Review: “Para Sempre Alice” de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

“Para Sempre Alice” é inspirado no livro de Lisa Genova e conta a história de uma professora de linguística que descobre sofrer do Mal de Alzheimer. Uma doença que ataca nossas funções cognitivas, isso é um grande baque para uma mulher cujo grande orgulho é seu intelecto. Apesar de que o filme é, ainda assim, apenas uma história sobre Alzheimer.

Difícil falar sobre a sinopse além disso, pois Alice começa a perceber que pode estar com algum distúrbio neurológico, depois descobre a doença que lhe aflige, começa a se adaptar e vai deteriorando gradativamente. Em termos bastante diretos, Alice não tem um arco. Ela muda conforme a doença lhe afeta, mas sua personagem não passa por nada além do enfrentamento de sua situação. O que é aceitável e executado de maneira muito sincera, mas compromete a obra dramaticamente.

Pois, infelizmente, não há história. Existem inúmeros coadjuvantes, mas eles também não têm arco. O marido de Alice lida com a situação, mas poucas vezes demonstra sofrer – não que ele não sofra, apenas o filme não gasta seu tempo desenvolvendo isso. E os três filhos de Alice também são pessimamente desenvolvidos. O Alzheimer dela é genético, então sua filha mais velha descobre que herdou o gene de sua mãe e também irá desenvolver a doença. Como isso afeta a relação das duas? De maneira alguma. Elas conversam por ele telefone e o assunto nunca mais volta. Anna deve ter ficado preocupada, mas – novamente – o filme não elabora isso.

A filha mais nova é uma atriz que está estudando em Los Angeles, mas isso não tem nada a ver com Alzheimer, portanto sua participação no filme é resumida em ler passagens de roteiros com simbolismos escolhidos a dedo. E o filho do meio é o que recebe menos atenção. Francamente, nem lembro o nome dele ou qual seu papel na história…

Nisso que “Para Sempre Alice” mais perde, pois apesar de ser um filme bastante educativo e realista sobre uma terrível doença, ele não vai além. Não fosse uma ótima atuação da protagonista Juliane Moore, uma atriz de peso que sempre dá conta dos recados mais difíceis, o filme não seria nada além de mais um. A direção da dupla Richard Glatzer e Wash Westmoreland, também responsável pelo roteiro, é eficaz e extrai o que precisa de Moore. Ainda assim, fora o tremendo talento de uma atriz que sempre demonstrou ter tremendo talento, “Para Sempre Alice” não oferece nada ao público além de um pouco de esclarecimento sobre o enfrentamento do Mal de Alzheimer.

O que, talvez, seja o suficiente. Educativo, ao menos, ele é. Faltou caprichar um pouco nos méritos artísticos. Se você realmente quer se informar sobre o assunto, sempre pode entrar no site da ABRAz. Como filme, “Para Sempre Alice” poderia ter se esforçado em explorar mais questões, principalmente nos personagens ao redor da protagonista. O elenco secundário conta com Alec Baldwin (que sempre faz a mesma cara, até em um drama), Kristen Stewart (sendo Kristen Stewart) e Kate Bosworth. Ah, e tem o filho do meio, mas já me esqueci dele…

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