Review: “O Exterminador do Futuro: Gênesis” de Alan Taylor

“O Exterminador do Futuro” dirigido por James Cameron e lançado em 1984 foi um inusitado experimento noir com fortes toques de sci-fi e terror. Deu certo, foi elogiado e fez sucesso. Sua sequência de 1991 mudou completamente a regra do jogo: virou um blockbuster de ação que o antigo vilão virava o herói, o antagonista era uma overdose de efeitos especiais impressionantes que criavam momentos inesquecíveis e a donzela em perigo do filme anterior era uma heroína de ação badass. Deu mais certo ainda, foi mais elogiado e se tornou um fenômeno – além de indiscutível clássico. James Cameron abandonou a série e ela desandou com duas sequências esquecíveis que não serviram para manter a franquia popular.

“O Exterminador do Futuro: Gênesis” é um reboot que tenta pegar o que deu certo com os dois primeiros episódios. E fracassa fenomenalmente ao ficar preso por referências a filmes superiores. A história mostra John Connor mandando Kyle Reese de volta para 1984, para proteger sua mãe Sarah de um Exterminador enviado pela Skynet para matá-la. Até aí, tudo como antes…

Mas – por motivos que o roteiro não consegue explicar – uma alteração na linha do tempo faz com que Kyle Reese chegue a um 1984 diferente, onde Sarah Connor foi criada desde criança por um Exterminador bonzinho. Agora a Sarah não é a donzela em perigo do filme original, mas a heroína badass (em parte, voltarei a isso depois) do segundo episódio. O Exterminador é amigo, mas tem que enfrentar o Exterminador mal original além de um T-1000 que apareceu por aqui sei lá como.

Confuso? Pois só piora. Sarah Connor parece ter conhecimento da linha do tempo alternativa, fica explicando tudo para Kyle para tentar explicar para o espectador, e sua cabeça ficará ainda mais confusa quando eles decidirem viajar no tempo para o futuro (O Exterminador do Passado?) para impedir que a Skynet seja lançada em 2017. Pois o dia do julgamento final foi adiado em 20 anos depois que alguma coisa alterou a linha do tempo por que sei lá como.

E piora. Reviravoltas acontecem, personagens reaparecem, por que “blá blá blá linha do tempo”, e uma trama, já fadada ao paradoxo por envolver viagem do tempo, fica completamente esquizofrênica e sem sentido. Cenas de ação acontecem, sem empolgação, sem clímax, apenas um mais do mesmo exagerado e severamente inferior ao já executado em filmes melhores de 1984 e 1991. Como a história não convence, o filme não encanta. Podem colocar tudo na conta do diretor Alan Taylor de “Game of Thrones” e “Thor: Mundo Sombrio”. O cara não tem a menor ideia do que está fazendo e o resultado é visível.

Mas não deixe tudo nas costas dele. O elenco não ajuda. Ver Arnold Schwarzenegger novamente no icônico papel não tem a menor graça, depois dele já ter desperdiçado seu retorno em “O Exterminador do Futuro 3” uns dez anos atrás. Sim, ele ainda é carismático, como sempre, e seu Exterminador velho é o único personagem interessante do filme. Mas não passa de uma sombra de interpretações mais convincentes nos dois primeiros episódios.

Kyle Reese é interpretado por Jai Courtney, canastrão sem carisma que não faz diferença alguma ao filme. Mas sua atuação não atrapalha, pois Kyle Reese era um personagem fundamental no filme original, mas está longe de carregar a história como o Exterminador ou Sarah Connor. Ah, pobre Sarah Connor… Após ser uma Lara Croft a frente do seu tempo nas costas da impressionante atuação de Linda Hamilton, virou essa moleca espevitada criada por Emilia Clarke (“Game of Thrones”). O que ela faz com a personagem é digno de vergonha alheia. Parece uma menina usando roupas da mãe para fingir que é adulta. Não convence como heroína, em especial como Sarah Connor, por si só uma das heroínas mais memoráveis do cinema.

Jason Clarke, Matt Smith e J. K. Simmons também integram o elenco, mas não mencionarei sobre seus personagens para evitar spoilers (apesar dos trailers já estragarem as surpresas de qualquer forma).

No final das contas, será que somente James Cameron é capaz de fazer um bom filme sobre O Exterminador do Futuro? Sim, absolutamente sim. Hollywood, por favor, desista.

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