Review: “Vingadores: Era de Ultron” de Joss Whedon

Quando assisti ao primeiro “Os Vingadores” comentei que, apesar do resultado bastante positivo, fiquei imaginando como a Marvel poderia usar suas propriedades intelectuais de forma mais criativa. Gostando ou não dos filmes do Homem-Aranha na Columbia ou X-Men na Fox, esses estúdios de fato tratam os personagens de uma maneira alternativa ao apresentado nos quadrinhos. Já a Marvel simplesmente copia e cola, agradando com um resultado de fácil assimilação, mas sem risco algum. “Vingadores: Era de Ultron” é uma boa oportunidade para quebrar essa fórmula.

Depois que seu antecessor somou 1,5 bilhão de dólares em bilheterias, a Marvel precisa ter medo do quê? Nunca houve uma sequência com tamanha garantia.

“Era de Ultron” começa após os eventos de “sei lá mais qual filme da Marvel” e já começa com os heróis entrando em ação para pegar o cetro de Loki que estava com ele em “Os Vingadores”, mas não está mais. Lá Tony Stark encontra umas coisas, que são planos da Hydra para fazer alguma outra coisa, mas quem se importa, por que de repente surge o Ultron para estragar a festa deles! Resta aos Vingadores se unirem para destruir esse robô aparentemente indestrutível com o plano de destruir a humanidade.

É por aí toda a história do filme, que surpreendentemente fica confusa lá pela metade… Não é por haver elementos demais (é essencialmente mais um episódio do “vilão da semana” para nossos heróis) nem personagens demais (X-Men nunca teve problema em contar uma história coesa lotada de figuras). O problema no enredo se dá nos motivos mal desenvolvidos e elaborados, inclusive do vilão indestrutível só-que-não no final. O que Ultron quer? Matar todo mundo? Ok. E por que os Vingadores enfrentam ele? Para salvar o mundo? Ok. Não parece nada de demais para se elaborar, mas até nisso o filme se perde.

A culpa, a meu ver, é do humor. O roteirista (e diretor) Joss Whedon teve oportunidade de utilizar um vilão e uma ameaça mais interessante do que no filme anterior, onde Loki apenas era um mané que invadia uma única cidade “por que sim”. Ultron tem origem e seu exército de robôs infinitos que brotam da terra tem relação com os eventos de “Homem de Ferro 3“, assim como o desaparecimento da SHIELD tem com os de “Capitão América 2“. Ainda assim, parece que os personagens não se importam. Eles fingem que se importam, claro, mas estão o tempo inteiro fazendo piadinhas e tiradas sacanas. Na ânsia de fazer o público rir do nonsense, Whedon perde oportunidade de tirar algo além.

“Era” de Ultron? O vilão dura dois dias, isso conta como “Era”?

É um problema do filme anterior, mas que aqui se repete, portanto fica mais evidente. Principalmente por que a estreia dos Vingadores tinha um ar de incerteza que justificava o absurdo. Agora? Do que eles tanto riem? De si mesmo? Estariam os heróis da Marvel indo para o caminho da auto-paródia dos filmes de James Bond estrelados por Roger Moore?

Não se engane, o filme é bom e diverte. Mas perde impacto por que não é novidade e não apresenta nada de novo. Em suma, é exatamente tão bom quanto o antecessor, então se você gostou daquele, irá gostar desse. Ainda assim, considero um passo para trás em relação ao já citado “Capitão América 2: O Soldado Invernal”, que soube ser divertido e levar sua história e personagens a sério.

O elenco de “Era de Ultron” trás toda a gangue de volta: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo e Jeremy Renner. Todos você já conhece muito bem e fazem o mesmo de sempre. Johansson tem a chance de atuar em uma cena, em um diálogo bem feito entre ela e Ruffalo. E Renner foi o papel que mais cresceu, com uma pequena trama paralela que desenvolve seu personagem de maneira carismática. Ultron é dublado por James Spader, que parece se divertir falando suas boas falas – ele acaba terminando como vilão palhaço no clímax, mas sua participação no primeiro ato é marcante. Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen (ambos do último “Godzilla”) são as novidades. Um bando de cameos de outros personagens do Universo Cinematográfico Marvel dão as caras.

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