Review: “À Beira Mar” de Angelina Jolie

Após o sucesso comercial de “Invencível”, os estúdios Universal deram a Angelina Jolie a oportunidade de fazer o filme que ela quisesse, um projeto pessoal. Ela, que não é boba nem nada, escolheu fazer um filme com o marido que se passa na costa francesa. Escrito, dirigido e atuado por ela, assinando como Jolie Pitt, que pegou a inspiração idílica para fazer uma homenagem a nouvelle vague, a bossa nova do cinema francês, ao narrar a história de um casal infeliz.

O estilo do filme é inspirado no gênero cultuado por estudantes de cinema, mas para quem não tem familiaridade (ou não gosta mesmo) com a nouvelle vague as referências se perdem. A edição é um pouco diferente e alguns ângulos de câmera arriscam uma perspectiva criativa. E a fotografia é naturalista, claro. Mas a nouvelle vague também focava em narrativa íntimas, ou sobre pessoas infelizes, ou sobre pessoas passando por alguma crise particular. Apesar de geralmente serem lembrados pela trilha pop francesa ou aquele jeitão bon vivant dos artistas europeus dos anos 60, o foco sempre foi em cicatrizes da intimidade.

Nesse aspecto, “À Beira Mar” acerta em cheio no alvo. O casal Vanessa e Roland vão para uma vila litorânea na França para ele buscar inspirações para escrever seu novo livro. A crise autoral chega a ser um clichê felliniesco, né? Opa, estilo errado. O foco aqui é Vanessa, uma mulher infeliz a beira de uma crise depressiva, ou sofrendo de ansiedade social, algo que a direção deixa clara que é por causa de algum trauma anterior. A história perde um pouco do impacto quando recorre a isso. Nouvelle vague não buscava em Freud uma desconstrução dos personagens. Eles simplesmente desviavam-se do padrão “felizes para sempre” do cinema comercial e cabia ao diretor dar alguma visão íntima sobre aquilo.

Angelina Jolie é uma diretora competente. Tanto “Invencível” quanto “Na Terra de Amor e Ódio” tinham uma visão particularmente interessante sobre o tema tratado. Como roteirista, entretanto, ela é pouco criativa. E presa nessa tentativa de fazer algo dela, algo autoral, “À Beira Mar” parece pouco se esforçar em mostrar a emoção dos personagens. Sim, eles são infelizes. A apatia de Vanessa é visível. E? A história em si é inerte. Eles são infelizes, por algum motivo, e a narrativa simplesmente segue essa lógica e segue em frente. “Seguindo a maré”, o que parece ser um tema da história, mas que não trás nada de interessante na direção.

Em suma, “À Beira Mar” é um filme entediante sem nada a dizer. Mas é belo de se olhar. Fãs da nouvelle vague talvez se encantem. Ou fiquem ofendidos com a tentativa de uma estrela de Hollywood arriscar neste projeto. Mas convenhamos, se Jolie pode, ela que o faça mesmo… Direito dela de tentar fazer o que quiser! Não quer dizer que o projeto automaticamente vai dar certo, mas ninguém fracassa só por tentar.

Além de roteirizar e dirigir, Jolie atua também, com a competência genérica de sempre. Seu marido Brad Pitt também está lá, por estar. Ninguém vai julgar os dois por terem aproveitado a oportunidade de fazer um filme que eles queriam fazer juntos. Mas nenhum dos dois aparenta estar se divertindo nisso. E é curioso por abordar um tema similar da outra produção que fizeram juntos, “Sr. e Sra. Smith” de Doug Liman: um casamento infeliz. O filme de 2005 pelo menos entretém.

O elenco francês conta com Mélanie Laurent (de “Bastardos Inglórios”), Melvil Poupaud e Niels Arestrup.

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