Review: “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos” de Duncan Jones

Permita-me esclarecer, de antemão, que não tenho grande familiaridade com o universo Warcraft. Conheço o jogo dos tempos que a franquia era focada em RTS e, claro, como alguém que acompanha os videogames desde sempre, entendo a importância da série, em especial quando ela ganhou o mundo com o MMORPG “World of Warcraft”. Mas a verdade é que nunca joguei nenhum jogo da série. Ocupado entre “StarCraft” ou “Command & Conquer” lá nos anos 90, nunca me dei ao trabalho de mergulhar no universo estratégico da saga da Blizzard. E eis que chega a adaptação cinematográfica, do qual mergulhei com a familiaridade apenas do título.

Resultado: não entendi nada do que estava acontecendo.

A história começa com o líder de uma tribo orc, Durotan, levando sua esposa grávida e seu exército através de um portal aberto para levar a espécie de seu mundo morto ao mundo dos humanos. Lá somos introduzidos ao reino do rei Wrynn, onde seu cunhado Andruin está investigando alguma coisa ao lado do mago Khadgar que ficou sabendo por aí de algo estranho. Junto eles vão atrás do guardião Medivh, são emboscados pelos orcs de Durotan e resgatam a meio-orc Garona que revela o plano dos monstros verdes invadirem o mundo humano.

Se você não acompanhou a sinopse e todos seus nomes esquisitos, boa sorte em acompanhar o roteiro em si. Escrito pelo diretor Duncan Jones (que tem familiaridade com o universo Warcraft) e Charles Leavitt (“Diamante de Sangue”), a história pula de evento em evento sem a menor cerimônia para introduzir personagens, cenários, situações ou dramas. Lembra a balela política de “Star Wars: Episódio I”? Pois é, muita gente não gostou. Mas pense no esforço de George Lucas em introduzir um universo e o que estava acontecendo ao redor dele. Estabelecer isso fazia o espectador ter noção do conflito básico e poder acompanhar a jornada sem ficar perdido. Nenhum planeta era introduzido sem ser explicado. Em “Warcraft”, vilas e cidades aparecem como se você já soubesse que elas estão lá. As cenas pulam com uma estranha pressa. E são muitos elementos, portanto a narrativa tem a sensação de não estar levando a lugar nenhum. Logo, fica um tédio.

Belos cenários novos são introduzidos sem causar encanto algum.

Belos cenários novos são introduzidos sem causar encanto algum.

Talvez “Warcraft” seja um mero prólogo, o que é um desperdício. Talvez seja mais compreensível para os fãs estabelecidos da saga, o que é uma perda de oportunidade de criar novos adeptos. Alguém precisava ter lido “O Senhor dos Anéis” e seus inúmeros apêndices antes de mergulhar na versão cinematográfica da Terra Média? Não! Lembre como em “A Sociedade do Anel” o diretor Peter Jackson fez questão de começar narrando do ponto de vista dos hobbits, introduzindo cada cenário novo para o público do ponto de vista deles. O Condado, Bree, Valfenda, Moria. A cada novo local, aprendíamos sobre ele, sua história, seu passado. Estávamos de fato imergindo em um novo mundo! “Warcraft” não quer saber disso.

O diretor Ducan Jones tem talento, mostrou isso com “Lunar” e “Contra o Tempo”. Aqui ele está completamente perdido, intencionalmente ou não. A edição do filme é um fiasco similar ao de “Batman vs Superman” (que foi melhorado em uma versão para diretor, ao menos), em que a narrativa segue seu próprio ritmo, sem se importar de fazer sentido para quem está tentando acompanhar. O que aconteceu? Parece que Hollywood viu as tramas complexas de Christopher Nolan e pensou que o público pode assistir uma bagunça narrativa para depois juntar as peças em casa. Não é assim que funciona. Por mais confuso que “A Origem” fosse, as peças se juntavam no final. Quando “Warcraft” termina, temos apenas a promessa de que novas peças vão surgir em uma sequência. Os créditos aparecem sem a menor preocupação de amarrar os eventos do clímax.

O elenco é liderado por Travis Fimmel, fazendo um Aragorn bonachão, que não consegue carregar as cenas mais dramáticas nem implorando pelo espírito de Viggo Mortensen. Mas ele é relativamente carismático. Toby Kebbell, acostumado ao motion capture pelo seu trabalho em “Planeta dos Macacos: O Confronto”, vive o orc Durotan. Os efeitos especiais de sua maquiagem digital realmente são impressionantes e ele confere uma carga dramática à história bem melhor que o humano central – não sei se isso é proposital ou uma ironia acidental. Paula Patton é a Garona que muda de postura de acordo com a necessidade da história. Ben Foster é o guardião Medivh e Ben Schnetzer um mago sem carisma algum para um papel dessa importância no enredo. Dominic Cooper é o rei com cara de sono a história inteira.

O elenco é de respeito, mas não faz nada com tantos personagens e uma narrativa que simplesmente não quer saber de narrar coisa alguma. O único compromisso de “Warcraft” é jogar cenas entendiantes na tela, rezar para você gostar daquilo e procurar entender o que aconteceu no Wowpedia.

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