Review: “Alien: Isolation” para computadores

A franquia Alien nasceu no cinema sci-fi de terror com o clássico de Ridley Scott de 1979, mas o sucesso de sua sequência “Aliens: O Resgate” de James Cameron deu um novo ar para o alienígena mais famoso da sétima arte. De repente Alien virou sinônimo de suspense com ação, com os videogames futuros refletindo isso. Desde o Super Nintendo até recentemente que os jogos inspirados na série eram muito mais focados em ficar matando vários aliens (seja como humano ou como Predador) ao invés daquela única e poderosa ameaça inicial.

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Surge “Alien: Isolation”. Inspirado na onda recente de jogos de terror focados no silêncio e solidão, como “Amnesia: The Dark Descent” (jogo que sequer tive coragem de terminar), a nova produção da The Creative Assembly e lançada pela Sega é um survival horror completamente focado no horror de sobreviver a um alien. Ou seja, um conceito perfeito para se inspirar no filme original.

“Isolation” não é uma adaptação direta de “Alien”, mas sim uma pseudo-sequência em que você controla Amanda Ripley, filha da popular heroína dos filmes, procurando pela mãe desaparecida no espaço. Ao chegar na Estação Sevastopol em busca de traços da desaparecida Nostromo, Amanda se encontra perdida em uma isolada estação espacial. Quer dizer, “isolada”. A Sevastopol está cheia de humanos assassinos e droids serial killers. E um certo alien.

O conceito, reforço, é perfeito e inspirado. A execução, infelizmente, nem tanto. “Isolation” sem dúvida é um jogo de terror, com ótimos momentos de suspense e bons sustos. Fiquei desesperado no primeiro momento que o alien aparece, graças a uma boa trilha sonora que insinua que ele está em algum lugar do ambiente, pronto para lhe atacar. Sim, o alien assusta, é uma ameaça que dá maior peso à exploração da estação. Mas o jogo não fica só nisso e é todo o resto que desanda a receita.

A narrativa começa com Amanda explorando a Sevastopol e as primeiras duas horas do jogo podem ser definidas como “simulador de andar por uma estação espacial”. Você anda, abre portas, hackeia computadores… Por aí… Como introdução seria interessante, fosse lago inspirado no brilhante início de “BioShock” que serve para imergir o jogador no cenário. Mas não existe a tal imersão, tudo parece apenas um esforço em manter o jogador ocupado enquanto alien nenhum aparece. Eis que todo esse andar fica logo entediante e pouco serve para mostrar nada além de corredores mal iluminados. Belamente mal iluminados, diga-se de passagem.

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Uma bela iluminação para enfatizar o nada.

Então o alien finalmente aparece e… Nada. Ele some e você volta a andar. Encontrará alguns humanos e androids que querem lhe matar, aí “Isolation” cria algumas sequências de stealth bastante frustrantes e limitadas. De vez em quando o alien retorna, você tem que se esconder, para depois voltar a andar e abrir mais portas. Todas essas “adições” mais parecem subtrair da experiência. Não é bem um jogo de stealth nem um survival horror, nem mesmo uma mistura dos dois. É um jogo com fases pouco desenvolvidas e objetivos repetitivos onde, no intervalo delas, você anda por corredores. Os encontros com os aliens são eficazes por criar uma boa atmosfera de medo, mas a repetição de todo o resto vira uma monotonia. O jogo acaba se tornando um trabalho com tarefas, para você ter a oportunidade de ver um alien de vez em quando.

Se “Alien: Isolation” não é um jogo ruim, sem dúvida não é um jogo interessante. E poderia ter sido, pois estava mirando na possibilidade exata para explorar o universo dos filmes. Parece que a The Creative Assembly não soube o que fazer com uma boa ideia. O potencial está lá e talvez valesse à pena revisitá-lo em outro cenário ou outra oportunidade. Um jogo de terror de completo isolamento acabou se tornando monótono e entediante. E não há minigame de hackeamento que possa consertar isso!

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Um belíssimo ambiente vazio para você andar!

Fica difícil apontar muitas críticas a “Alien: Isolation” fora o fato dele ser grosseiramente chato e limitado. Mas, como eu disse, ruim não é. Se você por acaso gostar desse “simulador de andar na Sevastopol”, existem episódios para download que pega sequências do filme original para você brincar de “simulador de andar da Nostromo”. Em um deles, inclusive, você controla Ellen Ripley. São episódios interessantes para fãs, mas não apresentam nada de novo. São mais focados no suspense, mais correria, menos exploração de espaços vazios, maior certeza de encontrar um alien para enfrentar com lança-chamas. O episódio que repete o clímax com Ripley tentando fugir da nave pelos corredores cheio de fumaças e sombras é, sem dúvida, bastante fiel ao apresentado no filme. Faz você se sentir no papel eternizado por Sigourney Weaver.

Se não é o suficiente para virar uma adaptação completa, são extras interessantes que talvez lhe entretenham mais do que a campanha principal.

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