Review: “Super Mario Maker” para Wii U

Recentemente o clássico “Super Mario Bros.” celebrou 30 anos do seu lançamento e a Nintendo encontrou uma forma pouco tradicional de comemorar a data. Poderia ter vindo uma coletânea de jogos antigos ou um novo episódio, mas a empresa optou por um editor de fases. Surge “Super Mario Maker”, um produto da Era Minecraft focado no legado de um dos mais importantes videogames da história.

Diferente de qualquer editor de fases já lançado, pois a maioria deles – por mais simples que fosse – parecia focar muito mais na disposição dos fãs em desenvolver conteúdo para eles próprios. Seja Quake ou Duke Nukem ou Tomb Raider ou Gran Turismo, todas séries que já tiveram editores oficiais, mas cujo público nunca foi além dos fãs ardorosos. “Super Mario Maker” é de uma mágica simplicidade que poderá conquistar qualquer um com o mínimo de criatividade. Mas, infelizmente, irá atrair também aqueles que parecem dispostos a apenas botar o Mario para enfrentar um Bowser voador.

O trunfo do jogo, como já dito, é a simplicidade. Você usa o gamepad do Wii U para desenhar o mapa como se realmente estivesse pintando. Arraste blocos e objetos da forma que você quiser, com um limite bastante aberto para você espalhar todas as moedas que estiver a fim. Objetos podem ser colocados dentro das mystery boxes (aquela icônica caixa com um ponto de interrogação), misturados com inimigos para fazê-los crescer ou voar, e por aí vai… É tão simples que vira uma brincadeira, o que – não tenho a menor dúvida – deve ter sido a intenção da Nintendo desde o começo. Fazer fases de Super Mario pode ser tão divertido quanto jogar suas fases!

E somente sua criatividade é o limite. O editor oferece um belo arsenal de itens inspirados nos jogos 2D da franquia: “Super Mario Bros.” de 1985, “Super Mario Bros. 3” de 1988, “Super Mario World” de 1990 e “New Super Mario Bros. U” de 2013. Alguns itens mudam de acordo com o tema – Mario 3 tem a folha, Mario World tem a pena, Mario U tem o cogumelo hélice – mas a verdade é que qualquer fase pode ser administrada em qualquer cenário. E todos os jogos dividem os mesmos ambientes, como fases aquáticas, casa de fantasma e castelos. Até mesmo os jogos que não tinham esses ambientes. Alguns inimigos se alteram (não existe goomba em “Super Mario World”) e o Yoshi é limitado aos dois últimos jogos. Mas, de uma forma geral, as possibilidades são essencialmente as mesmas.

Portanto entra aí a parte do “você é quem faz o jogo”. Apesar de termos alguns níveis pré-instalados (a maioria apenas para servir de tutorial), não existe campanha ou modo história. O que é justo, convenhamos. Se você quer jogar uma série de fases inspirada em “Super Mario Bros. 3”, você pode baixar logo “Super Mario Bros. 3” no Virtual Console do Wii U. O que a Nintendo oferece aqui, que mais se aproxima disso, é o modo “100 Mario Challenge”, em que o jogador ganha 100 vidas (mais do que o suficiente) para passar de uma determinado número de fases compartilhadas na rede pelos criadores. As fases são aleatórias e podem ser puladas se você estiver tendo dificuldades ou simplesmente não gostar delas. Ao final desse desafio você irá liberar uma fantasia para o tema “Super Mario Bros.” inspirado em personagens da Nintendo – isso também pode ser liberado facilmente utilizando o respectivo amiibo.

Essa ideia é boa e funciona em partes. É boa pois coloca a possibilidade de um modo campanha “infinito” ao jogador. É ruim pois 95% das fases disponíveis na rede são horríveis. Boa parte delas são simples demais, com algum desafio “chocante” como enfrentar três Bowsers gigante ao mesmo tempo. Isso não é uma fase, é um bloco de uma fase, e não demanda criatividade alguma! Outro estilo de fase que me irritou são as chamadas fases “automáticas”, em que o criador coloca uma mola logo no início e o Mario sai pulando em cima de tartarugas e quicando como uma bola de pinball. São 30 segundos de puro balé frenético e absolutamente nenhuma jogabilidade. E, como não existe curadoria na rede de “Super Mario Maker” – não tem como você filtrar fases curtas demais ou automáticas – você fica refém dessas atrocidades. De vez em quando cai em uma fase boa, mas essas fases são muito raras.

Isso não diminui o potencial do editor. Pelo contrário. A Nintendo jogou na mão dos jogadores o legado de “Super Mario Maker”. Existe um expectativa de que ela adicione conteúdo próprio em breve (o que seria ótimo), mas a liberdade está completamente devota o que acontece na cabeça dos criadores. A maioria deles, presumo, não terá a paixão da minoria em criar algo memorável. Mas pode-se dar tempo ao tempo. Quem sabe, passada a onda, a rede de “Super Mario Maker” não ficará concentrada somente em quem realmente tem algo a criar? E, potencialmente, deixar sua marca na história de 30 anos do Super Mario.

Aos interessados, segue abaixo as minhas atuais fases disponíveis. São um pouco difíceis, ok? Então me perdoem pela eventual frustração! (atualizei as imagens abaixo que lhe levarão para o site do bookmark.)  Espero que gostam e, como diria o próprio Mario, “obrigado por jogar”.

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