Review: “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força” de J. J. Abrams

O “Guerra nas Estrelas” original mudou o cinema em 1977. Apesar de ser apenas um simples filme de aventura, sua extrema inventividade inspirou gerações de crianças e adultos (e futuros cineastas) a curtir as tramas de uma galáxia muito, muito distante. Entre princesas, robôs e regimes fascistas, o blockbuster definitivo depois virou “Episódio IV” de uma saga que rendeu duas sequências diretas. Na vira do século XXI, o criador George Lucas voltou com uma trilogia prelúdio, contando a origem do icônico vilão Darth Vader. Os três novos episódios não cativaram a imaginação da mesma forma (apesar de também terem criado novos fãs, como este que vos escreve) e foram criticados por sua trama politizada demais, divertida de menos.

Pois parece que foi ontem que a Disney anunciou ter comprado a LucasFilm de George Lucas, com Star Wars e tudo mais dentro dela. O criador passou sua criatura para frente. Eis que surge o “O Despertar da Força”, o Episódio VII, que dará sequência aos eventos da trilogia original com a promessa de unir os fãs das antigas a uma nova geração de futuros adoradores da Força.

A história se passa 30 anos depois do Episódio VI, “O Retorno de Jedi”, quando Luke Skywalker e seus amigos rebeldes derrotaram o Império quando Darth Vader jogou o imperador num buraco. Agora Skywalker sumiu e a Nova República está sofrendo a ameaça do grupo chamado Primeira Ordem, um bando de maluco que acha que o Império era legal e quer o retorno de uma ditadura por que, sei lá, dormiram na aula de história? (qualquer semelhança com o momento atual do Brasil é mera coincidência) Surge então a Resistência, liderada pela ex-princesa General Organa, que manda um de seus soldados atrás de um robô que teria a localização de uma arma secreta capaz de destruir planetas. Ah, e esse robô acaba caindo em um planeta deserto e é encontrado por uma jovem orfã que embarca em uma aventura pelo espaço a bordo da Millenium Falcon comandada por Han Solo e… Opa! Oi?

Intervenção Militar Já?!?!

A história está parecendo demais com a de um certo Episódio IV, não? Sim. E é. Não chega a ser um remake, evidentemente, mas a estrutura é bem parecida. Ponto por ponto, a narrativa segue um caminho bastante previsível. O apelo evidentemente é agradar aos fãs com a nostalgia, e isso funciona, mas não deixa de ser um pouco decepcionante. Star Wars é famoso pela criatividade, pela invenção de todo um Universo, algo que até mesmo a trilogia prelúdio soube fazer muito bem. Já este Episódio VII não tenta nada de novo nem explica muita coisa. Por que a Primeira Ordem é saudosista do Império? Como a Nova República funciona? Tudo segue a partir do já estabelecido pela trilogia anterior e não adiciona nada à saga.

As adições em termos humanos, entretanto, são o suficiente. Além de algumas boas reviravoltas na trama envolvendo os personagens antigos, os personagens novos são todos muito legais. Desde a protagonista Rey e seu parceiro Finn, até o vilão Kylo Ren que tem potencial para ser um personagem complexo. Até mesmo os coadjuvantes que pouco aparecem, como a Capitã Phasma e o piloto Poe Dameron, são interessantes. Ah, e o androide BB-8? Um show de carisma!

E é nisso que “O Despertar da Força” funciona tão bem. A história pode ser sem graça, mas desenvolve com um bom ritmo. E os personagens são interessantes. Ou seja, tem lá todos os elementos para manter o espectador investido no que acontece. E sim, o filme desperdiça a oportunidade de contar um pouco mais dessa saudosa galáxia, mas convenhamos… É Star Wars. A gente já sabe como é, coube ao roteiro apenas trazer isso tudo de volta em um pacote divertido para agradar. É mera nostalgia? É, mas é uma gloriosa nostalgia.

De volta para casa.

O filme é dirigido por J. J. Abrams, que já dirigiu um excelente Star Wars quando fez o reboot “Star Trek” de 2009. Abrams sem dúvida é um diretor melhor que George Lucas, ao menos tenta fazer enquadramentos interessantes (Lucas só sabia enquadrar em planos básicos) e isso reflete em um filme um tanto mais ágil que qualquer outro da franquia. E sua escolha em agradar aos fãs com nostalgia deu certo. Ele sabia o que estava fazendo e o fez muito bem.

O elenco é encabeçado pela simpática Daisy Ridley e pelo super-simpático John Boyega, ambos com uma química incrível capaz de carregar com facilidade esta nova trilogia sozinhos. O BB-8 sem dúvida vai ajudar também. Adam Driver interpreta o dúbio vilão Kylo Ren, que é malvadão, mas sente tentação pelo lado da luz – ou seja, um Anakin Skywalker invertido. Sua presença é muito boa, apesar da máscara esconder seu rosto, seu corpo fala. Oscar Isaac e Lupita Nyong’o interpretam personagens secundários com potencial para serem melhor desenvolvidos no futuro. E Domhnall Gleeson é um general da Primeira Ordem que faz uma excelente imitação de Adolf Hitler ao discursar. Ah, Andy Serkis também aparece como um holograma gigante malvado.

Da trilogia original vemos o retorno de Harrison Ford como um Han Solo envelhecido (e visivelmente cansado) e Peter Mayhew como o querido Chewbacca. Carrie Fisher dá um pouco de sua graça como Leia Organa e as melhores cenas de diálogo do filme são entre ela e Ford. Os dois ainda tem química e conseguem expor em suas falas todo o histórico entre eles com bastante emoção. “O Despertar da Força” precisava de mais momentos assim. Ah, e Mark Hamill também aparece como Luke Skywalker, mas… Não espere por muito não, ok?

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