Review: “A Visita” de M. Night Shyamalan

O gênero de terror found footage foi essencialmente parido por “A Bruxa de Blair”, fenômeno do cinema de 1999 – mesmo ano de outro fenômeno cinematográfico, “O Sexto Sentido”. Na década seguinte poucos filmes ousaram arriscar nesse estilo, aí surgiu “Atividade Paranormal” e todo mundo resolveu buscar um bico enquanto a vaca ainda produz leite. Com o leite já acabando, eis que surge “A Visita”, um inusitado sucesso do diretor M. Night Shyamalan, que dirige seu melhor filme desde – veja só – “O Sexto Sentido”.

A história é narrada como um documentário pela adolescente Becca, que começa com sua mãe explicando sua adolescência quando ela brigou com os pais e saiu de casa. Quinze anos se passaram e eles entraram em contato com ela novamente, pela primeira vez, querendo conhecer os netos. Que vão então passar uma semana na casa deles, isolada no meio do interior dos EUA. E Becca pretende filmar seu documentário para narrar essa história não resolvida – da briga dos avós com sua mãe.

Esse conceito simples não serve apenas para colocar os adolescentes na situação para ficarem filmando coisas estranhas acontecendo. “A Visita” tem uma história para contar, o que o faz um exemplar raro do estilo. Os clichês estão lá – “por que diabos você está filmando isso?” – e a protagonista é uma metida à cineasta meio irritante, mas a estrutura do filme convence. Uma história é contada, com direito a uma poderosa catarse final, recheada com bons sustos e momentos de humor.

Esses três elementos que elevam “A Visita” como algo bem feito. A forma como ele consegue assustar (o filme em si não é assustador, mas tem sustos) ao mesmo tempo que faz você rir. Seja das piadas ou rir do susto mesmo, que por vezes é engraçado de tão surpreendente. É raro ver um bom filme de horror com bom humor e “A Visita” ainda consegue adicionar um bom drama no final, o que o torna uma combinação ousada de sucesso.

Méritos da direção de Shyamalan, que a gente sabe que é um bom diretor por que ninguém faz algo maravilhoso como “O Sexto Sentido” na sorte. E ele teve uma boa continuidade com “Corpo Fechado” e “Sinais”. Infelizmente foi a partir daí que ele foi piorando sistematicamente. “A Visita” é um digno comeback deste diretor com potencial inutilizado. Será que agora vai?

O elenco conta com Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie e Kathryn Hahn, todos razoavelmente eficazes. Destaque para Dunagan, que interpreta a avó.

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