O aniversário de 20 anos de “Resident Evil”

Exatos vinte anos atrás chegava ao mercado japonês o clássico “Bioharzard”, que chegou ao ocidente meses depois como o nome de “Resident Evil” – era uma época onde a Capcom ainda gostava de traduzir tudo errado por aqui. Talvez pareça que foi ontem, mas não foi não. São duas décadas de várias sequências, inúmeros spin-offs, uma cronologia confusa e alguns filmes muito, mas muito ruins. A série teve seus altos e baixos. Os fãs sempre lembram com carinho de “Resident Evil 2” (1998) e das inovações de “Resident Evil 4” (2005), mas é difícil encontrar alguém aí lúcido o suficiente para defender “Resident Evil 6” (2012).

Era uma vez, em 1996…

Anos se passaram, muita coisa mudou na franquia, mas o primeiro passo segue o mesmo: “Resident Evil” nasceu em 1996 e, ao lado de “Tomb Raider”, foi o jogo 3D que mostrou que o PlayStation poderia dar conta de bater o Nintendo 64. E bateu, especialmente após o estrondosos sucesso de “Final Fantasy VII” no ano seguinte, mas foi com títulos originais que o primeiro console da Sony mostrou ao que veio. Além disso, o gênero survival horror ganhou sua primeira magnum opus. Não há como ver de outra forma: “Resident Evil” é um dos mais importantes jogos de todos os tempos.

E o que aconteceu de lá para cá? Muita coisa. Relançamentos. Adaptações. Remakes. Remasterizações de remakes. Um exclusivo original do PlayStation, vinte anos depois parece meio impossível nunca ter jogado “Resident Evil”. Portanto vamos, de volta ao passado, analisar o histórico desse histórico jogo.

“Resident Evil” (1996) para PlayStation e PC

Na época o gênero de terror em videogames estava dando seus primeiros passos originais com “Alone in the Dark”, mas parece que somente com “Resident Evil” que as raízes viraram tronco. Claro, muito deste último jogo deve ao anterior. Mas “Resident Evil” foi quem definiu as regras a serem seguidas adiante. É o “007 contra Goldfinger” mostrando ao “Satânico Dr. No” como fazer filmes de James Bond. Depois dele vieram “Silent Hill”, “Fatal Frame” e “Eternal Darkness”. Além de inspirar títulos como “Dino Crisis” e, bem mais tarde, “Dead Space”.

A base era tirada de “Alone in the Dark”. A câmera fixa, os controles em tanque que tornavam tudo mais lento, o constante suspense e foco em enigmas e  exploração de salas. E uma mansão abandonada.”Resident Evil” trouxe alguns sustos (a cena dos cachorros pulando nas janelas é histórica), introduziu epidemia de zumbi aos videogames e personagens marcantes. Jill Valentine e Chris Redfield ainda são alguns favoritos dos fãs. Os diálogos, absurdamente ruins e piorados por uma edição sonora robótica, ficaram na memória. “Hope this is not Chris’ blood”. “You were almost a Jill sandwich”. O jogo acertou em muita coisa e virou um clássico instantâneo. Hoje em dia sua influência parece diminuída, considerando o tanto que o gênero perdeu espaço na indústria. Mas como a série deu um jeito de se reinventar com “Resident Evil 4”, o nome continuou relevante. E muita gente sente falta do estilo tradicional da franquia. É esperar para ver que caminho a série seguirá de agora em diante. “Resident Evil 6” deixou sinais claros de cansaço do estilo mata-mata.

A Capcom ainda não anunciou formalmente o “Resident Evil 7”, mas confirmou a produção de um remake de “Resident Evil 2” que deverá seguir os passos do clássico original.

“Resident Evil: Director’s Cut” (1997) para PlayStation

Essencialmente o mesmo jogo, mas com extras que serviram para os fãs saciarem a expectativa de “Resident Evil 2”. O jogo vinha com algumas novidades, mas a principal era um modo remix que mudava a ordem dos itens e alterava alguns enigmas. Esta versão ainda foi relançada em 1998 com compatibilidade Dual Shock, que adicionava controles analógicos – mas mantinha a jogabilidade em estilo tanque, portanto não fazia tanta diferença assim.

“Resident Evil” (2002) para GameCube

Meros seis anos após o lançamento original, o primeiro jogo da série ganhou um remake. E do salto do PlayStation para o GameCube a diferença foi gritante, mesmo que o espaço de tempo pareça pouco. Afinal estamos falando do salto de um console 32-bits para 128-bits! Na época a Capcom anunciou que a franquia iria passar a ser exclusiva de consoles Nintendo (foi um rebu para os fãs de PlayStation), com o sistema ganhando versões de todos os jogos da série até então. Mas a estreia da série renderia um remake completo. O jogo era basicamente novo, com novas áreas, inimigos, controles e – em principal – gráficos espetaculares. Como foi um título exclusivo para o GameCube por anos, junto com seu prelúdio “Resident Evil Zero”, poucos chegaram a jogar essa pérola. Mas isso não impediu este de ser um dos mais louvados remakes de todos os tempos e considerado, por muitos, a melhor versão do estilo tradicional da franquia.

O jogo mais tarde foi portado para o Wii, sem nenhuma alteração.

“Resident Evil: Deadly Silence” (2006) para Nintendo DS

No aniversário de 10 anos do primeiro jogo, a Capcom lançou uma nova versão para o popular portátil da Nintendo. Ao invés de buscar o remake como referência, a empresa simplesmente pegou o jogo de PlayStation e colocou na tela dupla do aparelho. Algumas novidades foram incluídas, inclusive um modo que permitia você usar a touch screen para dar facadas ou o microfone para assoprar a ressuscitar os amigos. Foi um projeto experimental que não deu muito certo. E, com tantas opções de um mesmo clássico para jogar, provavelmente não será uma em que você tem que ficar assoprando que irá escolher, né? Mas para os fãs, é uma curiosidade interessante.

“Resident Evil HD Remastered” (2015) para PlayStation 3, Xbox 360, PC, PlayStation 4 e Xbox One

Após anos como um clássico cult de consoles Nintendo, o remake finalmente ganhou uma versão para outros sistemas. Fãs do PlayStation, Xbox e usuários de PC puderam jogar esta pérola com um tremendo atraso de 13 anos (!!!), mas antes tarde do que nunca, não? Em contrapartida, receberam gráficos em HD que serviram para valorizar o que já eram maravilhoso em 2002 e pouco perdeu seu encanto após tanto tempo. O jogo também recebeu algumas alterações nos controles e nos extras. É a versão definitiva de um clássico que merece ser experimentado por todos que tiverem curiosidade na franquia.

Mas para quem tiver real curiosidade na história dos videogames, a melhor opção sempre será retornar ao original de 1996. É um jogo defasado, com gráficos ruins e controles que não envelheceram bem. Assim como o “Tomb Raider” do mesmo ano, certas características simplesmente se tornaram arcaicas, como uma relíquia de tempos menos interessantes. Comparados a “Super Mario 64”, por exemplo, é visível o quanto o clássico da Nintendo estava à frente do seu tempo. Não que isso faça tanta diferença assim. Como produto do seu tempo, “Resident Evil” é um marco. E merece ser revisitado pela experiência de entender em como os videogames evoluíram. Uma pena que a indústria pareça ter desistido do estilo survival horror. Mas para os fãs, clássicos sempre serão atuais.

Em celebração final a estes 20 anos, coloco aqui a abertura original do jogo filmada com atores reais. Um clássico da breguice que somente seria possível nos anos 90 mesmo. É tosco, mas símbolo de um época.

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