Review: “Capitão América: Guerra Civil” de Anthony Russo e Joe Russo

Dando continuidade aos eventos de “Vingadores: Era de Ultron” e iniciando a terceira fase do Universo Cinematográfico Marvel, “Capitão América: Guerra Civil” se anuncia como uma espécie de “Vingadores 2,5” já que reúne boa parte do elenco do filme anterior – tirando o Hulk e o Thor. Mas a produção remete muito mais ao “Capitão América 2: O Soldado Invernal” mesmo, inclusive no arco da história do protagonista. Apesar de ser um blockbuster com um bando de herói junto, a trama remete a algo um pouco mais intimista.

Como já dito, a história começa exatamente de onde o último Vingadores parou. Os novos Vingadores, liderados pelo Capitão América, vão a uma missão em Lagos, na Nigéria, atrás de um terrorista que sobreviveu de “Capitão América 2”. Ele é capturado, mas um acidente faz com que alguns civis morram também. Os Vingadores são responsabilizados e a ONU resolve interferir. O Capitão é contra ter o grupo sendo controlado por governos, cuja agenda muda de acordo com o interesse do Eduardo Cunha, errr, quer dizer… Bem, entra o Homem de Ferro, a favor do tratado global, pois percebe que suas ações tem consequências negativas nos humanos normais.

O primeiro ato relata esse conflito, sem conflito, em que os amigos discordam, mas não brigam. Entra o retorno do Soldado Invernal, responsabilizado por outro ataque e, portanto, se tornando alvo número um do planeta inteiro. O Capitão América quer defender o amigo, por acreditar em sua inocência, ao mesmo tempo que um misterioso Coronel Zemo (nos quadrinhos ele é Barão) parece querer usar esse conflito a seu favor. Existe Guerra Civil? Nenhuma, dá até para processar a Marvel por publicidade enganosa. Mas o clima esquenta e, para defender seu amigo Bucky, Capitão América e seus amigos saem nos tapas com Homem de Ferro e seus amigos.

O confronto, demorado e preso por um lenga-lenga raso e sem debate algum (apesar das boas intenções do roteiro em fingir que discute um tema), vem e chega com tudo. Sem querer entregar muito, mas a cena do aeroporto de Berlim é um estudo de coesão cinematográfica! A direção merece aplausos pela maestria com a qual articulou o duelo, dando chances a cada herói mostrar um pouco do seu poder contra cada rival. Todo mundo tem seus cinco minutos de fama. A estreia do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel é com o pé direito, pois suas cenas neste confronto são divertidíssimas. Assim como a inclusão do Homem-Formiga que é responsável pelo, talvez, ponto alto do conflito. E ainda sobra espaço para uma reviravolta dramática interessante no clímax, resultando em dois atos finais empolgantes. Apesar do filme terminar de uma forma que não conclui arco nenhum, o que é uma pena.

Sem querer jogar o tititi Marvel vs DC no meio, mas vale comparar isto aqui com “Batman vs Superman: A Origem da Justiça“, filme de temática similar. Ambos lidam com heróis se enfrentando por um conflito articulado por um vilão nas sombras, ambos lidam com o papel de super-heróis em um mundo real, com política e consequências sociais. Prefiro fazer comparações diretas entre os filmes em outra oportunidade. Mas pode-se dizer com facilidade que, ao apostar em uma trama mais simples e focada nos motivos honestos (apesar de mal desenvolvidos) de seus protagonistas, a Marvel conseguiu criar um resultado muito mais interessante do ponto de vista narrativo. E empolgante, do ponto de vista cinematográfico. Só a cena do aeroporto já vale a investida no confronto.

A direção é da dupla de irmãos Anthony e Joe Russo, os mesmos do último Capitão América. Eles melhoraram um pouco na visualização das cenas de ação, que já eram bastante boas antes. O foco, novamente, é nas coreografias, não no espetáculo. Não que as sequências não sejam espetaculares, ou absurdas, mas são bem menos dependentes e explosões ou excessos. Todos os momentos de ação são focados em bem editadas coreografias de luta. Não repetiram o erro do clímax de “Capitão América 2”, sem dúvida! E criaram uma das mais empolgantes cenas de ação do cinema de super-herói, portanto merecem aplausos somente por isso.

O elenco é liderado por Chris Evans em sua quinta aparição como Capitão América (que desde 2011 já repetiu o papel mais vezes que Daniel Craig como James Bond!). Continua bastante eficaz e charmoso, assim como sendo o único personagem da Marvel com algum arco narrativo que cresce a cada filme. Robert Downey Jr. faz o Homem de Ferro também pela quinta vez, num papel que ele já estava confortável desde 2008. Retornando do elenco do filme anterior do herói temos Scarlett Johansson como Viúva Negra, Anthony Mackie como Falcão, Sebastian Stan como o Soldado Invernal e Emily VanCamp. Retornando do último Vingadores temos Jeremy Renner como Gavião Arqueiro, Elizabeth Olsen como Feiticeira Escarlate, Paul Bettany como Visão e Don Cheadle como Máquina de Guerra. Além de Paul Rudd retornando como Homem-Formiga. Ufa! Quanta gente! Resumão de todos esses coadjuvantes? Mais do mesmo. Nenhum deles tem tempo de fazer nada e não parecem interessados em tentar.

As novidades do elenco se resumem a Chadwick Boseman como Pantera Negra e Daniel Bruhl como o vilão Zemo. Ambos eficazes, mas sem grandes destaques em sua atuação. (O Pantera Negra sei sai melhor automaticamente por que o personagem é maneiro) E também temos a estreia de Tom Holland como novo Homem-Aranha. Sua introdução no filme é uma espécie de Mulher Maravilha do supracitado “Batman vs Superman”, cujo alterego é mero coadjuvante à trama até sua versão herói roubar a cena no clímax. Holland já havia me causado uma incrível impressão positiva em “O Impossível” de Juan Antonyo Bayona. Aqui ele mostra um carisma incrível, não apenas na cena do aeroporto. Sua primeira aparição é com um diálogo com Tony Stark e digo, sem receio algum, que Holland dá conta de dividir cena com o showman Downey Jr. Nasce uma estrela? Pode apostar.

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