Review: “Resident Evil: Revelations 2” para PlayStation 3

Depois do fiasco colossal de “Resident Evil 6” – que pode ter sido um sucesso de vendas, mas foi universalmente execrado como o fundo do poço da série – somente um milagre poderia salvar a clássica franquia de survival horror da Capcom. Em 2012 a empresa lançou o “Resident Evil: Revelations” para o Nintendo 3DS, que foi muito elogiado, principalmente pelos fãs da série, por ao menos arriscar um pouco no terror. Ainda era um tanto linear, focado em tiroteios e com poucos enigmas. Mas tinha aquele antigo clima de estar perdido em um lugar abandonado, algo que os dois jogos anteriores haviam abandonado completamente.

“Resident Evil: Revelations 2” sai para consoles caseiros (foi mal, 3DS) mantendo o esquema. O foco é no estilo, não tanto na técnica, mas a execução é acertada. Uma evolução em relação ao spin-off original e sem dúvida um passo positivo para uma franquia que estava cambaleando – como zumbi? – por aí, se “Revelations 2” não é um novo auge, ao menos é um caminho promissor.

Uma certa inovação marcou o lançamento deste novo Resident Evil, que foi ter sido lançado em episódios para download. Eis um jogo completo, cortado em quatro fatias para degustação semanal. Como o “Revelations” anterior tinha um estilo televisivo, já que cada capítulo era um episódio com duas tramas paralelas, foi uma decisão que funcionou. Aqui nós acompanhamos a jornada de Claire Redfield (de “Resident Evil 2” e “Code: Veronica”) que foi sequestrada e levada para uma ilha abandonada ao lado de Moira Burton. Esta é filha de Barry, um dos coadjuvantes do primeiríssimo jogo da série, retornado aos holofotes pela primeira vez para salvar sua filha. Ao lado dele encontra-se a misteriosa Natalia, uma menina perdida e sobrevivente do incidente em Terragrigia – que é mostrado em “Revelations”.

Cada episódio conta com dois pontos de vista: primeiro acompanhamos Claire e Moira, depois Barry e Natalia. Apesar deles circularem pelos mesmos cenários (como se Barry estivesse seguindo os passos das outras), não há repetição por conta disso. E temos cenários o suficiente em cada episódio para dar a sensação de que “Revelations 2” sempre tem algo de novo a nos mostrar. Apesar de se passar todo dentro de uma ilha, passamos por uma penitenciária, uma vila, uma floresta, uma fábrica, esgotos e – claro – um laboratório secreto. Se nenhum deles é desenvolvido o suficiente para marcar como a mansão de “Resident Evil”, a delegacia de “Resident Evil 2” ou o castelo de “Resident Evil 4”, ao menos são ambientes apropriados para um clima de suspense. Nada de arranha-céus chineses ou vulcão.

A história em si, apesar do subtítulo “revelações”, não revela nada. Claire e Moira estão perdidas e Barry procura sua filha. A ilha não tem ligação nenhuma com os eventos de “Resident Evil 5” ou “Resident Evil 6” (o jogo se passa entre esses dois episódios na cronologia) muito menos com jogos anteriores. Claire e Barry simplesmente dão azar com zumbis, pelo jeito? A vilã principal do jogo – inicialmente chamada de Overseer para esconder sua identidade secreta, que não revelarei – tem uma certa conexão antiga com a saga, mas é simplesmente forçada. E as conexões com o “Revelations” anterior se limitam ao Terra Save e a personagem Natalia, cujo “mistério” no final das contas parece apenas um gancho para futuros jogos. Resumo: se você quer saber que “revelações” encontrará, não serão muitas, portanto não jogue pela história que é bastante simples.

Mas é funcional, pois serve como fio condutor para o que importa: o jogo. E nesse aspecto que “Revelations 2” se supera, pois parece mais focado em colocar o jogador em situações de suspense que desenvolvem sua expectativa. Ao invés de uma overdose de ações e apertar de botões, eis um jogo que cria oportunidades para você explorar e interagir com alguma coisa. Verdade seja dita que as interações são limitadas. Basicamente você ficará o jogo inteiro andando, procurando objetos e matando zumbis ou outros monstros que se comportam de maneira óbvia. Mas o foco está no clima,  na percepção que a aventura pode lhe surpreender. E, pela adição das personagens Moira e Natalia (que não tem armas) o jogo cria muitas situações em que você precisa procurar objetos escondidos nas sombras. Se não é o suficiente para rotularmos como “resolução de enigmas”, é um passo importante para uma franquia que anteriormente só lhe colocava para andar para frente e sair atirando em tudo.

Apesar de dividido em quatro episódios, todos são similares. O primeiro é o mais simples, pois parece introduzir elementos apenas. O segundo e terceiro tem mais conteúdo, mais inimigos e mais cenários. O terceiro, principalmente, tem mais enigmas e armadilhas. A maioria envolvendo você empurrar caixas (o que é isso, um Tomb Raider dos anos 90?), mas funciona. Já o quarto episódio, apesar de um início rápido e frenético – e decepcionante – na metade da Claire, é o mais complicado e longo de todos na sequência de Barry. Que, diga-se de passagem, parece ser o protagonista do jogo, já que todos os seus cenários são mais longos. Se tem um defeito nisso tudo que o jogo repete são as batalhas de chefe, bastante simplórias e repetitivas, uma boa receita apenas para a frustração. Mas não chega a atrapalhar em nada. O resto do conteúdo do jogo é mais que o suficiente.

Até que stealth funciona – surpreendentemente.

Além dos quatro episódios, “Revelations 2” tem dois bônus (já inclusos se você comprar o pacote completo) interessantes. O primeiro, “The Struggle”, é focado em Moira em tem elementos de “The Last of Us”. Se passa durante o episódio 4, entre as etapas de Claire e Barry, envolve você caçar animais para coletar provisões e catar munição pelo cenário, para depois enfrentar uma horda de inimigos com o que achou. É uma quebra de rotina e das boas, mesmo sendo focado na ação – nenhum problema com isso, quando a estrutura funciona. O segundo, “Little Girl”, é focado em Natalia e em sessões de stealth, com ela tentando escapar de monstros sozinha. É bem mais fraco e curto, mas ao menos é uma experiência diferente.

Além disso o jogo conta com um modo Raid, herdado do “Revelations” anterior. Mas está completamente descaracterizado, como se tivesse virado uma mistura de Raid com Mercenaries que não combina. Um desperdício que irá desagradar aos fãs do estilo. Mas, para quem curte ficar atirando em um monte de monstros nos jogos Resident Evil, eis sua opção. Verdade seja dita que até um Raid capenga é melhor que o modo campanha de “Resident Evil 6”. Outra coisa a ser dita: os gráficos estão muito fracos, muito aquém do que se espera de um jogo de PlayStation 3 em pleno ano de 2015. Mas, se isso não lhe incomoda, e você estiver interessado em um bom jogo de suspense com cenários interessantes e boa variedade, “Resident Evil: Revelations 2” irá lhe agradar.

Para quem odiou “Resident Evil 6”, uma surpresa. Que a Capcom saiba focar melhor em um inevitável “Resident Evil 7”. Não precisamos voltar para mansão alguma, contanto que o foco continue sendo em sobreviver ao horror.

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