Review: “Independence Day: O Ressurgimento” de Roland Emmerich

O primeiro “Independence Day” foi um grandioso blockbuster dos anos 90, na época que sua companhia eram clássicos como “Exterminador do Futuro 2”, “Jurassic Park” e “Titanic”. Foi uma década que privilegiou muito os efeitos especiais e cenas icônicas envolvendo algum truque revolucionário. O T-1000 derretido, o T-Rex destruindo um carro, o Titanic afundando e, claro, a Casa Branca explodindo. Talvez o mais icônico de todos esses takes, especialmente se formos falar de disaster porn, um gênero que nunca perdeu o fôlego – apesar da folga que deu após os atentados de 11 de Setembro.

Referência do dia: metáfora ao resultado do Brexit? :-/

Com absurdos vinte anos de atraso, surge a sequência “Independence Day: O Ressurgimento”, querendo trazer de volta um pouco desse clima do original em tempos onde seu diferencial é bem menos marcante. Em tempos de dominação do Marvel vs DC, onde desde “Os Vingadores” até “O Homem de Aço” já tiveram seus momentos de disaster porn, onde uma nova invasão alienígena se coloca? A escolha do roteiro foi: no universo sci-fi.

Tudo começa com os alienígenas invasores (nota: qual o nome deles? Interessante pensar que a raça não tem um nome ainda) recebendo uma sinal de resgate da Terra, após perderem a batalha contra os terráqueos. Uma nave mãe com sua alien rainha fica revoltada e resolve vir para a Terra atrás de vingança. Claro, o espaço é bem grande então, mesmo com tecnologia de viagem interestelar, eles demoram 20 anos para chegar. Saturno é longe, pessoal…

Aqui na Terra os humanos estão celebrando o aniversário de 20 anos da Guerra de 1996, comemorando como a união da espécie salvou-nos da extinção. Uma mensagem interessante em tempos fortes de segregação política, né? É como se o roteiro quisesse dizer “olha galera, estamos pior do que estaríamos se tivéssemos sido invadidos por alienígenas” o que pode ser uma verdade. De qualquer forma, lá na Lua (onde os humanos estabeleceram um centro de defesa anti-alien) uma gigantesca nave esférica aparece. Os alienígenas voltaram? Bem, na dúvida, a gente atira primeiro. Claro que não seria tão fácil assim, portanto enquanto alguns humanos menos ansiosos resolvem investigar a tal nave misteriosa, uma outra bem maior resolve aparecer por aqui.

Parece ser uma sinopse elaborada para a sequência de uma filme que se resumia a “alienígenas aparecem e explodem coisas”. E é. “O Ressurgimento” tem muito compromisso com expansão do universo, de mostrar o que aconteceu com o mundo – e seus personagens – no espaço de 20 anos que separa uma história da outra. Pense naquilo que “Star Wars: O Despertar da Força” não fez. O que é positivo, apesar de atrasar um pouco a narrativa. Mas abre portas para uma história mais interessante, apesar de ser uma história interessantemente idiota. Mas quem se importa?

Claro, ninguém vai atrás de Independence Day pela trama. E em termos de explosões e catástrofes, ele é bem inferior ao original. A chegada dos alienígenas é uma cena bem legal, mas menos marcante que da última vez. E a destruição de Londres também é criativa, mas não é icônica. É uma boa cena de disaster porn entre tantas inúmeras outras. O filme melhora quando foca nas cenas de ação mais tradicionais, de naves atirando e soldados enfrentando alienígenas. E, aqui, a variação é bem maior que no primeiro filme. Exploramos um pouco do interior da nave mãe (no original apenas passeávamos por dentro) e o clímax envolve a rainha em modo Godzilla pisando em todo mundo, enquanto o ônibus escolar mais rápido da galáxia foge dela. Todo o absurdo é criativo e divertido, sem nunca perder o senso de humor e ridículo da situação. “O Ressurgimento” nunca se leva a sério e isso é um diferencial hoje em dia. É blockbuster pipoca assumido e com orgulho.

A direção é novamente de Roland Emmerich, que adora destruir cidades. Depois de “Independence Day” ele fez aquele “Godzilla” horrível de 1998, “O Dia Depois de Amanhã” e “2012”. Aqui ele não faz nada que já não tenha feito antes, mas seu know how produz bons momentos. E a escolha de explorar mais o universo sci-fi que a franquia pode produzir é interessante. O filme termina com um gancho promissor (não se preocupe, a história tem um fim, não é um corte exagerado) que promete um tipo de aventura bastante interessante para o cinema do gênero. Vamos ver se o público vai demonstrar interesse em um “Independence Day 3” para garantir o blefe.

O elenco é liderado por Jeff Goldblum, que fez “Independence Day” entre dois Jurassic Park, mas resolveu sumir de blockbusters a partir daí. Carismático como sempre, ele sabe lidar com a situação absurda com uma sutileza impressionante. Seu David Levinson é menos herói e mais tio zoeiro por aqui, portanto suas cenas são sempre divertidas. O herói da vez é Liam Hemsworth, que não tem o carisma para carregar um filme desses, apesar de ter pego o papel que no original seria do Will Smith. Ele não é o Will Smith… Já quem interpreta seu filho, Jessie T. Usher, bem, esse também não é Will Smith… Como novidades temos ainda Maika Monroe, William Fichtner, Travis Tope, Angelababy, Sela Ward e Charlotte Gainsbourg. Voltando do original aparecem Brent Spiner, Bill Pullman, Judd Hirsh e Vivica A. Fox. Fora Goldblum, somente Tope, Spiner e Hirsh parecem interessados em rir junto com a plateia. O resto do elenco, novo ou velho, está bem sem graça.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Review: “Independence Day: O Ressurgimento” de Roland Emmerich

  1. Pingback: Review: “Independence Day: O Ressurgimento” de Roland Emmerich — PixelDrama – CURIOSIDADES NA INTERNET .COM

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s