Review: “X-Men: Apocalipse” de Bryan Singer

O diretor Bryan Singer entra em seu quarto filme da saga X-Men, após o sucesso de público e crítica de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido“. Encerrando a trilogia “viagem no tempo” que iniciou-se com “X-Men: Primeira Classe” em 2011, agora os mutantes estão nos anos 80 enfrentando a ameaça do icônico vilão Apocalipse, bastante famoso pelos fãs dos quadrinhos e do desenho animado dos anos 90. Este já é o sexto filme da saga central dos heróis, mas contando spin-offs de Wolverine e Deadpool, é o nono episódio desde 2000. Portanto, não se surpreenda com certos sinais de cansaço.

O filme começa com uma boa introdução ao vilão mostrando sua origem no antigo Egito, antes de ser soterrado e esquecido. Após um salto no tempo até 1983 (muito bem representados pela criativa animação dos créditos de abertura) e chegamos aonde “Dias de Um Futuro Esquecido” nos deixou. Charles Xavier está liderando uma escola de mutantes, a Mística está por aí procurando mutantes perseguidos e Magneto segue uma vida pacata na Polônia. Ao mesmo tempo a agente da CIA Moira MacTaggert (de “Primeira Classe”) está investigando um culto a um misterioso mutante e acaba – meio que sem querer – liberando-o de sua tumba. Esse mutante, claro, é o Apocalipse, que irá passear pelo planeta procurando seus quatro cavaleiros.

É muito para o primeiro ato introduzir e tem ainda mais. Somos reapresentados a Scott Summers descobrindo seus poderes e conhecendo Jean Grey. Além do retorno sem grandes eventos do Fera e Mercúrio, que não estão conectados com o evento central do filme. O Apocalipse, em si, só se torna uma ameaça no segundo ato, portanto toda a primeira parte da história é um apanhado de “por onde estavam” os antigos personagens, enquanto introduz novos heróis, ao mesmo tempo que mostra o vilão juntando seu exército. Com isso temos um primeiro ato sem eventos, somente desenvolvimento fraco, sem amarrar nenhum arco à narrativa central. Reduzindo tudo a um verdadeiro tédio.

Go go Power Rangers?

As coisas melhoram significativamente no segundo ato. Quando Apocalipse tem a oportunidade de mostrar seu poder ao mundo, ele se revela uma poderosa ameaça. Depois somos apresentados a uma cena bastante legal de Mercúrio usando seus poderes e então os X-Men finalmente partem para a sua aventura, culminando em um clímax bastante emocionante e ativo. Tudo se amarra direitinho e prepara a próxima aventura dos heróis a um cenário familiar aos fãs das antigas – os anos 90 prometem! Mas a verdade é que a história deste filme em si não decola. Apocalipse é uma ameaça boa, mas como personagem é extremamente chato. Charles Xavier e Magneto são os mutantes de destaque, como sempre deveria ser (foi mal Wolverine), mas suas histórias apenas servem para amarrar o arco iniciado em “Primeira Classe”, sem ter nenhum impacto significativo no final das contas. E a Mística, oficialmente encaminhada como heroína por motivos de “a atriz ganhou um Oscar”, apenas anda por aí e fala coisas. Ela não tem nenhum arco e sequer participa da ação ativamente.

O elenco é liderado novamente por James McAvoy como Charles Xavier e Michael Fassbender como Magneto. Eles já mostraram que sabem ser os personagens e aqui pouco inovam, mas estão perfeitamente eficazes e fazem o melhor com o que lhes é dado. Jennifer Lawrence é novamente a Mística sem misticismo, novamente se esforçando o mínimo apenas para pegar o cheque no dia do pagamento. A personagem é muito legal e Rebecca Romijn fez um trabalho muito superior com incrivelmente menos para fazer. Chega a ser um resultado patético para uma atriz indicada ao Oscar quatro vezes e que não consegue atuar melhor falando o filme inteiro do que outra atriz o fez como muda em cinco minutos de cenas.

De volta dos filmes anteriores temos Nicholas Hoult, Evan Peters, Rose Byrne e Lucas Till. Nenhum deles faz nada de interessante. Introduzindo ao elenco aparece Tye Sheridan como Ciclope, Sophie Turner como uma Jean Grey já-superpoderosa-demais, Olivia Munn como Psylocke, Ben Hardy como Anjo, Alexandra Shipp como uma Tempestade apagada (e ainda assim melhor que a Halle Berry) e Kodi Smit-McPhee como um Noturno servindo de alivio cômico. O carismático Oscar Isaac é o vilão Apocalipse, tentando ao máximo soar o mais ameaçador possível, mas sendo constante atrapalhado pela edição de som que insiste em ficar mudando a voz do vilão o tempo inteiro. Uma escolha muito ruim.

A direção é de Bryan Singer, experiente pois já fez três bons filmes dos X-Men, mas este seu quarto é o mais fraco. Eu diria que “Apocalipse” é tão bom quanto “X-Men: O Confronto Final” de Brett Ratner, infame capítulo final da primeira trilogia. Só para deixar claro, não faço parte daqueles que desprezam o filme de 2006. Sempre o considerei divertido e eficaz. Mas memorável, realmente, ele não foi. Nem é “Apocalipse”. Singer consegue aproveitar o máximo dos seus heróis na ação (principalmente no clímax, onde os X-Men finalmente funcionam como X-Men pela primeira vez na saga toda!), mas o roteiro não lhe entrega nada e ele tira leite de vaca da atuação dos sempre competentes McAvoy e Fassbender. De resto, não sai nada. Mas as sequências de ação são espetaculares.

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