Review: “Foxcatcher: Uma História Que Chocou o Mundo” de Bennett Miller

“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo” recebeu um subtítulo bastante exagerado aqui no Brasil, hein? Mas ok, talvez a história não tenha chocado o mundo de ninguém, mas alguém resolveu conta-la ainda assim. Envolve dois irmãos lutadores, um rico herdeiro, um pouco do sonho americano e muito comportamento psicótico.

Mark Schultz e seu irmão Dave são lutadores de luta-livre que treinam juntos e já ganharam sua boa dose de prêmios, inclusive medalhas de ouro nas Olimpíadas, agora mirando em repetir o sucesso em Seoul para as Olimpíadas de 1988. Mark recebe um convite do ricaço John Eleuthère du Pont para treinar em sua fazenda de 800 acres (!!!) sob a bandeira do time Foxcatcher, do qual du Pont é “treinador”. A história desenvolve a relação dos três, mas principalmente o comportamento excêntrico de um herdeiro que pode conquistar tudo o que quiser apenas com o assinar de um cheque.

“Foxcatcher”, portanto, é um filme sobre sonhos, conquistas, mérito – e a hipocrisia que envolve isso tudo. Os irmãos Schultz não nasceram em berço de ouro, portanto tiveram que lutar muito para conquistar o pouco que tiveram. Ganhar medalha de ouro é ótimo, mas não garante sucesso eterno, não é verdade? Já John du Pont tinha um amigo comprado pela mãe para ele ter amigos quando criança, o que já diz muito sobre sua infância. Em uma marcante cena, John em sua sala de troféu simplesmente retira os prêmios que sua mãe (do qual ele é visivelmente ressentido) conquistou com o treinamento de cavalos para colocar suas novas medalhas conquistadas por treinar atletas.

Du Pont faz todo um discurso sobre como cavalos são menos importantes que pessoas, suas conquistas não merecem tanta atenção. Mas ok, desde quando os troféus são para os cavalos? Ainda assim du Pont pega a medalha de seus atletas, esses sim merecedores delas, e as “toma” para si. Para usa estante. Para exibir a conquista dos outros. Ei, meritocracia, viva!

foxcatcher

Não irei entrar em como a história se encerra, pois mesmo que ela tenha “chocado o mundo” (#sqn), vou supor a possibilidade das pessoas desconhecerem a realidade. Mas o que importa é o desenvolvimento dos dois personagens principais, John e Mark, em seus comportamentos psicóticos em torno de um ideal que eles talvez não consigam alcançar – ou não mereçam. Nessa busca constante pelo ideal americano, uma ideia martelada por du Pont durante o filme, e é claro que “Foxcatcher” quer criticar isso tudo. Percebe que o personagem mais realizado da história, o irmão Dave, não é particularmente rico ou severamente ambicioso. Tem uma família, um trabalho, tá vivendo de seus próprios méritos, mas sem discurso hipócrita.

“Foxcatcher” é muito bem dirigido por Bennett Miller, de “Capote”, que filma algumas excelentes cenas, mas tem um resultado irregular na narrativa. Insisto que sua direção é boa, mas a verdade é que o filme é um porre de assistir. Apesar das boas ideias contidas na história, elas não narram conteúdo o suficiente para mais de duas horas de projeção.

O elenco é dominado por excelentes atuações de Steve Carell (completamente irreconhecível) e Channing Tatum, em e trabalho sutil e bastante físico. Mark Ruffalo interpreta Dave Schultz, mas não o vi fazendo nada que ele já não faça em qualquer tipo de filme. Sienna Miller e Vanessa Redgrave têm breves participações.

O verdadeiro John du Pont e dois de seus atletas.

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