Review: “O Regresso” de Alejandro González Iñárritu

“O Regresso” é inspirado na história real de Hugh Glass, um caçador e explorador do século XIX do interior dos Estados Unidos. Glass estaria em uma missão de caça para coleta de pele quando foi atacado por um urso. Apesar de ter sobrevivido, ficou fatalmente ferido e foi abandonado no meio do nada, durante um rigoroso inverno, pelos seus companheiros. Glass, evidentemente, sobreviveu o suficiente para contar a história.

“O Regresso” é tradução do intraduzível “The Revenant”, que significa algo como um retorno da morte. Glass, evidentemente, quase morreu. E algumas vezes. Sobrevive a indígenas que atacam seu campo, a um incrivelmente violento ataque de urso, depois ao abandono, ao frio, á fome, a umas quedas e uns afogamentos aqui e acolá… E ainda tem umas surpresinhas para ele no final da história. Ou seja, dizer que ele foi um sobrevivente é eufemismo. O cara realmente voltou da morte! E não sei nem dizer se foi apenas uma vez não.

O filme, portanto, é um relato de sobrevivência, de resistência. Quem já viu filmes nesse estilo (o recente “Invencível” é uma boa referência) sabe como a narrativa funciona. Sofrimento, sofrimento, sofrimento. “O Regresso” é um longo filme lento sobre um personagem que praticamente não fala, somente geme de dor. Entre cenas de violência visceral – a cena do ataque do urso é traumatizante! – a direção nos premia com belíssimos cenários de natureza, enfatizados fotografia naturalista de Emmanuel Lubezki. Se em algum momento você achar que está vendo um filme de Terrence Malick, o elo é Lubezki mesmo.

Mas a direção, na verdade, é de Alejandro González Iñárritu. E isso fica bastante evidente nas (raríssimas) sequências de ação, geralmente pontuadas por longos tracking shots que são a marca do diretor. Nessas horas sua direção funciona, mas nos momentos mais introspectivos, de clara inspiração no já citado Malick, ele derrapa. Apesar de um início interessante e um clímax tenso e muito bem estruturado, todo o miolo do filme é de um repetitivo tédio. Glass geme, se arrasta, olha para uma vista, geme mais um pouco, vai aí uma tomada de uma gloriosa montanha? Ah, hora de mais gemidos e arrastar com gemidos.

Quem tanto geme e se arrasta por aí é Leonardo DiCaprio, se esforçando ao máximo em demonstrar dor. Ninguém vai questionar o esforço dele em cair nesse aspecto do papel, mas e os outros? DiCaprio é ótimo para criar personagens, mas parece não ter recebido um roteiro que contasse mais do que “Glass geme e sofre”. Apesar de algumas cenas mais violentas em que DiCaprio encarna bem o “animal sobrevivente”, ainda assim ele me pareceu preso a um papel feito apenas para se arrastar.

Melhor se sai Tom Hardy, que de fato criou um personagem vil e cruel. Seu esforço em humanizar as ações dele são visíveis, ao mesmo tempo em que seu olhar contundente não afasta nenhuma dúvida de que o cara é um vilão daqueles. Hardy me impressionou muito, mas muito mais que DiCaprio, não só nas sutilezas como também na capacidade em criar uma pessoa de corpo e alma. O resto do elenco conta com Will Poulter e Domhnall Gleeson, que também sobreviveu a “Invencível”, mas talvez você o reconheça melhor dos excelentes “Ex-Machina” e “Star Wars: O Despertar da Força” – diga-se de passagem, ele rendeu neste ano de 2015, viu?

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