Review: “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” e “O Final” de Francis Lawrence

A série Jogos Vorazes resolveu seguir a má ideia das sagas Harry Potter e Crepúsculo e dividir o último livro em duas partes. Dirigidos pelo mesmo diretor, “Parte 1” e “O Final” (que seria a parte 2 no Brasil) são essencialmente o mesmo filme divididos em dois pedaços para vender o dobro de ingressos. O resultado, como nas franquias previamente mencionadas, não é positivo. Em especial para a primeira parte, que acaba sendo um longo prólogo anticlimático.

A “Parte 1” começa exatamente onde “Jogos Vorazes: Em Chamas” parou. Katniss Everdeen sobreviveu ao seu segundo jogos vorazes e foi resgatada para um grupo de resistência que quer enfrentar a Capital e liberar os 13 distritos de Panem. Porém ela está um pouco preocupada, pois seu interesse romântico dos jogos, Petta, foi sequestrado pelo Presidente Snow. E essa é a história inteira do primeiro filme. Katniss resiste um pouco sobre se tornar a Mockingjay, a símbolo da resistência, pois está preocupada com Petta. Seus amigos conversam com ela. Ela visita um hospital. Grava uns discursos. Por aí…

Dizer que nada acontece no filme é um eufemismo ao nada. A história simplesmente não anda em 2 horas, provavelmente um recorde de “nadismo” superando o entediante “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”. Após um clímax (que em qualquer outro filme seria apenas uma conflito inicial) levemente tenso, com uma tentativa de resgate de Petta e outros sobreviventes dos jogos vorazes,  a história termina em um gancho que essencialmente entrega a parte 2 no exato mesmo ponto de onde a parte 1 começa. Katniss ainda é a mesma Katniss e ainda está preocupada com Petta.

“O Final” começa de onde o gancho anterior parou e tenta aparentar ser um filme mais ágil, só que não é não. Katniss enrola mais um pouquinho antes de ir para Capital, aí resolve ir e enrola mais um pouquinho enquanto conversa com seus companheiros. Quando a ação finalmente começa e o último “Jogos Vorazes” ganha um pouco de jogos vorazes, com armadilhas e inimigos absurdos, parece que a história entra em ponto morto. É como se o conflito estivesse lá por estar. Não existe perigo ou sequer senso disso. Mortes não causam impacto. Personagens se vão e não trazem grande reviravoltas na história. Quando Katniss finalmente tem a oportunidade de confrontar seu arqui-inimigo, o Presidente Snow, o clímax já passou. E foi lá pelo segundo filme da série. Os jogos vorazes terminam de maneira quase catatônica.

O resultado final é curioso. Após um primeiro episódio com temas interessante e uma sequência que mostrou uma mitologia com muitas possibilidades… O terceiro filme, mesmo sendo esticado por dois, acabou entrando em coma. É como se a franquia fosse sobre uma narrativa (a sobrevivência e o circo da exploração midiática), mas se preparasse para um conflito central (a queda de um regime ditatorial) que não entra em acordo com o estabelecido antes. Em suma, é como se os dois primeiros filmes da série não vendessem a ideia dos dois últimos. Portanto os Jogos Vorazes não fazem parte da história, o que torna todo o arco de Katniss inútil e sem pay off.

Francis Lawrence dirigiu as duas partes finais, após ter sido bem recebido pelo sucesso de “Em Chamas”. Sua direção é boa nas cenas de ação. Mas para um filme com tão poucas, a “Parte 1” fica em um constante clima de ponto morto. Já “O Final” entrega isso quando precisa, mas não tem graça nenhuma quando tem que botar líderes para fazerem debate político ou mostrar um epílogo sentimental e piegas.

O elenco conta com Jennifer Lawrence, se esforçando ao máximo em não se esforçar. Sem dúvida um trabalho inferior ao mostrado por ela nos dois primeiros filmes. Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Sam Claflin, Woody Harrelson, Stanley Tucci e Donald Sutherland estão lá só para terminar o contrato. Philip Seymour Hoffman também aparece em seu último trabalho antes de falecer em 2014. Na “Parte 1” você quase não percebe onde estaria sua falta, já que as poucas cenas que ele não gravou foram substituídas com eficiência. Já em “O Final” ele praticamente desaparece e é substituído por um óbvio dublê digital em uma cena chave do clímax. Dado o trágico ocorrido, os produtores conseguiram dar um jeito razoável. A ganhadora do Oscar Juliane Moore dá a vida ao único personagem novo importante, a presidente Alma Coin.

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2 respostas para Review: “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” e “O Final” de Francis Lawrence

  1. “Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Sam Claflin, Woody Harrelson, Stanley Tucci e Donald Sutherland estão lá só para terminar o contrato. ”

    QUÊ?????
    Claro que não, eles amaram fazer o filme, tem tantas entrevistas deles sobre isso.
    E pelo amor de Deus, Jogos Vorazes NÃO é APENAS ação. Parece até o pessoal que assiste Game Of Thrones e reclama quando o episódio não tem ação, meu Deus… Chega a dar vergonha dos “serumaninhos”.

    Curtir

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