Review: “Bruxa de Blair” de Adam Wingard

Um dos filmes de terror mais influentes de todos os tempos, “A Bruxa de Blair” foi um fenômeno cultural no ano de 1999. Naquele início de internet, onde as pessoas ainda podiam cair em mentiras que não eram desmentidas no dia seguinte, o filme conquistou festivais de cinema e o boca a boca fez meio mundo realmente acreditar se tratar de um documentário sobre material achado na floresta. Quando o sucesso explodiu as bilheterias (US$250 milhões mundialmente, em cima de um orçamento de míseros US$60.000) ao pouco as pessoas foram se dando conta de se tratar de apenas um filme. Mas o impacto já estava lá. “A Bruxa de Blair” praticamente inventou a técnica do marketing viral muito antes do termo existir. E inaugurou o gênero found footage dez anos antes da série Atividade Paranormal.

E cá estamos, 17 anos depois (desculpa juventude, mas parece que foi ontem que eu assisti em casa pelo VHS alugado) e surge uma sequência. Estou ignorando “Bruxa de Blair 2” – convenhamos, é para fingir que aquilo nunca existiu mesmo. “Bruxa de Blair”, assim sem o artigo mesmo, conta a história de James, irmão da protagonista Heather do primeiro filme, procurando sua irmã. Ao lado dele vem sua amiga Lisa, que quer filmar um documentário, óbvio, e outros dois amigos deles que estão lá só para morrer. E não, isso não é spoiler. É filme de terror e os dois são negros, você sabe muito bem o que acontece, você assistiu “Pânico”.

Os quatro, portanto, voltam à floresta onde Heather desapareceu, através de um moço estranho que diz ter encontrado numa fita perdida lá. James acha que Heather aparece na fita. O grupo segue a floresta, um pouco de exposição sobre o mito da bruxa é atirado por que sim, eles acampam e chega a noite e o resto você já sabe. Você já viu. “Bruxa de Blair” não está aqui para reinventar a roda. Está é para voltar à roda e rodá-la novamente. Não seria exagero chamar essa sequência de remake, considerando que a narrativa segue exatamente a mesma estrutura.

Claro, mudam detalhes. Agora as câmeras são mais modernas – o que tira aquele visual naturalista muito mais marcante do filme original – e tem até um drone que não serve para nada. As assombrações também são muito mais fortes e barulhentas, ao contrário das meras insinuações do anterior. Do ponto de vista da história, a gente termina onde começou. Nenhum dos personagens tem arco algum, eles são introduzidos apenas para serem caçados. Existe uma certa “reviravolta” em relação ao gancho do primeiro filme, naquele marcante enquadramento final, que tenta talvez explicar um pouco o que aconteceu lá. “Bruxa de Blair” faz um esforço de tentar expandir o mito da bruxa, o que é válido, mas acaba introduzindo mais elementos misteriosos e muitos mais inexplicáveis do que apenas “barulhos estranhos que não sabemos de onde vem”.

Em “A Bruxa de Blair” o mistério era palpável. Sequer aparecia uma bruxa na história inteira! Essa era a graça – claro que nem todo mundo vê dessa forma – pois reforça a ideia de que aquilo podia ter acontecido. Se não era real, era natural. Não acontecia nada no filme que não tivesse uma “explicação” e essa ideia de tentar algo mais simples foi o grande diferencial inovador da produção. “Bruxa de Blair” apenas repete e complica. De qualquer forma, apesar de perder muitos pontos pela falta de inovação, méritos merecem ser expostos: o clímax do filme é uma assustadora sequência de quase 30 minutos que vai lhe deixar na ponta da cadeira. Segue o modelo found footage já imitado à exaustão nos últimos dez anos, mas com uma precisão e vontade de segurar o público que é louvável. Uma pena que tudo antes é bem sem graça, com direito a sustos forçados com pessoas que aparecem do nada – apesar deles estarem numa floresta — pessoas fazem barulho quando andam numa floresta!

A direção é de Adam Wingard, o mesmo de “Você é o Próximo” e “The Guest”. Ele é um bom diretor , o clímax prova isso, mas francamente ele não faz nada que a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sanchez (aqui assinando como produtores executivos) não tenham feito com menos orçamento e muito mais criatividade. O visual bem produzido tira muita graça. As câmeras são todas de altíssima qualidade, o áudio é sempre exemplar. Até os cortes parecem maquiar a edição de uma maneira bastante artificial.

O elenco conta com James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson e Valorie Curry. Nenhum deles faz absolutamente nada de memorável. No máximo Brandon Scott, que interpreta um personagem muito chato, então você vai adorar quando ele sumir do filme.

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