Review: “Deadpool” de Tim Miller

O gênero dos quadrinhos já pode se considerar extremamente estável agora que um personagem como Deadpool consegue seu próprio filme! O coadjuvante dos X-Men, que teve sua popularidade aumentada ao longo dos anos por seu estilo próprio que rende infinitos memes na internet, é um herói completamente fora do padrão. Não só por seu jeito sarcástico e violento, mas em especial por ter o superpoder único: ele sabe que é um personagem dos quadrinhos. Portanto fazer um filme de super-herói de comédia, violento e com metalinguagem não é uma tarefa fácil. Mas isso aconteceu.

(e aconteceu antes de um filme da Mulher Maravilha, vai entender…)

“Deadpool” segue um padrão narrativo similar ao de “Batman Begins” (2005) ao navegar entre o tempo presente e flashbacks que mostram com o herói surgiu. Wade Wilson era um mercenário que trabalhava com gente ruim para se livrar de gente pior ainda. Um dia se apaixonou por Vanessa, uma stripper, e “viveu feliz para sempre” por um tempo. Descobriu que tinha câncer e iria morrer. Para tentar evitar isso, ofereceu-se como cobaia a um projeto que produz mutantes. Ele acabou virando então um, só que bastante feio. Com vergonha de revelar sua nova face para Vanessa, resolveu ir atrás do responsável pela cirurgia para se vingar.

A história é simples, essencialmente uma narrativa que vai do ponto A ao B sem grandes reviravoltas ou mistérios. A ideia de narrar passado e presente ao mesmo tempo é apenas um truque para deixar o ritmo menos linear. E permitir Deadpool fazer mais intervenções como narrador, já que ele necessita interagir com o público para justificar a tal metalinguagem – e o personagem fala o tempo inteiro mesmo, então tem sentido que ele fique falando o que está acontecendo. O resultado é bastante funcional, com um porém: a piada não dura muito.

“Deadpool” é uma comédia, mas não daquelas tradicionais, com sequências e cenas que se constroem para ter algum gancho de humor final. Ou seja, como uma piada na vida real funciona mesmo! Não, o filme tem humor e tem tiradas humorísticas, mas não tem necessariamente piadas. Ou cenas de comédia. A piada é, fundamentalmente, o próprio filme. Ou ao menos o personagem, sarcástico e cheio de referências. Pense em um Woody Allen que cresceu nos anos 90 e se acha engraçado. Esse é Deadpool. Ou ao menos os roteiristas de “Deadpool” são assim… Rhett Reese e Paul Wernick (ambos de “Zumbilândia”) sem dúvida entendem muito bem o motivo do sucesso do personagem. Mas aquilo que funciona em algumas páginas de quadrinhos não necessariamente funciona em um filme por 2 horas seguidas.

Pois a piada de “Deadpool” é boa, mas cansativa. Não há nada que o personagem diga em 5 minutos da cena inicial que ele não repita incessantemente durante a história. Seja durante um diálogo com o amigo no bar, durante uma cena de ação enquanto esquarteja um vilão ou narrando o passado. Deadpool fala o tempo inteiro, mas não consegue falar muito mais do que a mesma piada sobre como ele é um herói diferentão. Ou repetir umas três vezes alguma piada sobre a Sinéad O’Connor. Sério? Sinéad O’Connor? Consigo entender quem irá achar o filme hilário e ficará profundamente entretido o tempo inteiro. Mas, para isso acontecer, você realmente tem que ter uma tolerância ao estilo repetitivo, em prol de um estilo inusitado. Se o mero fato de ser alternativo não lhe for o suficiente, “Deadpool” vai lhe cansar.

O protagonista é interpretado por Ryan Reynolds, que já tentou o papel em “X-Men Origens: Wolverine” e também outro super-herói com o Lanterna Verde. Ambos com resultados fracos que viraram piadas aqui. Reynolds de fato tem um estilo incrivelmente apropriado para o papel, daquele jeitão “nasci para isso”. Mas para quem já assistiu o ator em filmes de comédia vai perceber que sua atuação aqui é algo bastante similar. Ou seja, ele nasceu para ser Deadpool, mas não necessariamente esteja atuando como Deadpool. Ele simplesmente lê o roteiro com incrível naturalidade. Não deixa de ser um resultado positivo, de qualquer forma. Ao seu lado temos Morena Baccarin, T. J. Miller e Ed Skrein. Mas o filme é feito para o Reynolds carregar nas costas.

O filme é dirigido por Tim Miller, sua estreia na direção após alguns trabalhos como roteirista e supervisor de efeitos visuais. Ele não causa nenhuma impressão, nenhum estilo. Parece que todo a visão do filme é originária do roteiro e da atuação de Reynolds, com a direção servindo apenas de cola. Não que seu trabalho seja fraco, pelo contrário, mas não chama a atenção.

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