Review: “Garota Exemplar” de David Fincher

“Garota Exemplar” é um daqueles filmes absolutamente impossíveis de se discutir a respeito sem entrar em spoilers. Como o objetivo de uma resenha não é analisar o filme, apenas avalia-lo (recomendando ou não para o leitor), tentarei ser o mais objetivo e direto possível. Já que, em certos casos, é legal ir além da mera avaliação objetiva. Mas, de qualquer forma, vale à pena dizer logo de cara: é um daqueles raros filmes para se assistir às cegas mesmo.

A história começa com Nick Dunne acordando no aniversário de cinco anos de seu casamento, sai para dar uma volta, e quando retorna para sua casa não encontra sua mulher, Amy. Começa uma investigação policial para encontra-la, num tradicional caso daqueles que a gente vê na vida real que comove toda a mídia, a população, esse carnaval… Talvez no início da história você “resolva o caso” e “descubra o final”. Aí “Garota Exemplar” joga o final da história para o primeiro ato e muda completamente todo o rumo da história!

E como é por aí que entra o ponto central do filme… Como falar sobre ele sem falar sobre o que acontece além? Pois acredite, mesmo que dê para rotular “Garota Exemplar” como uma história de investigação de desaparecimento e seus desdobramentos, tudo vai muito além. É na verdade uma narrativa íntima, sobre personagens, sobre como eles reagem nessa situação. E também sobre casamento, o que significa essa “instituição social” e as consequências de certo tipos de relacionamentos. E, claro, manipulação midiática. O ponto do filme que beira a uma comédia, tão absurdas são certas “artimanhas” desenvolvidas.

Mas, novamente, não dá para esmiuçar esses temas sem contar exatamente o que acontece. E são esses temas que fazem o filme, que dão o rumo de toda a narrativa! O roteiro que Gillian Flynn desenvolveu (a partir de seu próprio best-seller) é genial e dificilmente você encontrará uma história que aborda tanta coisa de maneira tão surpreendente quanto essa aqui. Se você já leu o livro, sabe muito bem do que estou falando. Se você não leu… Prepare-se para se surpreender.

E que garota exemplar, hein? Putz…

A direção é do sempre competente David Fincher, que não faz um filme ruim desde os anos 90! Há quem não seja fã de seu “O Curioso Caso de Benjamin Button”, mas de qualquer forma, eis um diretor que na última década fez “Zodíaco”, “A Rede Social” e “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, então o currículo recente dele está ótimo. Sua direção aqui faz toda a diferença (tem seus traços, principalmente na fotografia), mas serei sincero em dizer que o mérito maior está no roteiro. Insisto: Gillian Flynn fez um trabalho impecável em narrar sua história! Fincher soube filmá-la muito bem, mas é o trabalho dela que irá lhe deixar fascinado.

O elenco conta com Ben Affleck (o próximo Batman, caso você esteja em Marte desde 2013) e Rosamund Pike (ex-Bond Girl, mas que fez um belo trabalho seguinte). Só para deixar claro, o filme é dela. Todinho dela! Affleck está competente, mas é ela que rouba todas as cenas. Coadjuvantes incluem Carrie Coon, Kim Dickens, Neil Patrick Harris e Tyler Perry

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