Review: “A Colina Escarlate” de Guillermo Del Toro

Em determinado momento de “A Colina Escarlate”, a heroína Edith descreve o manuscrito de um livro que está escrevendo como não sendo uma “história de fantasmas”, mas “uma história com fantasmas nela”. O mesmo pode ser dito do filme, que se apresenta como uma história de terror, mas se desenvolve de uma maneira bastante diferente. Essa é uma forma de se ver “A Colina Escarlate”. A outra é achar que é um péssimo filme de terror mesmo.

Tudo começa com Edith, uma americana do início do século XX com tendências a ver espíritos por aí, que conhece o britânico Thomas Sharpe e começa um romance com ele. Após um brutal assassinato em sua cidade, ela resolve se casar com ele para recomeçar a vida em sua mansão na Inglaterra. Lá passa a conviver com sua rigorosa irmã Lucille Sharpe, os mistérios de sua nova moradia e alguns fantasmas. Enquanto que o amigo de infância dela, o médico Alan, continua nos EUA investigando o assassinato que parece ter ligação com os Sharpe.

A narrativa segue o mistério de maneira bastante irregular, muito mais interessada em criar momentos de terror para o diretor Guillermo Del Toro poder executar seu belo estilo, do que para desenvolver algo a respeito da trama. Mas uma história completamente focada na relação entre três personagens, eles são muito pouco desenvolvidos ou interessantes. E a jornada deles, mesmo com mistério, é tremendamente previsível. Não é propriamente um conto de terror – pois não assusta nada – nem um romance – pois não convence – nem um thriller gótico de mistério – pois é clichê. Resta a “A Colina Escarlate” ser um belo filme de se olhar.

A produção é majestosa.

E isso ele é. Para a surpresa de ninguém, pois Del Toro tem um belíssimo estilo, como já demonstrado em produções superiores como os dois filmes Hellboy ou o incrível “O Labirinto do Fauno”. Mas sua direção, mestre em enquadramentos precisos e de uma estética inconfundível, fica presa à história chata. O mesmo problema que se abate com “Círculo de Fogo”, seu último filme, mas aquele tinha o benefício de ter robôs enfrentando monstros. “A Colina Escarlate” não tem nada. É uma história boba, majestosamente bem produzida, mas que afunda no tédio do vazio. Para um filme de terror – que não assusta! – isso é uma falha horrível.

O elenco é liderado por Mia Wasikowska, que desde “Alice no País das Maravilhas” parece ter ficado presa a filmes de época onde interpreta uma moça estranha. Wasikowska é uma boa atriz (adorei ela em “Segredos de Sangue”) que combina com o estilo de Del Toro, mas parece estar limitada a esses papeis que a tornam um pouco repetitiva. Ao seu lado temos Tom Hiddleston, o Loki da Marvel, fazendo pouco com quase nada. Melhor se sai Jessica Chastain, atriz que adoro acompanhar desde que explodiu em “A Árvore da Vida”, pegando de longe o papel mais interessante do filme, a enigmática Lucille Sharpe, e fazendo o melhor possível com ela. A história nunca decola, mas Chastain tenta. Ela tem ótimos momentos no clímax.

Charlie Hunnam, o “quase-Christian Grey”, também está no elenco para não fazer muita coisa. Tecnicamente “A Colina Escarlate” não é um filme ruim. Apenas é entediante. Para esse tipo de produção, não sobra nada a se dizer. No máximo que é belo de se olhar, se você conseguir manter os olhos abertos.

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