Review: “Mad Max: Estrada da Fúria” de George Miller

Já posso avisar logo: nunca assisti a nenhum Mad Max anterior. Conheço a trilogia de nome, sei de sua influência e como levou Mel Gibson ao estrelato. Também já ouvi “We Don’t Need Another Hero”. Mas meu contato com os filmes lançados entre 1979 e 1985 vão a pequenas memórias do ter assistido quando criança na Sessão da Tarde e não ter gostado.  Portanto assisti “Mad Max: Estrada da Fúria” sem nenhum conhecimento prévio.

Apesar do filme ter uma breve introdução de seu universo em uma narração do protagonista (resumindo: o mundo virou um deserto), somos jogados direto na ação com Max sendo sequestrado por um bando de bandidos. Sei lá por que. Esse bando é liderado por Immortan Joe, dono de uma cidade com um bom abastecimento de água, dominada por uma população miserável e um exército suicida – os Kamicrazies – que o idolatram como um deus. No meio dessa overdose de informação jogada ao espectador surge a Imperatriz Furiosa, que resolve fugir da cidade em comboio para ir para o Vale Verde junto com as esposas de Immortan Joe. Max, como prisioneiro, é levado por um kamicrazy para tentar alcançar Furiosa na estrada.

É muita informação, muitos personagens, muitos nomes confusos, tudo atirado nos primeiros dez minutos sem cerimônia. Mas não se preocupe se você não entender nada: é só isso mesmo que o filme tem de história e, a partir da confusão inicial, tudo se entende lentamente durante a narrativa. Foi uma escolha estranha do roteiro, sem dúvida, mas funciona. Durante todo o enredo poucas novidades ou personagens são adicionados. A proposta é simples: eis tudo que se tem para saber, toma aí, agora senta e aproveita a viagem.

E assim segue “Estrada da Fúria”. Um filme de ação praticamente ininterrupto (fora um ou outro diálogo), uma gigantesca cena de perseguição que simples vai em frente. Não há tempo para desenvolver a história, por isso que ela é descarregada toda logo. Max passa boa parte da primeira metade do filme em absoluto silêncio. Furiosa se expõe mais, mas ainda assim, você não irá assistir diálogos elaborados. O foco são as maravilhosas sequências de ação e elas são um deleite. Não apenas muito bem coreografadas, mas conduzidas como um hipnótico balé de fogo e metal. Algumas stunts irão lhe deixar estupefato, daquele jeito “como filmaram isso?”, uma surpresa nesses tempos em que tudo é CGI. “Estrada da Fúria” é quase teatral. Tem efeitos especiais – lógico – mas as cenas de ação são realizadas como um espetáculo verdadeiro.

Se carros pudessem dançar…

Esse estilo praticamente “artesanal” se mostra em todo os aspecto audiovisual da produção. A fotografia é caprichada (como na sequência do pântano em que o filme praticamente fica em preto e branco) e alguns enquadramentos são encantadores. Queria que a cena em que Furiosa anda decepcionada pelo deserto durasse meia hora, só para poder ficara admirando a beleza dos movimentos das areias das dunas carregadas pelo vento… Pode parecer um exagero – talvez seja – mas “Estrada da Fúria” é o filme a melhor filmar um deserto desde “Lawrence da Arábia”. É estonteante! O som merece destaque também, muito bem conduzido, inclusive pela trilha sonora. O DJ Junkie XL parece ter se inspirado em trabalhos recentes de Hans Zimmer para explodir nossos ouvidos com uma batida pulsante.

A direção desta vibrante ópera fica a cargo de George Miller, o idealizador da trilogia original, e também responsável pelos filmes família “Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade” e “Happy Feet: O Pinguim”. Não há muito o que se dizer sobre seu trabalho aqui, apenas que ele acerta em todas as áreas. Se a função do diretor de cinema é conduzir uma orquestra e seus diversos instrumentos, ele foi um senhor maestro. Em termos de ação talvez ele tenha criado a obra-prima a ser batida de agora em diante. Em tempos de Michael Bay, um redentor de nossos olhos e ouvidos.

O elenco é encabeçado por Tom Hardy (o Bane de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”), muito eficaz no papel de herói de ação, mas com uma voz um pouco estranha. Ele pareceu estar sendo dublado o tempo inteiro. Ele é acompanhado por Charlize Theron como Furiosa, que faz valer seu nome. Charlize meio que vira a protagonista da história, não apenas por ser uma ótima heroína, mas também por carregar o lado mais emocional do filme. Max, apesar de carismático e sensível, apenas está lá de apoio nessas horas. Sua história comove menos. Nicholas Hoult (o Fera de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”) vive um kamicrazy e Hugh Keays-Byrne (voltando do primeiro “Mad Max”) é o vilão ameaçador por trás do um marcante visual de Immortan Joe.

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