Review: “Carol” de Todd Haynes

Adaptado do romance de Patricia Highsmith, publicado originalmente em 1952 sob o título “The Price of Salt” e pelo pseudônimo Claire Morgan, “Carol” conta a história de amor entre duas mulheres na Nova York dos anos 1950. Highsmith inspirou-se em uma mulher que ela conheceu enquanto trabalhou em uma loja de brinquedos, mas toda a narrativa romântica foi inspirada em um romance anterior que ela teve com uma mulher casada. Apesar desses elementos reais, “Carol” não precisa ser visto como autobiográfico.

A história começa com a jovem Therese trabalhando em uma loja de brinquedos de Nova York, onde avista a bela Carol que compra um presente de Natal com ela, mas esquece as luvas no balcão. O acidente faz com que as duas se aproximem, de uma maneira bastante inusitada. Carol é bem prafrentex. Ela está passando por um divórcio, onde o marido quer a custódia da filha, e as duas embarcam em uma viagem que irá romper com a relação platônica estabelecida entre elas.

Highsmith teve uma relação amorosa com a socialite Virginia Kent Catherwood, que durante os anos 1940 teve que enfrentar um duro divórcio onde fora investigada pelo marido por ter relações homossexuais. O romance entre as duas não durou muito. E quando Highsmith teve o breve encontro com uma mulher loira de casaco de pele na loja de brinquedos, ela misturou as duas personagens em uma e inventou Carol. A tal mulher da loja, Kathleen Senn, suicidou-se em 1951. Kent Catherwood também morreu prematuramente, em 1966, vítima de alcoolismo. Curiosamente, “The Price of Salt” fez bastante sucesso na época por ser um romance lésbico que não terminava em tragédia – como era costumeiro na literatura até então.

Não irei entregar spoilers, mas a relação de Therese e Carol não é muito complicada e realmente não termina em tragédia ou dramalhão. É uma história de amor realista e sincera. Infelizmente peca por não haver grandes eventos na história (fora uma certa reviravolta no segundo ato) e acaba não comovendo tanto quem espera uma história de amor daquelas bem cinematográficas. Quem quiser ver apenas um bom romance com pessoas normais em uma história normal, “Carol” poderá agradar.

A direção é de Todd Haynes, de “Longe do Paraíso” e “Não Estou Lá”. Sua direção é muito boa, com algumas sequências inusitadas e conduzidas de maneira intencionalmente lenta. Como se o diretor quisesse que o público percebesse a leveza e beleza da história. Ele também utilizou muito a iluminação da cidade para criar enquadramentos interessantes. E muitas cenas atrás de vidros embaçados. Tenha ele buscado isso por mera estética, funcionou. Esteticamente, “Carol” é um filme estonteante.

O elenco é liderado por Rooney Mara como Therese e Cate Blanchett como Carol. Ambas muito bem. Blanchett não erra, ao menos eu ainda não a vi errar, e aqui ela dar um ar etéreo à personagem que talvez tenha sido exatamente aquilo que Highsmith viu na tal mulher da loja (segundo descrição da própria). Mara também está excelente como a insegura Theresa,dando um certo ar de Audrey Hepburn em sua ingenuidade. Adoravelmente perdida. Kyle Chandler e Sarah Paulson completam o elenco principal.

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