala umas ameaças antes de cair. Com a Montanha Solitária livre de sua presença, os anões voltam a sua terra natal. Só que elfos e humanos estão de olho no tesouro de Erebor, assim como orcs que querem conquistar a montanha para Sauron – que está sem o Um Anel, mas está bem vivo.

Repare na quantidade de informações em uma mera sinopse. São muitos personagens e muitos eventos, portanto se você não acompanhou a jornada até aqui nem adianta tentar! Até quem assistiu os dois primeiros Hobbit, mas ignorou O Senhor dos Anéis, poderá ficar perdido. Com a queda de Smaug vemos Gandalf e seus colegas superpoderosos enfrentarem Sauron em Dol Guldur – uma cena muito legal para os fãs, principalmente por mostrar Galadriel em ação, mas que não fará sentido algum se você não se importa com um vilão que é apenas uma silhueta. Vemos referências ao Rei de Angmar, Gondor é citada e até um tal de Passolargo é mencionado. Se você não conhece isso tudo ficará perdido no que diabos a história está narrando.

Pois mesmo que “A Batalha dos Cinco Exércitos” seja o filme mais simples e breve de toda a saga (140 minutos de duração é praticamente curta-metragem na Terra Média) e sua narrativa seja completamente focada em apenas uma única cena de ação, tudo existe para os fãs. É o último episódio, portanto referências e associações serão feitas sem o pudor de tentar explicar. Se você conhece, ficará satisfeito. O filme apresenta inúmeras despedidas e termina com um retorno aonde tudo começou – lá em 2001!!! Se você estava lá, no início da jornada, sentirá o peso do fim de uma estrada.

O que, no final das contas, transforma “A Batalha dos Cinco Exércitos” no melhor filme da trilogia O Hobbit com folga, por mostrar exatamente aquilo que a gente quer ver. Os outros dois episódios perdiam muito tempo com lenga-lenga e enrolações, esse aqui vai direto ao ponto: o coração dos fãs. Peter Jackson sabe muito bem o que está fazendo (mesmo que tenha perdido o gás da trilogia original) e ainda consegue surpreender com uma ou outra cena marcante. Ao final de tudo, a missão está cumprida. Se “A Batalha dos Cinco Exércitos” não repete a catarse emocional de “O Retorno do Rei”, é eficaz em dar um último adeus.

Mas e se você não se importa? Bem, se nenhum dos outros cinco filmes lhe conquistou, não é o último que fará diferença… Fãs de O Senhor dos Anéis irão ficar satisfeitos, mesmo aqueles decepcionados (como eu) com os dois primeiros O Hobbit. Faltou uma ou outra explicação melhor sobre certos eventos, como a relação entre Saruman e a descoberta de Sauron ou o que diabos acontece com Galadriel, Gollum, Radagast, Bard e todo esse pessoal que simplesmente são ignorados no capítulo final do filme.

No elenco temos Martin Freeman, Richard Armitrage (que tem muito mais para fazer aqui do que nos dois últimos juntos) e Ian McKellen como trio de protagonistas. Luke Evans, Evangeline Lilly e Lee Pace (excelente) voltam do filme anterior. Orlando Bloom também está presente como um Legolas que vira Super Mario de vez. Benedict Cumberbatch fala meia dúzia de palavras antes de sumir, assim como Cate Blanchett que tem um excelente momento para encerrar sua participação como Galadriel de forma louvável. E pensar que tudo começou na voz dela? “O mundo está mudado”. E nunca mais foi o mesmo desde que a gente ouviu isso pela primeira vez.

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