As melhores cenas de “Mad Men”

“O fim de uma Era está chegando”. Hoje será exibido nos Estados Unidos pela AMC (amanhã aqui no Brasil pela HBO) o último episódio de “Mad Men”. Um dos seriados mais importantes da última década, e sem dúvida um dos mais memoráveis da história, a narrativa de uma agência de publicidade dos anos 1960 e seus complexos personagens marcou por inúmeras características – da produção caprichada aos diálogos refinados, do glamour aos temas pesados – mas essencialmente nos fez não piscar para a televisão quando nada estava acontecendo. Para os fãs, como eu, uma jornada marcante.

madmen

E que jornada!

“Mad Men” foi mestre em dizer muito com tão pouco. A sutileza foi sua maior arma, tão eficaz em nos dar um soco no estômago com a sutileza de um tapa de luva. Segue abaixo uma lista bastante pessoal dos momentos mais memoráveis dessas sete temporadas. “Mad Men” deixará saudades, mas essas cenas abaixo mostram que não sairá de nossas cabeças jamais:

Betty atirando nos pássaros – 1ª temporada, episódio 9 – “Shoot”

O nome do episódio faz referência dupla: Betty Draper tem a oportunidade de trabalhar como modelo em um ensaio de moda – “shoot” em inglês faz referência ao clicar das câmeras, mas também ao de uma arma. Estaria ela atirando nos pássaros para se vingar do vizinho que ameaçou seus filhos? Ou estaria Betty atirando na simbologia de liberdade dos pássaros? Um sensacional jeito dúbio de se encerrar um episódio, especialmente ao som de uma música chamada “My Special Angel”.

O pitch do Carrossel – 1ª temporada, episódio 13 – “The Wheel”

Geralmente “Mad Men” consegue falar apenas com imagens (como no caso da cena anterior). Mas isso não quer dizer que o seriado não tenha tido seus momentos de gloriosas palavras. O pitch do Carrossel é um exemplo disso. Don Draper em seu auge, fazendo um discurso de levar às lagrimas. Além do belo texto, a cena tem uma conotação trágica: a tal da “nostalgia”, a “dor de uma ferida antiga”, refere à família que o protagonista sabe que está destruindo.

Peggy conta a verdade para Pete – 2ª temporada, episódio 13 – “Meditations in an Emergency”

Um belíssimo diálogo entre Peggy e Pete, que se construiu ao longo de toda a segunda temporada para culminar neste clímax, onde ela finalmente lhe conta que teve um filho seu – e o deu para adoção. Além de um poderoso discurso final para a personagem, uma oportunidade da atriz Elisabeth Moss arrasar. E um jeito delicado de encerrar uma trama.

O cortador de gramas – 3ª temporada, episódio 6 – “Guy Walk Into an Advertising Agency”

Para um seriado bastante introspectivo, “Mad Men” teve bons momentos de humor. Geralmente sendo engraçado em situações embaraçosas ou inesperadas. A cena acima é um exemplo disso: o novo chefe da Sterling Cooper, durante uma festa, é atropelado por um cortador de gramas (!!!) e perde seu pé. Da violência gráfica à reação dos personagens, a cena leva o tom absurdo na sutileza do humor. Uma sequência seguinte, do sangue da janela sendo limpado da janela, cria um enquadramento ímpar.

“É para isso que serve o dinheiro” – 4ª temporada, episódio 7 – “The Suitcase”

Peggy e Don são os protagonistas do seriado e tiveram inúmeras oportunidades de desenvolver sua bela relação de mestre e protegida. No meio-ponto da jornada deles, durante o magnífico episódio “The Suitcase” (completamente focado somente nos dois), durante uma briga algumas verdades são ditas. Não só um belo e maduro diálogo, mas também mais um momento para Elisabeth Moss e Jon Hamm mostrarem seus talentos. Na verdade, considerando a maestria do episódio em questão como um todo, chega a ser injusto pontuar apenas uma cena. Mas são 30 segundos que representam o ponto alto do seriado.

A despedida de Miss Blankenship – 4ª temporada, episódio 9 – “Beautiful Girls”

Miss Blankeship foi a pior/melhor secretária de Don Draper e teve ótimos momentos de humor durante a quarta temporada. Inclusive quando ela morreu, provando que quando “Mad Men” foi melhor para rir era apostando no humor negro.

Zou Bisou Bisou – 5ª temporada, episódio 1 – “A Little Kiss”

A quinta temporada do seriado começou bastante ousada (para talvez para contrastar com o clima depressivo do restante dos episódios). E se Jessica Paré não é nenhuma grande atriz, ela sem dúvida conseguiu entrar para a história da televisão moderna com uma senhora interpretação musical. Claro, a cena é de causar vergonha alheia por Don Draper, mas não deixa de ser uma atuação bem construída.

Tomorrow Never Knows – 5ª temporada, episódio 8 – “Lady Lazarus”

O momento em que tocou Beatles em “Mad Men”. Precisa de mais?

O pitch da Jaguar – 5ª temporada, episódio 11 – “The Other Woman”

Uma das cenas mais controversas do seriado envolvia Joan indo para a cama com um cliente para a empresa conquistar uma conta – e ela conquistar o título de sócia. A cena em si não é linear, ao ser narrada em paralelo com Don Draper dando um excelente pitch para a Jaguar. O vai-e-vem do diálogo dele com as cenas dela pode não ter sido um dos momentos mais sutis do seriado, mas sem dúvida foi muito eficaz.

Trudy dá um ultimato – 6ª temporada, episódio 3 – “The Collaborators”

E que ultimato, não? “Eu irei lhe destruir” pode soar um tanto melodramático para um show que aposta na sutileza, mas a relação de Pete e Trudy vai muito além disso. Ele nunca valorizou a mulher que o entendia como ninguém; ela nunca soube se posicionar perante isso. Chegado o momento da atriz Allison Brie mostrar que sabe fazer algo mais do que ser fofa e deu conta do recado. Uma boa cena para pontuar um momento na história em que mulheres pararam fingir que não sabiam e começaram a colocar as cartas na mesa.

O pitch da Hershey – 6ª temporada, episódio 13 – “In Care Of”

O momento em que Dick Whitman encontrou um buraco na casca de Don Draper e expôs-se. Do ponto de vista emocional é um magnífico clímax para o seriado. Além disso Jon Hamm dá, provavelmente, sua melhor atuação em todo o seriado (e sequer levou um Emmy por isso!!!).

Don e Peggy dançam – 7ª temporada, episódio 6 – “The Strategy”

Um momento profundamente sentimental que serve para dar um belo toque final na relação entre Don e Peggy. Ambos sendo amigos profundamente sinceros, que resolvem coroar com uma dança ao som de “My Way” do Frank Sinatra.

A despedida de Bert Cooper – 7ª temporada, episódio 7 – “Waterloo”

A morte do sócio-fundador da Sterling Cooper foi uma bela maneira de encerrar a primeira parte da última temporada, ainda mais alinhando isso com a chegada do homem à Lua. Mas ninguém estava esperando um momento musical para amarrar isso tudo! Não só uma surpresa adorável, como também um momento para Robert Morse brilhar e Jon Hamm nos lembrar do grande ator que é. E ter Cooper, que tantas vezes citou Ayn Rand, a diva máxima do capitalismo racionalista, se despedir cantando que “as melhores coisas da vida são de graça” foi toque de gênio.

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