Review: “Cake: Uma Razão para Viver” de Daniel Barnz

Dor crônica é uma condição em que uma pessoa que sofreu severo trauma continua com a sensação da dor causada pelo ferimento, por algum tipo de disfunção em seu corpo. Para informações mais precisas eu recomendo a leitura do post do Dr. Dráuzio Varela sobre o assunto, pois disso eu não entendo nada. Mas essa condição é tema central para a história de “Cake: Uma Razão para Viver”, novo exemplo daqueles filmes que recebem subtítulo bizarro aqui no Brasil – pois aparentemente cake é uma palavra intraduzível, né?

Claire sofreu um gravíssimo acidente que, além de deixar marcas no seu corpo, tirou a vida de seu filho e a fez sofrer de dores crônicas desde então. Ele se junta a um grupo de apoio de vítimas de dor crônica, mas um dos membros se suicida e ela – por ter fortes tendências suicidas – passa a ficar um pouco obcecada com a vida desta outra pessoa. E essa é toda a história de “Cake”, um filme sobre uma pessoa que sofre.

Parece pouco, não? Por que é. O filme não vai além. Claire fica sofrendo a história inteira, seja de dor física ou de tristeza por sua condição, pela perda do filho, ou qualquer outra coisa. Não que sua história não seja trágica, mas faltou a personagem algo para fazer no filme além de sofrer. E não é que “Cake” seja uma daquelas narrativas depressivas sobre morte e sofrimento, na verdade o filme tem até seus momentos de humor (negro). Mas fica só nisso.

Jennifer Aniston, que passou os últimos 20 anos de sua vida interpretando Rachel Green – seja em “Friends” ou nos filmes que se seguiram após o final do seriado – se esforça ao máximo em criar a personagem. Seus trejeitos e expressões são bastante diferentes do que a atriz costuma mostrar; seu esforço é visível. O problema está em Claire: ela não tem nada para fazer com a personagem, que é bastante unidimensional. Resta a Aniston apenas ficar fazendo cara de dor ou tristeza o filme inteiro. Sim, a história tem uma espécie de “conclusão”, um clímax onde Claire vence as barreiras do sofrimento e tentar encontrar, errr, “uma razão para viver”. Mas não há nada que leve a isso. Como a história não tem estrutura alguma (a relação da protagonista com a garota que se suicidou jamais é resolvida), a personagem não se desenvolve e a atriz fica presa no seu bom trabalho.

Ah, e tem bolo na história. Sabe bolo, tradução de cake? Pois é. Ele aparece e mostra o quanto é fraco o roteiro de Patrick Tobin. Ele tenta transformar o bolo em uma espécie de catarse para a personagem, um símbolo de sua reviravolta. Mas isso só acontece por que ele inventou que deveria acontecer. A transição é completamente forçada. A direção é de Daniel Barnz, de “A Fera”. O máximo que eu posso dizer é que seu filme tem uma bela fotografia. De uma forma geral é tudo muito simples e óbvio. Apesar de ele ter sido capaz de tirar uma boa atuação de sua protagonista, parece não ter se exercitado com a mesma disposição que a atriz para todo o resto do filme.

O elenco coadjuvante conta com Adriana Barraza, Sam Worthington, Anna Kendrick, Chris Messina, Felicity Huffman, William H. Macy e Lucy Punch. Fora Barraza, que tem muitas cenas para fazer alguma coisa, todos os outros são desperdiçados.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s