Review: “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” de Zack Snyder

Ambicioso projeto dos estúdios Warner para criar um universo cinematográfico dos heróis da DC Comics nos moldes do bem sucedido experimento da Marvel (que começou em 2008 com “Homem de Ferro” e deslanchou de vez em 2012 com “Os Vingadores”), “Batman vs Superman” também tem por trás de si todo o hype de unir dos dois mais populares heróis dos quadrinhos de todos os tempos. Superman não é mais aquele borogodó todo, por estar muito associado a valores conservadores demais, mas ainda é universalmente reconhecido. E Batman é, indiscutivelmente, o herói mais popular do momento, principalmente depois do impacto pop da trilogia Cavaleiro das Trevas.

Portanto a carga de expectativa por trás desse projeto não é pouca. É unir duas figuras icônicas, uma delas incrivelmente popular, com o potencial de carregar para frente toda uma linha de filmes previstos para até 2020! Nem a Marvel teve que lidar com tamanha pressão. Resumo da introdução: “Batman vs Superman” tem a obrigação de funcionar.

A história é uma continuação direta de “O Homem de Aço“, que terminou com o super-herói impedindo uma invasão alienígena que iria destruir o planeta, mas ao mesmo tempo participando de maneira indireta da catástrofe que fez metade de Metrópolis virar cinzas. Muita gente viu o herói como salvador (de fato ele impediu a extinção da humanidade), mas outros viram sua participação como a causa do conflito inteiro (de fato foi ele que indiretamente trouxe Zod para invadir a Terra). E o Batman, que estava lá em Metrópolis, faz parte desse pessoal que não vê Superman com bons olhos. Quem também não gosta da chegada de um alienígena superpoderoso é outro empresário, o jovem Lex Luthor.

O primeiro ato do filme divide as atenções entre uma trama da Lois Lane investigando uma misteriosa bala, Bruce Wayne investigando um misterioso mercenário e Lex Luthor tentando convencer uma senadora a trazer kriptonita encontrada no fundo do mar para Metrópolis. Junto com isso temos algumas montagens de figuras aleatórias discutindo o impacto de Superman no mundo. O filme tem algo a dizer, sobre o poder de figuras quase mitológicas em nosso mundo. Qual a repercussão de um ser com poderes ilimitados e capaz de destruir cidades inteiras? Até que ponto a interferência do Superman deve ser vigiada? Quem vigia os vigilantes? Sim, roteiro de Chris Terrio e David Goyer quer ser uma espécie de “Watchmen” com personagens da DC, coisa que o próprio Alan Moore tentou fazer originalmente.

Mas tem um problema: o primeiro ato não funciona. Chega a ser caótico. As tramas estão desconexas e a discussão é fútil. São boas frases em bons diálogos, mas nada é desenvolvido. Quando o filme pula para o segundo ato, com a proximidade do conflito entre Batman e Superman, os temas desaparecem. Agora o drama é sobre quando eles vão começar a bater um no outro, mas a ideia do por que isso é inevitável não convence. Somado ao fato de que a história perde um tempão somente em blá blá blá vazio, sem ação para amarrar nada, e “Batman vs Superman” tem um começo entediante e confuso.

As coisas melhoram com o final da luta dos dois? Sim. As tramas convergem, Lex Luthor é revelado um grande articulador (algo que ele deveria ser mesmo) e os dois heróis trocam uns tapas. O clímax é interessante, principalmente com a inclusão da Mulher Maravilha – pense nela como o Hulk do primeiro “Os Vingadores”, bastam cinco minutos para roubar a cena. Mas aí já é tarde. Quando um roteiro passa um ato inteiro confuso sobre o que quer dizer, um segundo ato tentando amarrar isso apenas para introduzir um conflito final, algo está errado. A edição não ajuda, pois fica claro que “Batman vs Superman” foi despedaçado no processo de tentar ser coeso. Acaba não sendo. E quando a parte do boa do filme, a discussão temática, é interrompida com algumas absolutamente desnecessárias cenas de sonho (ô Batman que gosta de tirar uma soneca!) e forçadas inclusões de cameos da Liga da Justiça, fica claro que uma boa ideia foi desperdiçada com o intuito de estabelecer conflitos por estabelecer.

Ficasse o filme somente na indagação de seus temas, teríamos ao menos algo para conversar a respeito. Seria culpa do roteiro ou do diretor Zack Snyder? Gostei do que Snyder fez com “O Homem de Aço”, mas visivelmente isto aqui não é uma continuidade do estabelecido no filme anterior. Esta não é uma sequência de uma história do Superman com o Batman nela, mas uma bagunça da DC Comics. Snyder tem potencial para dirigir uma boa versão de “Watchmen” (fez isso em 2009), mas alguém freou suas ideias. Resta a ele colar alguns bons momentos visuais, como a cena de créditos iniciais ou o prólogo de Bruce Wayne em Gotham. Já no clímax ele repete o excesso de efeitos especiais de “O Homem de Aço”.

O elenco é liderado por Ben Affleck sendo introduzido como Batman. Após aquele fuzuê todo de sua escolha, ele se sai muito bem. Tem potencial para ser um excelente Batman em um filme solo dele. Como mero antagonista ao Superman, ele acaba rendendo pouco. O próprio Superman é novamente interpretado por Henry Cavill, que já se saiu bem no papel antes, mas continua preso em uma direção que não deixa seu personagem criar asas. Cavill é um ator simpático (veja ele em “O Agente da U.N.C.L.E.“), mas está duro como uma estátua, coitado. Alguém, pelo amor de Deus, deixa o moço sorrir!!

De volta de “O Homem de Aço” temos Amy Adams como Lois Lane, Laurence Fishburne como Perry White e Diane Lane como Martha Kent (a sua resposta ao encontrar Batman pela primeira vez é brilhante). Jesse Eisenberg é introduzido como um Lex Luthor meio palhaço (meio Coringa?), bastante autoritário e ameaçador. Sua atuação não irá conquistar a todos, mas me conquistou. Achei o ponto alto do filme, principalmente sendo ele quem amarra os confusos dois primeiros atos. Está um pouco exagerado nos maneirismos, mas funciona. Gal Gadot é introduzida também como Mulher Maravilha em estilo “nasce uma estrela” (já estou na expectativa por seu filme solo ano que vem), mas são apenas cinco minutinhos no final. Maravilhosos cinco minutos, claro! Holly Hunter também está bem como a senadora que quer discutir a figura do Superman e tem ótimos momentos de diálogos com Eisenberg. Repare em sua boa cena no comitê do Capitólio.

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