Review: “Rua Cloverfield, 10” de Dan Trachtenberg

Ao ser lançado em 2008, “Cloverfield – Monstro” aparentava ser mais um filme que tentava misturar qualquer gênero com o estilo found footage – que ainda não havia encontrado seu ápice em “Atividade Paranormal”, mas já caminhava rumo ao lugar comum. Mas o sucesso deste projeto se deu muito mais ao hype em torno de um lançamento misterioso promovido via marketing viral, muito antes deste termo sequer entrar em nosso vocabulário. O monstro Cloverfield, em si, não rendeu boca a boca. E não estimulou Hollywood a lançar sequências.

“Rua Cloverfield, 10” recebe o nome do monstro, mas não tem ligação nenhuma com ele – fora o fato de também ser produzido por J. J. Abrams. O nome do produtor ajuda a criar familiaridade. Mas insisto: este novo lançamento não tem nada em comum com o outro na narrativa.

A história mostra Michelle, uma jovem saindo de casa após brigar com o namorado, e sofrendo um acidente na estrada. Ela acorda presa em um bunker, onde um misterioso homem chamado Howard diz que ocorreu algum ataque nuclear e eles não podem sair de lá para não serem contaminados. Junto com os dois está o caipira Emmett, que conhece Howard e acredita na história dele. Michelle logo suspeita que Howard é maluco, no mínimo pelo perfil de conspirador que construiu um bunker pois sempre soube que soviéticos – ou terroristas, ou marcianos – iriam atacar. O plano de Michelle é tentar fugir de lá. Mas esses são apenas os primeiros 20 minutos do filme. De resto? Faça questão de não saber mais nada!

“Rua Cloverfield, 10” brinca com as expectativas. Apresenta-se como uma coisa, vem uma reviravolta e se torna outra, vem outra reviravolta e muda novamente. Não saber de nada o que está acontecendo é o diferencial, trás ao filme um ar de algo incrivelmente único. Não é totalmente, na verdade achei a temática um pouco similar a “O Abrigo” de Jeff Nichols, lançado em 2011. Mas o resultado é bastante diferente. E, sem dúvida, no meio dessa overdose de overdose de gêneros, uma narrativa que navega entre suspense e terror e pós-apocalíptico irá encantar qualquer um que quiser se surpreendido.

E aí eu volto ao início desta resenha: o que há de Cloverfield neste filme? Exatamente o mistério. “Rua Cloverfield, 10” foi lançado do nada (o primeiro trailer revelado alguns meses antes do lançamento) e sem dizer do que se trata, nem mesmo que era uma sequência direta de “Cloverfield – Monstro” ou ao menos um spin-off. Não é nenhum dos dois. Mas divide em essência essa aura de surpresa, provavelmente uma ideia do produtor J. J. Abrams para criar uma série que não se revele com facilidade. Mesmo que você não tenha visto graça no filme do Monstro, dê uma chance novamente a Cloverfield, pois este episódio é bem melhor.

O elenco é encabeçado por Mary Elizabeth Winstead (“Scott Pilgrim contra o Mundo”), em uma vibe sobrevivente de terror. Sua personagem passa por um simples, mas funcional arco. Um bom exemplo de narrativa concisa, focada. Emmett é vivido por John Gallagher Jr., que eu nunca vi na vida, mas achei simpático. John Goodman é um paranoico Howard, que tem um passado misterioso que é lentamente revelado ao longo da história. Um ator de currículo incrível como Goodman mostra serviço com facilidade e merece muito elogios por criar um personagem sutilmente complexo. Impossível elogiá-lo mais sem entrar em spoilers.

A direção é do estreante em longas Dan Trachtenberg, que mostra habilidade para dominar múltiplos gêneros. Se “Cloverfield – Monstro” ajudou seu diretor Matt Reeves (também estreante) a seguir com os excelentes “Deixe-Me Entrar” e “Planeta dos Macacos: O Confronto”, seria exagerado esperar um futuro promissor para Trachtenberg? Tomara que daí saia algo.

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