Review: “Invencível” de Angelina Jolie

Louis Zamperini foi um sobrevivente da 2ª Guerra Mundial que teve sua fascinante história contada no livro “Invencível – Uma História de Sobrevivência, Resistência e Redenção” de Laura Hilenbrand. Agora o best-seller ganhou uma adaptação cinematográfica nas mãos de Angelina Jolie, que não tem o cacife de um Clint Eastwood ou Steven Spielberg para contar uma história dessas. Mas consegue fugir do lugar comum, ao evitar cair no discurso autoajuda religioso…

Zamperini foi um atleta olímpico que ganhou medalha no atletismo nas Olimpíadas da Alemanha de 1936. Uns anos depois veio a tal guerra e ele foi servir como bombardeiro. Seu avião cai e, junto com outros dois companheiros, se torna um náufrago à deriva no Oceano Pacífico. Após mais de um mês passando por essa tortura, ele é resgatado… Pelo exército do Japão! Vira prisioneiro de guerra e mostra para a gente que, sim, um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Êta moço azarento!

A história, como já dito, é fascinante e se conta sozinha. A parte do atleta olímpico daria um filme por si só, mas aqui em “Invencível” ela é sumariamente ignorada, infelizmente. Suas cenas nas Olimpíadas se resumem a uma ou duas, nem lembro… Não é nada memorável, o que é uma pena. Muito da obstinação do nosso protagonista poderia ser representada lá e, convenhamos, o cara ganhou uma medalha na Olimpíada de 36! Das mãos de Adolf Hitler! É ou não é algo a se narrar? O filme pula essa parte sem cerimônia.

Já a parte como náufrago ganha destaque significativo; mas se você já viu um filme desses, já viu todos. Zamperini fica no meio do mar, passando sede, fome, sobrevivendo a tempestades, delirando de alegria quando chove, pescando peixe para comer cru, etc… Interessante, mas pouco eficaz. O forte do filme está na terceira parte, quando ele é resgatado e vai para um campo de prisioneiros de guerra no Japão. Lá ele ganha um vilão que resolve implicar com ele. E dá-lhe cenas de violência e abusos físicos. Chega um momento, entretanto, que a narrativa perde força. “Lá vai ele apanhar novamente” e os castigos se tornam repetitivos, tirando o impacto de seu sofrimento.

Angelina Jolie já havia dirigido de forma competente outro filme sobre prisioneiros de guerra, “Na Terra do Amor e Ódio”, mas aqui o foco é diferente. Sem dúvida olho para a direção ela tem, pois cria alguns enquadramentos impressionantes – ter Roger Deakins como fotógrafo ajuda também. Mas acho que faltou a Jolie um pouco mais de intimidade com o protagonista. Lembra quando eu disse que ela foge do lugar comum? Pois é, fugiu demais! Numa tentativa de se distanciar do personagem – para não torná-lo um super-herói messiânico – ela acaba criando uma narrativa fria, sem emoção. Zamperini sofre nas mãos do vilão implicante (muito bem humanizado, inclusive), mas por que tamanha resistência? O que ele está sentido, além de dor? As câmeras não dizem e a história se perde.

O distanciamento tem seus méritos. A 2ª Guerra Mundial teve seus vilões e os nazistas nunca foram poupados, mas é interessante uma história que olha para o Japão e não os condena nem foca nos americanos como nobres soldados. Já ao final existe um bom momento dos sobreviventes lendo as notícias e um enquadramento deixa uma sutil referência à bomba atômica de Hiroshima. O filme poderia ter ignorado o evento completamente, ou martelado como se fosse aula de história. Nesse meio termo tudo fica um pouco mais natural, mais humano. Mas, insisto, faltou humanizar melhor aquele que merecia um pouco de melodrama: o herói.

Zamperini é vivido por Jack O’Connell, um jovem de futuro promissor. Ele se esforça ao máximo para mostrar as dores do personagem em seu rosto. Sua transformação física também é assustadora. Houve uma entrega sua ao papel, algo que talvez tenha faltado à direção. Ah, e o roteiro é dos irmãos Joel e Ethan Cohen, mas você não irá perceber isso de forma alguma.

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