Review: “Kingsman: Serviço Secreto” de Matthew Vaughn

Inspirado em uma história em quadrinhos de Mark Millar, o mesmo de “Kick-Ass”, “Kigsman: Serviço Secreto” é um filme de espionagem à moda antiga. Mas não apenas inspirado no ar leve e debochado dos primeiros filmes de 007 ou seriados de televisão da época, mas especificamente cafona como a Era Roger Moore e seus vilões excêntricos com planos para dominar o mundo em cenários luxuosos. Se você não gosta muito do estilo sério das recentes aventuras de James Bond, talvez isto aqui lhe agrade.

A história é sobre um grupo de agentes secretos não-governamental, com codinomes tirados lá da Tabula Redonda, investigando um plano misterioso. Um dos agentes é morto durante a missão, cabendo ao espião Galahad buscar um substituto – e ir atrás do filho de um antigo parceiro. Egsy (que nome!) não o típico cavalheiro que a agência Kingsman procura, mas Galahad está disposto a bancar uma de professor Higgins e transformar o jovem em um “My Fair Gentleman” para salvar o mundo.

“Kingsman: Serviço Secreto” é inspirado no antigo “causo” do diretor Terence Young que, em “007 contra o Satânico Dr. No”, teve que transformar o brucutu escocês Sean Connery em um cavalheiro digno da aristocracia britânica, para poder agradar o autor Ian Fleming. Ao filme existe também a ideia de que nem todo mundo nasce em berço de outro para poder se dar ao luxo de ser refinado e com maneiras – mas todo mundo pode buscar se adaptar um pouco. Egsy é um jovem meio rebelde, mas de bom coração, que não parece muito inspirado em preparar um bom Martini (a receita que ele pede no clímax não tem nada de “batido, não mexido”) para ser um eficiente agente secreto, mas se esforça ao menos em usar um elegante terno.

O estilo todo do filme é tentar ser o mais cool possível, sem nunca perder o humor ou senso de ridículo. Muita gente critica a postura mais realista e séria dos filmes 007 da Era Daniel Craig, mesmo que isso me pareça uma amnésia seletiva do fiasco que foi o estilo tiozão da Era Pierce Brosnan. “Kingsman” está em um meio termo bobalhão de Roger Moore e estiloso de Sean Connery – pendendo mais para Moore com suas constantes piadinhas e metalinguagem. De qualquer forma, aqueles atrás de uma trama de espionagem que não se leva a sério e se permite ao ridículo – sem dúvida uma marca dos filmes James Bond dos anos 60 e 70 – irão curtir. Quem quiser algo mais focado na ação ou trama cheia de reviravoltas irá se decepcionar um pouco, já que somente o clímax me manteve de fato entretido.

O filme também pode causar estranheza por conta da exagerada violência, que raramente aparece em filmes de espionagem dessa forma cartunesca. Uma cena em particular, de um massacre em uma igreja, achei um pouco de mal gosto. As cenas de luta e tiro são estilosas, editadas de forma a causar uma percepção similar à de uma tracking shot, mas tal estilo fica um tanto inapropriado quando envolve um monte de fiel recebendo tiro na cabeça após uma missa. Imagino que isso poderá incomodar bastante a quem não for tão tolerante assim com filmes violentos.

A direção é de Matthew Vaughn, de “X-Men: Primeira Classe”, que tinha o mesmo conceito (um filme de espionagem cool inspirado em quadrinhos) e foi muito mais bem sucedido. “Kingsman” é cool, mas a história desinteressante não marca e falta aos personagens o carisma necessário para lhe convencer de que eles são tão legais quanto o filme acha que são. Ainda assim Vaughn caprichou na edição das seqüências de ação, principalmente o clímax que é muito divertido. Também acertou no visual inspirado nas produções de Ken Adams, com cenários luxuosos e absurdos dignos dos antigos filmes de James Bond mesmo.

O elenco é encabeçado por Colin Firth, uma espécie de Roger Moore sem aquele constante sorriso malicioso. Taron Egerton é o agente trainée de boas intenções que fala fuck toda hora. O rapaz é carismático, tem potencial de carregar uma possível seqüência. O vilão exótico é vivido por Samuel L. Jackson, divertindo-se bastante. Sophie Cookson é a mocinha, Sofia Boutella a inusitada ajudante do vilão e Michael Caine é o chefe da Kingsman, Arthur.

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