Review: “Xenoblade Chronicles X” para Wii U

Lançado em 2012 nos EUA após uma danada repercussão sobre a possibilidade de sequer ser lançado por lá, o primeiro “Xenoblade Chronicles” foi um excelente RPG produzido pela Monolith Soft que revelou um expansivo mundo aberto com inúmeras possibilidades de crescimento como franquia. Uma sequência para o Wii U tinha tudo para expandir ainda mais este universo riquíssimo em mitologia para algo ainda mais impressionantes graças às melhores capacidades técnicas do console de nova geração. Mas se você estava doido para reencontrar Shulk e companhia, enquanto explora o titã Bionis e seu irmão Mechonis… Bem, “Xenoblade Chronicles X” talvez não seja o que você espera.

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Mas se você estiver interessado em explorar um novo universo, com novos cenários e um mapa ainda mais gigantesco, talvez vale à pena dar uma nova chance a este imersivo e ambicioso RPG.

A história começa com uma confusa introdução sobre uma invasão alienígena à Terra que fez os humanos fugirem do planeta em gigantescas arcas espaciais. Algumas foram destruídas e outras vagaram pelo Universo, em busca de novos locais para estabelecer colônia. Uma delas, dos Estados Unidos, acabou caindo no planeta Miria. Você controle um personagem encontrado em um pod de fuga por Elma, uma Blade que irá lhe introduzir ao cenário de NLA (New Los Angeles) e missões que você deverá realizar para ajudar os humanos a se estabelecerem no novo planeta.

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“Xenoblade Chronicles X” praticamente não tem uma história, ao menos não nos padrões de outros jogos do estilo – como seu próprio antecessor. O personagem principal, Cross, é na verdade um avatar que você muda a aparência e nome. Como o Link de “The Legend of Zelda”, ele apenas reage aos personagens ao seu redor. Não tem diálogos ou falas. Portanto a história não gira ao redor dele, mas é a respeito do universo que ele explora. Missões são jogadas para você através de um painel, a maioria pequenos objetivos secundários (como coletar certos itens ou derrotar certos inimigos) e outras envolvem tramas maiores. Conforme você avança esses objetivos, novos capítulos do jogo são desbloqueados. A narrativa é focada neles, mas seu desenvolvimento é bastante limitado. A história nunca se torna de fato interessante.

“Xenoblade Chronicles X” parece focar o desenvolvimento através de objetivos que você escolhe. Essa liberdade lembra um pouco a franquia Grand Theft Auto, apesar das missões terem pouca ligação uma com a outra. É como se o jogo fosse focado mais nas side quests do que nas missões principais. Tudo é feito em um ritmo muito lento e dando bastante autonomia ao jogador. O cenário inicial, Primordia, já é completamente explorável desde o primeiro capítulo e com muitos objetivos a realizar. Em “Xenoblade Chronicles” primeiro tinha a Colony 9 e só depois de algumas horas o jogo lhe levava à Gaur Plain, que era quando o jogo finalmente se tornava expansivo e menos linear. “Xenoblade Chronicles X” já começa assim – e Primordia é significativamente maior que Gaur Plain – e, se for de seu interesse, duas igualmente enormes áreas adjacentes também estão acessíveis se você quiser chegar nelas.

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Outro elemento que o jogo introduz são as Skell, espécies de armaduras robôs que você controla. Essa importante habilidade, entretanto, demora mais para aparecer. Somente após o capítulo 6, algo que me demorou 20 horas para eu alcançar… Quando você finalmente tem a opção de pegar sua licença de uso de Skell, e isso envolve uma side quest inicial que se expande em outras oito side quests, o jogo muda. A Skell não é apenas uma armadura legal, irá mudar sua forma de ver o cenário (tudo fica um pouco menor) e gerenciar seu time. Cada Skell funciona como um novo personagem, e “Xenoblade Chronicles X” já tem vários personagens secundários (todos, claro, serão liberados em side quests), com suas próprias habilidades e itens para equipar. E eles também lhe permitem acessar com facilidade certos ambientes que a pé eram inacessíveis.

De posse desta nova habilidade, o jogo fica ainda mais expansivo. E não faltam atividades para se realizar ainda assim. “Xenoblade Chronicles X” não tem apenas um largo mapa com muitas missões. Como em seu antecessor, a aventura tem inúmeras características particulares a serem elaboradas. Acessórios podem ser aprimorados, ou mesmo criados, a partir dos inúmeros itens que o cenário e seus monstros oferecem. A relação de Cross com os outros personagens deve ser trabalhada, inclusive para criar acesso a novas missões. Cada habilidade pode ser evoluída, assim como cada classe tem suas próprias habilidades e acessórios. Além de um modo online para realizar objetivos e enfrentar inimigos junto com outros jogadores. Ou seja, não falta o que fazer em Miria. É uma jornada pouco focada na história, mas com inúmeras ações a se cumprir e administrar.

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E o foco total do jogo está na exploração para realização das missões. Isso pode parecer repetitivo, mas existe variedade o suficiente de cenários e objetivos para manter entretido por um bom tempo. Não que as frequentes missões de coletar objetos que surgem aleatoriamente no cenário não sejam bastante cansativas, mas essas são secundárias e podem ser ignoradas ou deixadas de lado. Os objetivos mais difíceis, por vezes, podem frustrar. Tamanha liberdade de exploração tem seu custo. Os variados cenários são frequentados por monstros de todos os níveis. Às vezes, para chegar em uma área específica de uma missão, você terá que ficar desviando de inimigos de um nível quatro vezes maior que o seu. Em um objetivo em particular, em que eu tinha que derrotar quatro inimigos de nível 15, por algum motivo aleatório fui atrapalhado por um gigantesco monstro de nível 60 que resolveu matar meu grupo inteiro em um golpe só! Não tem remédio para isso: é frustrante mesmo.

Essa frustração aleatória e a repetição inerente do jogo não são para qualquer um. Especialmente para quem tiver pouca paciência para RPGs que duram entre 60 a 100 horas, dependendo do seu foco dos objetivos secundários. “Xenoblade Chronicles X” é um jogo extremamente complexo que pode cansar quem não tem tendência a curtir esse tipo de experiência longa e cheia de detalhes. E quem se encantou com o jogo original por causa do universo em particular ou da história e seus personagens terá mais um motivo para se frustrar, pela ausência de personagens ou narrativa cativantes. Ainda assim, é um jogo que eu recomendo e que me diverti bastante. Me frustrei, me irritei, por vezes fiquei cansado. Mas, indiscutivelmente, fiquei encantando em explorar o planeta Miria, caçar suas criativas criaturas e vislumbrar suas belas vistas. Os fãs de um belo RPG de exploração não podem perder.

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