Review: “A Bruxa” de Robert Eggers

“A Bruxa” é inspirado em relatos históricos dos Estados Unidos durante o período colônia que antecedem os julgamentos das bruxas de Salém. Alguns de seus diálogos são retirados diretamente de textos da época e certos eventos são retratados conforme se acreditavam serem fenômenos de bruxaria e possessão demoníaca. O retrato realista de fatos passados é refletido em uma fotografia naturalista (as cenas noturnas são sempre iluminadas apenas por velas ou a luz da Lua nas externas) que deixa tudo com um ar praticamente documental. “A Bruxa” é um filme de terror, mas seu ritmo não condiz com o que os fãs do gênero podem esperar.

A história começa com uma família Amish da Nova Inglaterra sendo expulsa de sua vila e encontrando um novo local para viver, em um vale cercado por uma floresta. Eventos ocorrem que colocam a família (os pais e seus quatro filhos) em estado de medo. A filha mais velha, Thomasin, é a mais calma perante toda a situação, enquanto sua mãe entre em estado depressivo e reza o tempo inteiro. As coisas pioram e a situação da família entra em estado de loucura quando um começa a acusar o outro de bruxaria.

A história de “A Bruxa” faz certa alegoria ao fanatismo religioso, mas isso é mais derivado do fato da narrativa ser inspirada em fatos reais. Contar uma história da perseguição às bruxas dos EUA do século XVII sem entrar em fanatismo religioso e o mal que isso pode causar na sociedade é impossível. Fato é que o filme deixa bem claro o perigo de se acreditar cegamente em fatos ligados a pregação dogmática. Mas não se engane em achar que tudo isso é apenas alegoria. Existe sim uma bruxa na história e ela faz parte da trama central.

O foco é mostrar um conto de terror psicológico sobre uma camada gótica. Não existem grandes sustos ou cenas de suspense, ou uma bruxa malvada cometendo assassinatos. “A Bruxa” usa o pânico da família para deixar o espectador em uma constante sensação de perturbação. As pouquíssimas cenas de violência em nada se assemelham ao que a gente via nos torture porn da década passada, mas são incrivelmente eficazes exatamente por darem continuidade a uma estrutura de desconforto preestabelecida. Uma gota de sangue pode ser mais assustadora que mostrar um corpo completamente extirpado, basta saber usar aquela gota de maneira eficaz.

O filme é escrito e dirigido por Robert Eggers, em sua estreia em ambos. Eggers tem um ótimo olhar para narrar a situação e, junto com a brilhante fotografia de Jarin Blashke, cria uma narrativa realista e profundamente assustadora, sem necessitar de recursos clichês do gênero terror. “A Bruxa” é um filme de horror bastante eficaz, mas com ritmo lento e sem nenhuma sequência de suspense propriamente dita. O resultado é mais incômodo do que assustador, algo bastante inusitado. E apropriado, para o tema abordado em questão.

O elenco conta com Anya Taylor-Joy (excelente), Ralph Ineson, Kate Dickie e Harvey Scrimshaw.

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